Fazia tempo que o torcedor são-paulino não ficava tão eufórico com o andamento de alguma contratação como aconteceu com a que selou o acordo definitivo de Maicon no clube. A verdade é que em pouco menos de quatro meses no Morumbi, o zagueiro cativou a torcida por ter exatamente o perfil do São Paulo. Além de esbanjar técnica, transmitir confiança e ser daqueles líderes natos dentro de campo sem ser soberbo, o camisa 27 tem de sobra aquilo que o faz ter a “cara” do Tricolor: raça. Muita raça.

Com os R$ 22 milhões desembolsados pela diretoria para ter um defensor à altura da grandeza do clube, coisa que, convenhamos, não tínhamos desde 2008, parte da imprensa criticou a atitude do São Paulo de gastar tanto com um jogador que, segundo eles, até ontem ninguém sabia quem era, e associaram a contratação a um ato de loucura. Até concordo com a última afirmação, muito pelo fato do Tricolor estar se reerguendo de uma das maiores crises econômicas que já assolaram o clube e o valor ser bem alto mesmo. Mas, como bem colocou meu colega Adriano em sua coluna de semana passada, algumas loucuras valem a pena. A feita para ter o zagueiro até 2020 com certeza é uma delas.

Contudo, ao contrário do que alguns jornalistas usaram como argumento para se opor à que foi a negociação mais cara da história do São Paulo, Maicon não é um tiro no escuro. Não é só mais uma aposta. Pode até ser que a liga portuguesa não seja tão atraente e pouco vista aqui no Brasil, mas o zagueiro tem uma história de quase oito anos no Porto. Não foi a toa que ele carregou a braçadeira de capitão de um grande clube europeu por tanto tempo. E, apesar dos conflitos com o departamento médico e parte da comissão técnica, os quais, aliás, foram os motivos que levaram o Porto a emprestá-lo, saiu de lá com todo carinho e  respeito que um jogador como ele merece. Como um verdadeiro ídolo.

No Morumbi a narrativa não tem sido escrita de outra maneira. Bauza pode ter arrumado o sistema defensivo com sua experiência e marca registrada em ensinar às equipes que comanda boas técnicas de marcação. Mas grande parte da evidente melhora da zaga se deve ao camisa 27. À forma como ele orienta as linhas de fundo formadas por Patón, independentemente da escalação. É só assistir a uma partida com e sem o zagueiro. Por isso, em quatro meses, dá para encher a boca para afirmar: Maicon é uma certeza. E está a uma semifinal e uma final de imortalizar seu nome na história do São Paulo.