Que me desculpem os otimistas, mas em alguns momentos ainda prefiro me manter na realidade. Estamos mais uma vez passando pelo pior momento de nossa história. Ainda não chegamos à UTI, mas o quadro está cada vez mais complicado.

Estamos na 11ª colocação, com 28 pontos – a quatro pontos do Internacional, primeiro time do Z4, e com um jogo a mais que Botafogo (26 pontos) e Figueirense (24 pontos). Apenas quatro pontos que poderão se transformar em muito mais, já que nosso próximo jogo é contra o líder Palmeiras, na casa deles, sem torcida e com nove possíveis desfalques (Cueva, Mena, Auro, Lucão, Buffarini, Bruno, Rodrigo Caio, Gilberto e Lyanco).

E, em meio a este turbilhão de emoções, somos obrigados a ouvir a máxima de alguns que “time grande não cai”. Como se fosse simples o campeonato, como se existe uma cláusula onde nos impede do rebaixamento. Não, não existe! Mas do que isso, estamos em meio a uma maré de problemas que, constantemente, nos lembra que: não importa seu lucro, se seu time chegou na semi da Libertadores, se seu escudo é o mais bonito ou se o estádio é seu, sem futebol não se mantém na série A. 

Antes de mais nada, não estou defendendo a tal “cartilha do rebaixamento”, porque não acredito que exista uma fórmula para cair. Estou me referindo a fatos como Ricardo Gomes – coitado, que Deus cuide de seu coração – não ser um técnico com pulso suficiente para a nossa situação. Que eu pague minha língua, mas não vejo estes treinos fechados como a solução, foram apenas três jogos, mas três jogos suficientes para ver que ele não tem autoridade, que ele não é um líder, que ele não é uma referência para os jogadores.

Ô se time grande cai, principalmente quando conseguimos contar nos dedos quantos jogadores ficam assim, depois de não conseguirem ajudar (Imagem: Robson Ventura/FolhaPress)

Ô se time grande cai, principalmente quando conseguimos contar nos dedos quantos jogadores ficam assim, depois de não conseguirem ajudar (Imagem: Robson Ventura/FolhaPress)

E estes atributos não são ausentes apenas em nosso técnico, mas também na diretoria que se omite a tantos problemas, que não cobra e se preocupa com pouco. Eles também aparecem dentro de campo, onde egos estão tão inflados que criam um bolha acústica que impede ouvir jogadores mais experientes.

Não adianta, antes havia a desculpa que estávamos com foco na Libertadores. Agora não tem mais o que falar, é jogar ou jogar. Porque se continuar com a mesma apresentação dos últimos jogos, desculpa, mas não vai dar. Se continuar a birra com a torcida, a falta de respeito com a camisa e a briga de quem pode mais, nosso futuro não será nada agradável.

Não vai adiantar ter no canto que somos times grandes se em clássico não aparecemos, se nossos jogadores acham que estão no jogo dos com camisa contra os sem camisa, se time da série C faz a gente passar vergonha.

O São Paulo hoje só é grande no coração de poucos mil que ainda defendem o clube. Que ainda torcem e que não usam a sua imagem apenas para ter likes. Que o honram, honram o seu estatuto e que o amam independentemente da posição.