As coisas na vida poderiam ser mais simples, humanos poderiam respeitar mais uns aos outros. Infelizmente, existem algumas situações do dia a dia nos deixam pensativas e desacreditadas, e dessa vez foi na entrada de um estádio de futebol.

Não vejo sentido no nível de sem educação de pessoas que se acham ESPETACULARES e EXCLUSIVAS e MELHORES que outras pessoas, por isso esse texto.

Como de costume, vou ao estádio sempre com meu namorado, meus amigos e familiares. E ontem não foi diferente. Assim como terça no jogo contra o Trujillanos, eu fiz praticamente o mesmo trajeto até a arquibancada. Claro que ontem, com público maior e uma multidão ansiosa pelo jogo. E foi assim, quando passei pelo portão de entrada da Arquibancada Laranja combinei com meu namorado de ir na frente dele para a revista, que SEMPRE foi feita por POLICIAIS MULHERES, sendo uma rotina normal e depois encontro ele na catraca de entrada.

Equipe São Paulindas no Morumbi 

Pois bem, ontem tinha uma tia e uma prima comigo. Segurei na mão delas e fui pedindo licença para que chegasse até a revista feminina. É claro que tem pessoas que fazem gracinhas, ignoro e quando não existem desrespeito o jeito passar sem problema algum. Mas pra minha surpresa, dei de cara com um grupo de moleques (de idade de uns 20 e poucos anos) que começaram a argumentar comigo o por que queria passar. Com minha calma e EDUCAÇÃO, falei que a revista feminina era mais à frente, por isso queria passar. Um deles argumentou “- É lá do outro lado, moça ninguém passa aqui” em tom de ironia, como se eu desistisse de passar por aquele caminho. Eu retruquei com toda minha inocência e calma  “- Não moço, hoje o estádio tá lotado, tem policial mulher aqui também, tá la na frente” ele ainda irônico e dando risada sarcástica  “- Ah é? Desculpa aí! ” respirei fundo e pedi licença para outras pessoas que me deixaram passar até um certo ponto.

Entre esbarrões e pedidos de licença, dois senhores (de uns 40 e poucos anos), fecharam minha passagem e começaram a reclamar. Um até falava em tom alto, bufando “- Me poupe! Que folgada! Era só o que me faltava!” como se eu ficasse ofendida com a argumentação dele. E eu, de novo, CALMA expliquei que a revista feminina era feita mais à frente por isso queria passar. Ele impediu a passagem e ficou resmungando com o colega do lado. Nesse tempo, outras mulheres já seguiam atrás de mim. Simplesmente parei, irritada já em ver aquilo acontecendo e esperei.

Depois de esperar, ali, aguentando o “tiozão” estressadinho, um POLICIAL HOMEM pediu para que deixassem as mulheres passassem para serem revistadas e SÓ ASSIM, os valentões que argumentaram comigo, deram espaço.

Por que estou retratando isso aqui? Pela minha indignação com a IGNORÂNCIA de alguns “machões” achando que por ser MULHER queria “cortar fila”. Pela indignação de ver quem ainda somos minoria nos estádios e que ainda tem gente que nos trata como se fossemos INFERIORES a eles. – e eu só queria ser revistada, gente!.

Eu nunca tive esse problema seguindo pela Arquibancada Laranja, onde muitos reclamam pois é onde as organizadas se instalam. Mas fiquem sabendo, por esses mesmos caras de organizadas, EU NUNCA FUI tratada como inferior.

Um recado para os São Paulinos “machões” (torcedores de sofá) do jogo de ontem: Vocês NÃO ME REPRESENTAM! E não representam NENHUMA TORCEDORA SÃO PAULINA.

Se ontem vocês estavam desacompanhados, eu entendi. Pelo simples fato da FALTA DE EDUCAÇÃO de vocês. Hoje eu agradeço pelo namorado e família que tenho. Eles sim, me fazem de companhia agradável e me tratam com respeito e igualdade.

Por: Carolina Sbrici
@carolisbrici