Se o Bauza fosse menos retranqueiro, se não tivéssemos trazido tanto estrangeiro. Se aquele clássico fosse vencido, se o juiz não fosse vendido. É fácil penar em como as coisas seriam perfeitas, se não fosse a parte de serem reais. O futebol é incerto durante os 90 minutos, ou um pouco mais, em que ele acontece. Após o apito final é aquilo e pronto, não existe alternância, não existe sonho, ou amor, capaz de mudar o resultado final.

O “se” não pode, e nem deve aparecer, antes de uma análise sobre o primeiro turno. As hipóteses devem ser futuras e não sobre o passado. Mais do que o turno de um campeonato, o São Paulo encerrou um semestre e um ciclo de sua história. Depois da catástrofe de 2015, ninguém acreditava que um futebol razoável, para este ano, seria possível, e aparentemente não era.

Jardine e Pintado comandam o tricolor até o substituto de Bauza aparecer, se aparecer (Foto: Fernando Segredos do adsense Dantas/Gazeta Press)

Jardine e Pintado comandam o tricolor até o substituto de Bauza aparecer, se aparecer (Foto: Fernando Segredos do adsense Dantas/Gazeta Press)

Um Campeonato Paulista para ser esquecido, não apenas pela humilhação frente ao Audax, que jogou muito durante todo o campeonato, mas por uma equipe que tinha menos sede de bola do que um pai que brinca de futebol com o filho de quatro anos.

A Libertadores das surpresas aconteceu. Fomos mais longe do imaginávamos. Fomos o São Paulo que por ninguém poderia ser imaginado. Fomos roubados, como é de costume. A torcida, com as amostras de glória, fez as pazes com time.

Patón veio, também como surpresa, quando trocentos outros nomes eram cogitados. Patón foi mais do que um técnico. Deixou a desejar sim, certamente errou diversas vezes, tem um caso de amor com o Centurion, com certeza, mas devolveu para o São Paulo a essência de equipe. Saiu do São Paulo de forma infeliz, após uma entrevista infeliz. Saiu sem conquistas palpáveis, saiu nos deixando em posição de perigo no Brasileiro, mas nos trouxe títulos que poucos técnicos são capazes de oferecer como: raça, amor à camisa, confiança e vontade.

Perdemos nosso meia, nossos atacantes, nosso técnico, mas o Maicon ficou. Voltamos a vencer, voltamos a vencer fora de casa, voltamos a vencer clássicos. Engatinhamos para voltar a ser o São Paulo.

Agora, talvez seja mesmo o momento de acreditar e apoiar. Esperar e ter um pouco de calma. Acompanhar como Jardine desenrola o time principal, após ter feito excelente trabalho na base.

Talvez a primeira metade do ano possa entrar para os livros de história como “O Milagre Tricolor”, afinal até o Denis conseguiu pegar um pênalti.