Depois de Dunga ter nos “agraciado” com a péssima notícia de que ficaremos sem a cabeça pensante do time por quase um mês, é hora de pensarmos em um substituto para preencher, pelo menos, metade da falta que Ganso fará. Não direi que precisamos de alguém à sua altura, primeiro porque nossas opções são escassas, e segundo porque o meia já mostrou que é, sim, um jogador diferenciado.
Rogério e Lucas Fernandes. Essas foram as opções, a princípio, apontadas por Bauza para assumir a enorme responsabilidade de entrar no lugar do cara que cadencia o meio-campo como ninguém. Ambos mostraram, ao longo das poucas partidas nas quais jogaram, que são atletas de muita personalidade, apesar da diferença de idade e, consequentemente, de experiência entre os dois. No entanto, ambos têm funções diferentes em campo. Rogério, até agora, atuou como ponta. Já Lucas participou como um meia ofensivo, que abastece o ataque armando as jogadas. Algo bem semelhante ao que faz Ganso.
Ano passado fiz um post aqui no São Paulindas defendendo a titularidade do “Neymar do Nordeste” (o qual você pode conferir clicando aqui). Mas a verdade é que nos últimos jogos, Rogério tem se mostrado um pouco fominha. No clássico contra o Palmeiras, por exemplo, isso ficou bastante evidente, e foram dois ótimos lances desperdiçados por conta disso. Parece que ele não gosta muito de passar a bola e quer ser o último a participar da jogada. Nem sempre dá certo. Talvez ele tenha pego confiança demais em seu poder de decisão, já que na maioria dos jogos que ele entrou no segundo tempo, ele mudou o panorama da partida. Isso ficou claro na entrevista após o empate com o Coritiba, em que ele entrou e marcou. “Minha característica é esta: sou habilidoso”, disse o atleta, se autoafirmando. 
A serenidade no olhar de quem marcou o primeiro gol do SPFC no Brasileirão (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)
É por esse motivo que a aposta em Rogério pode ser arriscada. Não é que ele não seja um bom jogador. Muito pelo contrário. É que além de ser um improviso, já que ele costuma jogar no ataque, não dá para ter certeza que ele vai cumprir a função de armador sem querer ser o definidor. Paralelamente a esse problema, temos Lucas Fernandes. Autor do primeiro gol (e que golaço) do São Paulo no Campeonato Brasileiro deste ano, o garoto de 18 anos passa bastante confiança, apesar da pouca idade e de ter atuado poucas vezes na equipe profissional. Aliás, a pouca experiência do jogador foi a justificativa que Bauza usou para ter sacado tanto ele, quanto Rogério, do time titular que enfrentará o Cruzeiro, amanhã, pelo Campeonato Brasileiro.
O técnico argentino resolveu apostar no recém-chegado Ytalo para preencher a vaga de Ganso especificamente nesta sexta rodada da competição. Nem Rogério, nem Lucas Fernandes. Ytalo. Outro que perdeu uma oportunidade e tanto de gol no Choque-Rei, em sua primeira aparição com a camisa tricolor. Porém, diferente dos dois nomes anteriormente citados, Ytalo é um jogador polivalente, e quem acompanhou os jogos do Audax no Campeonato Paulista percebeu isso. Resta saber se ele jogará na frente com Kardec ou vai ficar de fato no lugar de Ganso.
É um pouco difícil compreender algumas convicções de Bauza, eu sei. Mas depois de tudo, dos anos pavorosos pelos quais passamos em 2013 e, principalmente, em 2015, o mérito de estarmos na semifinal da Libertadores e o fato de Ganso ter recuperado sua regularidade e seu futebol de alto nível deve ser atribuído a ele e à sua capacidade de ousar taticamente vez ou outra. Portanto, devemos confiar em seu trabalho. Afinal de contas, essa é a palavra-chave para todo torcedor do clube da fé: confiar. Tem dado certo. E, se Telê quiser, vai continuar dando.