O torcedor são paulino, há anos, só consegue reagir como o Ganso (Foto: Mauro Horita / L! Press)
Não quero tratar como crise ou como o final do mundo, porque não é. Claro que moralmente não é bom para ninguém – torcedores, atletas, treinadores, dirigentes – a fase que o São Paulo enfrenta, mas colocar isso como um empecilho para crescer também não é a solução.
Nos últimos anos estamos passando constantemente por situações problemáticas. Briga pra não cair, clássicos vergonhosos, classificações pífias, jogadores falando asneira, dirigentes mais ainda e uma roubalheira. Deveríamos quase estar acostumados, mas não – ainda bem, porque acostumar-se com corrupção não é bom (vide o país).
Além de nós torcedores, apaixonados pelo clube, outra galerinha que ainda não assimilou nada sobre estes momentos são nossos dirigentes. Ano após ano os mesmos problemas, as mesmas situações e os mesmos erros sendo cometidos consecutivamente. 
O São Paulo precisa olhar pro lado e entender que não é empatando em Libertadores que conseguiremos chegar em algum lugar. Temos que crescer e reconquistar torcedores aos poucos. Por que o Corinthians na segunda divisão levava mais gente ao estádio do que o São Paulo na Libertadores? Porque existe proximidade, porque o torcedor se sente parte do clube que torce. “Ah, mas o ingresso é muito caro”, você já viu quanto custa o ingresso na Allianz Arena e ela está sempre lotada? Isso se chama ação de marketing. 
Muito legal o sócio torcedor receber um vídeo do Lugano malhando e falando em primeira mão que está voltando. Mas isso não deve ter feito muitas pessoas aderirem ao plano. Ação de marketing é oferecer benefícios verdadeiramente destinados a quem ama futebol, e não moedas na compra de eletrodomésticos da loja x.
Torcedor quer ver jogo, quer camisa oficial, quer ter alegria. Alegria que devemos também ter como base os rivais. Ganhar o Paulista não é vergonha, é glória, é melhor do que nada. É neste primeiro semestre que acontece o laboratório para a base, coisa ridiculamente aproveitada por nossa comissão técnica. E este não é um defeito de treinador a ou b, é problema de todos. É aquela mania de esquecer os meninos e depois querer que eles sejam pedestais, quando a corda já está no pescoço.
A violência dos últimos jogos também deve ser banida, esculachada e desvinculada do clube. Torcida organizada anima, canta, faz parte do espetáculo, mas não deve ser um setor do clube. Quer ingresso? O Morumbi fica na Praça Roberto Gomes Pedrosa, nº 1, e as bilheterias funcionam das 10h às 17h. Longe e você trabalha? O site Total Acesso oferece as mesmas entradas.
É lamentável ouvir colegas contando que foram coagidos por policiais, e nem sabiam o que estava acontecendo. Outros falando sobre as mães com crianças que viram tentar voltar ao estádio para que seus filhos não inalassem gás de pimenta. Alguns contando que deram volta no estádio para fugir da baderna. E sabe o que vai acontecer? Quem realmente causou o desconforto está na Venezuela “apoiando o time”.
É lamentável a situação do clube, a cobrança deve sim existir, mas que ela aconteça dentro dos limites legais, sem agressões e depredação a patrimônios de terceiros. Será que não é hora de nós também cortarmos as regalias das torcidas organizadas?
Nós já fomos sim exemplo de administração, futebol e competência. Hoje isso não passa de passado, e não há erro nenhum em aprender com quem já esteve na mesma situação. 

Por: Ana Claudia Marioto
@aclaudiamarioto
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