Para fechar o especial Semana da Mulher, conversei com um grupo eclético de mulheres que se reúnem às sextas-feiras, na hora do almoço (!), pra bater uma bolinha!

Conheça o Só Que Não Futsal

Há alguns anos, a hora do almoço de sexta-feira de um grupo de mulheres no centro de São Paulo, tem um ar diferente. Pontualmente ao meio-dia, elas invadem a quadra do clube com suas volumosas bolsas, trocam de roupa e a mágica começa!

E por uma hora, lá vão as moças. Elas se exercitam, se divertem, celebram a saúde, a amizade e a vida chutando uma bola.

Administradoras, psicólogas, jornalistas, advogadas, mestres, doutoras, financistas, futuras enfermeiras. Casadas, solteiras e enroladas. Um dia sonharam ser jogadoras ou não nunca tinham jogado antes. Mamães, futuras mamães ou não. As que jogam desde crianças ou as que começaram agora. As novinhas e a velha guarda. Habilidosas, ligeiras, jeitosas e as querem aprender tudo isso. Algumas são clubistas, torcedoras e frequentam estádios. Outras nem mesmo torcem por um time e as que gostam de ver jogos da seleção e olimpíadas.

É um time de futebol feminino. Só que não!

Só que não, não é o lema… É o nome do time. Porque para elas o que importa mesmo é fugir da rotina, desestressar, sorrir, bater um papo com azamigas. 

Poderia ser um grupo de Yoga? Poderia ser um clube do livro? Poderia ser uma reunião da Mary Kay?

Poderia. Mas é futebol! Este bichinho que pega e não sai nunca mais do corpo.

“Percebemos que o SQN é muito mais que competição… É diversão. É uma oportunidade de fugir dessa nossa rotina estressante”, contou Andreza, 32, psicóloga e boleira desde criança.

“O que me afastou do futebol na adolescência foram os estereótipos relacionados a garotas que jogavam futebol. Quando me deparei com mulheres, adultas, na sua maioria mães como eu e jogando pelo prazer, me encontrei novamente,” relatou Luciana Nunes, 30, que joga também em outro time, o Meninas de Ouro.

“Entendo que o assunto tem uma função social muito importante. Pra mim, futebol é coisa de meninas e meninos! Futebol é pra todos!”, enfatizou Luciana Marcondes, 35, mãe de duas meninas.

“Em casa é quase uma torcida organizada: tem camisa, bandeira, churrasco, cerveja quando assistimos aos jogos pela TV”, contou Celinha, 53, mestre e doutora em Educação.

“Nós fizemos mais que um grupo que treina junto, somos um grupo de amigos. Somos muito felizes com o que fazemos,” declara Marcela Barboza, 31, capitã do time.

“Meu esporte era o vôlei. Depois de um linfoma, fiquei com sequelas no braço esquerdo e ai tive que esquecer o vôlei. Com as meninas do setor financeiro, inventamos de bater uma bola e dar umas boas risadas. Espero ansiosamente às sextas e quando chego em casa meus moleques querem saber tudo sobre o treino, se fiz gol!”, revelou Rafaela.

“Não é fácil conciliar trabalho, faculdade e jogo, mas vale sacrifício”, confidenciou Camila Silvino, 34, estudante de enfermagem.

“Quando achei que nunca mais teria o prazer de praticar um esporte, conheci o SQN. No início era perder os quilinhos a mais depois da maternidade, mas ganhei um amor que não tem tamanho”, Suyane, 32 anos e mãe do Nathan de 1 ano e 8 meses. 

Ao lado da quadra, um colega de trabalho orienta os exercícios, o posicionamento e tática. Genildo fala da experiência de dirigir as meninas:

“Treinar um time feminino é tão prazeroso e desafiador quanto um time masculino. Elas têm a mesma capacidade de te decepcionar e te surpreender como qualquer outro time. Mas a dedicação e a clara evolução dentro da quadra torna essa tarefa realmente recompensadora. Me enche de orgulho poder fazer parte da evolução de cada uma das jogadoras. É animador vê-las fazer uma condução de bola, um chute colocado, uma triangulação. Mas o mais gratificante é ver que elas jogam não pra serem campeãs e sim pra fazer um bom jogo. Eu adoro esse time!”

Uns dizem que o futebol é paixão nacional, mas outros dizem que é esporte para homens. 

Só que 52% da população brasileira são mulheres – dado do IBGE. 

Portanto, para ostentar a alcunha de país do futebol precisarão contar com esta significativa porcentagem da população.

Agradeço imensamente pelos depoimentos emocionados e emocionantes de:
Andreza Matsumoto, Camila Geórgia, Camila Silvino, Celinha, Marcela Barboza, Marcela Cabral, Suyane, Shirley Freitas, Pedrina Rosa, Luciana Nunes, Luciana Marcondes.

Por Rob Santana