Estamos aqui, procurando a atualização do país do futebol (Imagem: RobsonVentura/FolhaPress)
O São Paulo gerou muita desconfiança no início da temporada, além dos placares grotescos, a contratação de estrangeiros gerou dúvidas em toda a torcida, principalmente por não serem os tais medalhões, e sim pequenos destaques individuais, através de seu trabalho. Mas o paulista que ninguém acreditava – e muitos ainda seguem desacreditando –  tem em posições de destaque dois argentinos, que mostram quão perdido o futebol brasileiro está. 
Edgardo Bauza era surpresa, muitos nem sabiam quem ele era quando foi anunciado. Foi subestimado por muitos torcedores e criticado por outros (não me excluo desta). Seu esquema defensivo gera calafrios e tantas vezes dizemos “o Bauza só pode estar louco! ”. Mas esta loucura nos leva mais longe a cada fase. Reestrutura, aos trancos e barranco o time. E nos fez chegar onde estamos. Talvez Patón não seja o louco, mas nós os acostumados apenas com um jeito de jogo. Acostumados com a meia dúzia de treinadores velhos de mercado, que brincam de ciranda entre os grandes. Uma nova forma de pensar futebol nos espanta, gera inconformismo. Mas são estas novidades que estão salvando o esporte. Ou estou errada? Talvez não, quando pensamos em Fernando Diniz e no excelente trabalho realizado no Audax, que nos eliminou do Paulista. Os tantos nomes tarimbados que  acostumados a ouvir pela imprensa brasileira devem sim sentir-se ameaçados. Renovação faz parte de qualquer setor, e novidades sempre enchem os olhos. 
Calleri, que poucos conheciam (exceto um cara que desconhecia e depois passou a conhecer) apresenta a mesma novidade que Bauza, mas uma novidade antiga, um centroavante exercendo sua função. Artilheiro da Libertadores, Calleri é aquele cara que faltava. É forte, briga pela bola e incomoda dentro da área. Sabe jogar, confia em si e chuta a bola para o gol, sem medo. Assim como os treinadores, o encanto com Calleri mostra a deficiência de nosso futebol. Temos sim gente boa por ai, Gabigol e Guerrero são exemplos de centroavantes que funcionam com a bola, mas falta a briga, falta incomodar a defesa adversária. 
O São Paulo não é o melhor time brasileiro, pelo contrário. Duas andorinhas não fazem verão. Mas entender que estas peças deixam o futebol muito melhor e que, contrariando as expectativas, estão salvando quem para muitos estava morto, nos faz refletir sobre a decadência do futebol brasileiro. Um esporte que não se renova e serve apenas de vitrine para o exterior.
Por: Ana Claudia Marioto
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