Não vou me limitar em dizer que o São Paulo precisa de jogadores com a mentalidade de Lugano. Com a vontade indomável de vencer e a identificação que o uruguaio tem com o clube. As agremiações brasileiras, no geral, carecem de atletas que tratem o futebol como o camisa 5. Que encarem as derrotas com um olhar de torcedor. Que sintam o que a torcida sente. E que, acima de tudo, vistam a camisa de corpo de alma.

Qualquer pessoa que tem acompanhado as atuações do zagueiro desde sua volta ao Morumbi, no início do ano, tem noção de que o nível técnico e as condições físicas de Lugano não são mais os mesmos. Muito por conta da idade, mas também em função de marcas de lesões do passado que estarão com ele pelo resto de sua carreira. Não há quem não concorde que, às vezes, o jogador deixa a desejar em campo. Mas nada tão absurdo que nos desaponte em relação ao ídolo que é. Até porque todo mundo sabia de suas limitações quando seu retorno foi anunciado, e todo mundo concentrou suas expectativas no papel extra-campo que Lugano poderia exercer.

E quanto a isso ele tem sido espetacular. Inclusive, não só nesse aspecto. Em tudo que diz respeito ao lado humano do futebol. Em um clássico que o time do São Paulo, como de praxe desde o ínicio do ano passado, abaixou a cabeça para o rival, Lugano falhou no lance que deu condição ao segundo gol do Santos. Aliás, sabendo de suas limitações, não era nem para Patón ter colocado o uruguaio como titular no jogo contra um dos times mais “correria” do Brasileirão. Mas, tudo bem. Apesar do erro de marcação, o zagueiro se mostrou indignado com o resultado desfavorável durante os 90 minutos (já que tomamos gol com menos de um minuto de bola rolando). Tanto que foi expulso no fim do segundo tempo.

É válido dizer Lugano manifestava um claro descontentamento enquanto o resto da equipe parecia aceitar aquela condição.Tudo bem que o time está com a cabeça totalmente na Libertadores, e é ótimo que esteja mesmo. Mas era um clássico e, assim como fizemos contra o Palmeiras, precisávamos continuar recuperando a moral que perdemos com os rivais ano passado. Além do mais, não existe pausa para São Paulo se preparar para a semifinal do torneio sul-americano. O Brasileirão acontece paralelamente a ele e nós não podemos bobear.

Não foi só ontem que o uruguaio mostrou que sente como a gente. Que sofre com a derrota. Que ficar em desvantagem no placar, independentemente da relevância do jogo, não é algo indiferente para ele. Portanto, não é certo crucificá-lo por seus erros dentro de campo (que, vamos combinar, são passíveis de compreensão). Lugano é um de nós, e talvez o único assim no meio daquele elenco. Ah, se todos fossem como ele…