Salve nação São Paulina!

Estamos na quarta feira e parece que a semana está acabando para o São Paulo, são tantos acontecimentos nos bastidores que a impressão que temos é que já chegou sexta feira. Anunciado ainda no dia 05/06, Dorival Jr é dono de uma série de incertezas pelo seu currículo intrigante: será que dará certo? E a pressão? E o tempo para trabalhar? E os jogadores se adaptarão? Entre incógnitas, uma certeza: o técnico “chegou chegando”, praticamente reformulou toda a comissão técnica do tricolor incluindo preparador físico. O ponto positivo? Enxergaram que o time precisa ser virado do avesso, montado e remontado, troquem até o Santo Paulo se preciso, não há mais tempo para inventar, é hora de renovar. O ponto negativo? Adaptação e tempo, inimigos do São Paulo nessa altura do campeonato.

Em seu primeiro treino, o ex-santista treinou com o pouco convencional 4-2-3-1 com Buffarini, Arboleda e Rodrigo Caio, Junior Tavares; Jucilei e Petros; Wellington Nem, Jonantan Gomez e Cueva; Pratto. O que me contestou nessa formação é o uso de Cueva mais pela “ponta” que faria a função de infiltrar mais pelas laterais, o que dá mais liberdade ao jogador já que quem articularia o meio de campo seria o Gomez; na verdade, nesse esquema tático só trocaria Nem pelo Lucas Fernandes. A escalação deve ser essa contra o Atlético Goianiense no Morumbi, jogo que pode parecer fácil mas na minha visão, é o martelo final para a degola do São Paulo já que uma derrota ou até mesmo empate colocaria o time em péssima condição na tabela e pressionaria Dorival.

Falando de adaptação e tempo…

A venda de Rodrigo Caio deve dificultar ainda mais neste aspecto. Apesar de termos um zagueiro que estreou empolgando a torcida São Paulina pela sua qualidade, o setor defensivo do São Paulo precisa de peças muito boas tecnicamente, e a chegada de Aderllan Santos (por empréstimo), zagueiro de 28 anos que veio do Valencia, já deixou uma pulga atrás da orelha do torcedor: por que, exatamente, a torcida do time espanhol vibraria tanto com a saída de um zagueiro que nem sequer era escalado pelo técnico Marcelino García? Por outro lado, o jogador tem uma vasta passagem pelo futebol internacional. Temos mais uma incógnita.

A partida contra o Santos

Entrando em campo com o técnico interino Pintado, o São Paulo manteve-se no mesmo nível que o Santos e os números não negam: foram 52% de posse de bola e com propriedade, somando vantagens em quase todos os quesitos sobre o Santos (cruzamentos, passes certos, faltas e afins). É verdade que abriram o placar em nossa falha, mas isso só nos indica que estamos abrindo chances ao rival cometendo erros que não podem ser cometidos no momento que o São Paulo está, não enaltecendo o Santos e sim nossa falha. Obviamente, não vamos crucificar o Renan Ribeiro que para mim, hoje, é um dos melhores goleiros do Brasil, mas o jeito que optou para soltar a bola (rebatendo dentro da confusão na pequena área) não era o mais correto; o goleiro ainda se defendeu dizendo que intenção era segurar a bola, mas acabou não o fazendo. Já puxando o gancho de crucificar, não vamos ou pelo menos não deveríamos crucificar Lucas Pratto pelo pelo pênalti perdido, muito pelo contrário: vamos lembrar que a origem do pênalti deu-se por uma tentativa do atacante de sair da área para tentar “dar o passe para si mesmo” e balançar as redes, já que Jonantan Gomez estava completamente perdido. Normal, esperamos não se repetir nos próximos jogos já que veio para ser titular e a ele foi creditada uma super confiança.

O que me deixou mais incomodada com a derrota foi a demora do poder de reação do São Paulo, por um lado tínhamos em campo peças que realmente não tinham condições de fazer milagres, mas o verso da moeda é outro: Denílson e Marcinho se arrastaram em campo praticamente, e isso fez com que o time perdesse boa parte da reação já que ambos são escalados para fazer a função de jogadores velozes. Como dito, Gomez estava totalmente perdido e a bola mais uma vez não chegou no Pratto e vendo a situação, Pintado colocou Lucas Fernandes que voltou há algum tempo de uma lesão grave e surpreendeu, deu velocidade ao jogo, chutou para o gol exigindo uma boa defesa de Vanderlei e as redes acabaram sendo balançadas por Shaylon, de rebote. Espero que o garoto seja titular mais vezes, tem fome de bola e é muito bom tecnicamente.

Resumo então que não fomos superiores ao Santos, pelo contrário, o placar estava aberto a todo momento, porém reagimos tardiamente, e isso nos deu a alcunha de perdedores.

Que o Dorival arrume esse time para que possamos subir na tabela e quem sabe brigar pelo G-6, por que não? Clube da fé, não se esqueçam. Avante tricolor!