Sim, este é um textão. Prepare-se

Hoje é dia de contar história. História que muitos falam que é mimimi, mas que na verdade é uma luta contra seres de cabeça pequena que não conseguem compreender o mundo globalizado em que vivem. 
Tudo começou quando o Clube Atlético Mineiro resolveu apresentar seu novo uniforme utilizando modelos seminuas. E ai o mundo quis saber: COM QUAL INTUITO? Se uma de nós mulheres, amantes do futebol, de qualquer idade e torcedoras de qualquer time formos jogar uma pelada com as amigas, vestiremos apenas calcinha fio dental e camisa? Não, pelo menos não no futebol que eu conheço.
Indo um pouco mais longe, mas não fora da realidade, os jogadores do galo estão atuando de cueca e camisa na temporada 2016? Até onde eu vi, não. A Dryworld não fabrica shorts e teremos outro evento, de outro fornecedor de material esportivo, onde será utilizada apenas a parte de baixo do vestuário? Err, nops. Os homens que apresentaram a camisa estavam só com a camisa? NÃO!

Então a interrogação aumentou ainda mais. E ao redor de todo esse Brasilzão de Deus as pessoas tentavam entender: por que, em pleno 2016, com o feminismo e a igualdade de direitos pairando pelo ar, uma empresa com o tamanho do Atlético Mineiro, um dos maiores clubes do Brasil, teve a capacidade de achar que esta seria uma boa ideia? Ninguém soube explicar.
Ai, quando achamos que já estava no funcho do poço. Sem oportunidade de ficar pior. Surge o seguinte post:

O excelentíssimo senhor, autor deste post, é o carioca Ricardo Perrone, prestes a fazer 40 anos, “bem conceituado” no mundo da bola, e autor de um livro de crônicas futebolísticas, sobre a Copa do Mundo de 2014. 
E contrariando todas as expectativas que se tem em um jornalista, onde acredita-se que o cara vai defender o JUSTO, o CERTO. Ele dispara a ideia de que o Atlético fez a coisa certa, porque o público alvo do futebol são homens. OI? Como se não bastasse, Rica Perrone tirou print do perfil DOS SEUS SEGUIDORES, e chamou de DÉBIL MENTAL quem não concordou com a posição dele. Tiro este espaço para explicar para este senhor que o perfil de seguidores dele não é a mesma coisa que o público-alvo futebolístico. 
Estes caras, do Rio e de São Paulo, de 18 a 35 anos, são apenas – em grande maioria – infelizes como você que não entendem quão ENORME é a presença feminina em TODOS OS ESPORTES. E que não, essa não foi uma ação de marketing bem sucedida. Assim como colocar cuecas em mulheres ou deixá-las voando em páginas também não será.
Senhor Rica Perrone, espero que chegue a ler isso, de verdade, porque quero muito que saiba que este site está prestes a completar 7 (SETE) anos graças a diversas mulheres que entregam semanalmente uma parcela de seu tempo para produzir conteúdo. Estas mesmas mulheres acompanham E AMAM futebol. E quando eu falo futebol não estou falandode jogadores bonitos, bundas e coxas e nem apenas de São Paulo FC. Estou falando de mulheres que acompanham os times brasileiros, que acompanham times estrangeiros, que acompanham categorias de base, que entendem do mercado da bola e que APOIAM O FUTEBOL FEMININO. Aproveitando, o que você sabe sobre o futebol feminino?
Muito pouco ou nada, correto? E não, não é chato e muito menos fraco. É que o futebol feminino não foi feito para pessoas de pequena mentalidade O público-alvo é outro, o interesse são xs verdadeirxs interessadxs no esporte. Para quem ama esporte não interessa se nasceu homem ou mulher, o tamanho da bunda, da coxa e a idade, o esporte foi feito para TODXS. E o futebol-feminino prega isso. Se quiser tenho boas leituras e vídeos para lhe indicar. 
Eu, que estou em meu quarto ano de graduação em Comunicação Social, com ênfase em Jornalismo, assim como o senhor fez há alguns anos, já entendi que o papel do jornalista, não é propagar essas coisas pequenas, absurdas e inaceitáveis. O papel do jornalista é fazer um mundo melhor, uma sociedade melhor e FORA DO SENSO COMUM, que é esta ideia de que o futebol é feito para os homens.
Senhor Rica Perrone, com todo o respeito, já que tenho idade para ser tua filha, pega o conselho da colega de profissão, mais jovem e habituada a esta história de internet: PARA! O mundo não suporta mais gente com esse pensamento pequeno e preconceituoso, como o seu. Traduzindo para o seu idioma: o mundo está chato, e se você continuar assim, ao invés de te conhecerem como Rica Perrone, você será tratado como Bolsonaro do Futebol. 
NiNguém aqui pede o seu apoio ao futebol feminino, pois ele já é ENORME sem você. Ninguém está pedindo para você postar um texto de repulsa à atitude do Galo, até porque odiamos hipocrisia, tanto quanto odiamos preconceito. Queremos apenas RESPEITO, não só do senhor, mas de todos preconceituosos e dos que transformam mulher em objeto.
Amigxs, aos que desejarem um livro de crônicas, realmente bom, sobre a Copa do Mundo de 2014, indico “Memórias de uma Copa no Brasil”, do professor e jornalista Chico Bicudo. 
E team Rica Perrone, abaixo uma lista de sites que mostram o tamanho da participação da mulher no futebol, sem bundas, peitos, musas e beleza, caso não consigam ver a participação feminina nos estádios:
Por: Ana Claudia Marioto
@aclaudiamarioto
@spfc1935