Nossas campeãs, de 1997. Cleo, Formiga e Sissi são destaques (Foto: SPFCPédia
Não poderia começar um texto na semana da mulher e no Dia Internacional da Mulher sem desejar que todas nós tenhamos, o mais rápido possível, todo o respeito que merecemos, todos os direitos que são nossos e toda a igualdade merecida. Que você mulher que não quer ficar em casa, que bebe cerveja, que não quer ter filhos, montar uma família tradicional ou acordar todo dia olhando pra cara do mesmo homem seja eternamente respeitada e feliz. Mas que você, que adora fazer as tarefas de casa, enquanto o marido está no trabalho e as crianças estão na escola, e não vê isso como problema ou indício de submissão, que tenha o eterno respeito e carinho da sociedade. Mulheres devem ser amadas, respeitadas e valorizadas.
E com muita felicidade, digo que nosso clube sempre foi um lugar em que as mulheres puderam sentir-se em casa. Muitos acreditam que a história do futebol feminino no SPFC começou e afundou ano passado, mas há muito mais a ser descoberto. Há muito do que se orgulhar!
Tradição gloriosa
O São Paulo manteve durante anos uma equipe feminina de futebol, colecionando boas partidas, grandes nomes e vitórias. Mas seu auge foi no ano de 1997, formado por grandes atletas, como Andréia Suntaque, Sissi, Formiga e Kátia. O elenco foi campeão do 1º Campeonato Paulista de Futebol Feminino, também conhecido como Paulistana. As são paulinas formavam um time de estrelas, que não deixavam o adversário se quer sonhar com uma vitória, fechando placares como 21×0 e 15×1. 
Além da habilidade indiscutível das jogadoras, a estrutura oferecida à elas também dispensava comparações “Comecei no Saad Sport Clube, onde permaneci até 1997. Com a fusão desse time com o São Paulo, defendi o Tricolor até 2000. Por mais que falem das Sereias da Vila, do time do Santos, estrutura igual a que o São Paulo proporcionava para as meninas não existiu ainda no Brasil. Os funcionários e as atletas eram todos registrados e utilizávamos a mesma estrutura da equipe masculina”, conta a ex-jogadora, técnica e primeira mulher na CBF, Emily Lima.
Por questões de marketing e verba, em 2001, a modalidade deixou de existir. O CT Guarapiranga, que era casa das meninas, tornou-se local de testes e eventos da base tricolor. Deixando saudade aos amantes do futebol feminino e tristeza para as garotas que tinham o SPFC como uma das poucas equipes que realmente reconheciam e valorizavam o seu esporte.
Nossas guerreiras de 2015, antes da última partida contra o São José (Foto: Igor Amorim/ saopaulofc.net)
Renascimento das cinzas
Depois de 14 anos inoperante, no inicío do ano passado o São Paulo reestreou a sua equipe feminina. O time veio estruturado com grandes nomes nacionais, atletas atuantes no futebol estrangeiro e algumas atletas internacionais. Entre tantos motivos, a promessa era servir de exemplo no desenvolvimento das categorias de base femininas do país. A equipe voltou com apoio de patrocinadores e da Prefeitura de Barueri, cidade que oferecia infraestrutura para realização de treinamentos e jogos.
Assim como na década de 90, as atletas valorizavam o time justamente pela estrutura e o carinho oferecido a elas – para os que ainda vivem no sonho encantado do futebol masculino principal, modalidades “secundárias” (como o feminino, da série B para baixo, campeonatos do interior e outros esportes) mal oferecem uniformes para seus atletas. Os desportistas que sonham em viver da atividade precisam bancar calçados, alimentação e condução. Por isso, um time como o São Paulo FC, que oferece moradia, uniforme, chuteiras, roupas de treino, transporte e alimentação é o sonho de atletas.
Infelizmente o sonho durou apenas uma temporada. No dia 06 de setembro de 2009 a equipe feminina do São Paulo entrou em campo pela última vez, e sagrou-se vice-campeã paulista. As garotas honraram o manto tricolor durante os meses que lhes foram propostos. Infelizmente a equipe cessou mais uma vez, mas a esperança de um futebol feminino digno não acabará nunca. Quem sabe, daqui alguns anos não nos reencontremos para falar novamente que o time feminino está atuando muito melhor que o masculino?
Nós São Paulindas (Ana Claudia Marioto, Andréia Gomes, Carolina Sbrici, Nathalia Perez, Roberta Nina Cardoso e Roberta Santana) apoiamos, valorizamos e torcemos pelo futebol feminino e pelas mulheres. Nós não aceitamos nenhum tipo de descriminação ou preconceito. Nós escrevemos e propagamos amor ao São Paulo não porque queremos nos aparecer ou nos aproximar de homens. Nós não falamos de esporte tão bem quanto homens. Em nossas vidas homens e mulheres são iguais, e nenhum dos dois é parâmetro de competência em atividades. 
Até breve, meninas. Feliz nosso dia. Força, pois ainda teremos que queimar muitos “sutiãs”.
Por: Ana Claudia Marioto
@aclaudiamarioto
@spfc1935