Representatividade feminina é uma realidade em diversos locais, seja no mercado de trabalho, no esporte ou na política, e nas torcidas organizadas não poderia ser diferente.

O São Paulo Futebol Clube conta com duas grandes torcidas – Independente e Dragões da Real – para ditar o ritmo da arquibancada. Um local massivamente masculino, onde poucos conseguem enxergar o poder e a força feminina. Porém, quando conhecemos melhor essa realidade vemos garotas de valor, com grande conhecimento sobre torcida x futebol e que mostram que mulher é essencial nesse estilo de vida aventureiro, que traz tanto conhecimento e rende tantas amizades.

A estrada das mulheres em torcidas organizadas não é fácil, porém elas são as verdadeiras guerreiras, o pilar que sustenta a ideia de força feminina. São elas que estão sempre dispostas a lutar e defender a bandeira da entidade que as representam. Os quilômetros rodados mostram que pode ser uma, ou podem ser dez, sempre haverá uma representante.

Paloma Barbosa Felix, ou simplesmente Paah, como é conhecida na bancada, tem 23 anos e é associada da Dragões da Real há seis. Ela, que tem o amor ao São Paulo FC estampado na pele, comenta como foi o seu processo de associação à torcida e que, assim como em todos os lugares, luta todos os dias para conquistar o seu espaço e mostrar para o que veio.

Qual é sua história na Torcida Dragões Da Real? Quando começou e como foi criando raízes?
Comecei a frequentar estádios em 2009 e, nesse mesmo ano, acabei me associando a Torcida Independente. Eu conhecia poucas pessoas na época, então eu ia aos jogos e ficava observando a Dragões, a união na arquibancada, as pessoas o jogo todo pulando e cantando… Mas só fui conhecer a Dragões, de verdade, em 2011, quando fui assistir ao desfile. Sai da sede da torcida, junto com os componentes, para ir ao Anhembi, vi o clima família que existia ali dentro da sede. No caminho, a única coisa que passou em minha cabeça foi: eu irei fazer parte dessa torcida! No dia 10 de março de 2011 fiz minha carteirinha. De lá pra cá, muitos jogos e viagens. Hoje tenho o maior orgulho em fazer parte da Dragões da Real, o clima familiar dessa torcida contagia qualquer pessoa.

Como é ser mulher dentro de uma torcida organizada?
Bom, ser mulher, não só em torcida, como em todos os lugares, não é fácil! As pessoas acham que nós devemos nos dar ao respeito, mas, na verdade não sei nem o que querem dizer com isso. Nós, como qualquer outra pessoa, merecemos esse respeito em qualquer ambiente e temos que ser valorizadas sim! Não é fácil para uma mulher, às vezes, deixar filhos, família, deixar tudo, e ainda ouvir que ali, no estádio, não é o lugar dela. E, muitas vezes, essas mulheres representam mais que muitos marmanjos! Na Dragões todos os sócios têm muito espaço, independente do sexo. As meninas podem falar, dar opiniões, podemos viajar… Nós temos um presidente que nos apoia em tudo, e isso é a melhor coisa: ter alguém que nos apoie, pois muitas se sentem mal em torcidas por, às vezes, não terem um espaço pra falar.

Já aconteceu algo curioso por você ser mulher e estar no meio da organizada?
Não tenho um fato tão curioso, mas há uma viagem marcante, a caravana pra São Januário. Existe uma proibição de mulheres em viagens para lá*, mas a minha primeira caravana em 2011 foi justamente para São Januário! A torcida estava em dois ônibus, e foram quatro meninas. Como eu era nova na torcida, estava um pouco apreensiva, com medo, mas no final não aconteceu nada, ida e volta foram tranquilas.

Uma dica às integrantes da sua torcida?
A dica é que todas sejam participativas e que aproveitem o espaço que temos na Dragões.

 

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*Esta regra existe há anos e pouco sabe-se sobre o que ocasionou sua origem. Acredita-se que acontece, principalmente, pela localização do estádio, que tem acesso mais estreito e complicado, facilitando a ocorrência de brigas entre torcidas e emboscadas. Além de São Januário, Mangueirão, em Belém, e Barradão, em Salvador, possuem vetos parecidos.