Torcida são-paulina realizando uma linda e pacífica na recepção do Kaka (Foto: Ana Claudia Marioto/SPFC1935)
Lamentável seria uma boa palavra, segundo algumas pessoas. Desprezível, alguns julgariam. Eu apenas encontro a palavra triste para descrever o que aconteceu no jogo da equipe sub-20, em Mogi das Cruzes.
Triste porque por motivos desconhecidos tiraram o jogo do local qe ele estava fluindo bem e colocaram em outro que nitidamente não comportaria a torcida. Triste por ver a imagem de crianças chorando desesperadas. Triste por deixar o jogo rolando enquanto algumas pessoas tentavam quebrar alambrados, colocando a vida de todos que ali estavam, inclusive dos jogadores. Triste pela falta de preparo da polícia que simplesmente jogou bombas e gás e, em nenhum momento, pensou nos inocentes que estavam ali.
Garoto assustado, durante a confusão de domingo, na
tribuna de imprensa
(Foto: Reprodução/Twitter Chico Garcia)
Triste, pois, várias crianças iam pela primeira vez ao estádio, para conhecerem a magia do futebol, em “mais calmo”, segundo o consciente popular. E o que receberam em troca? Como diria a pensadora contemporânea: “tiro, porrada e bomba”. Sofrimentos oriundos da falta de escrúpulos de algumas dezenas de pessoas más intencionadas. Pessoas estas que não se preocupam com os efeitos de suas atitudes, mas em estar em destaque. Mesmo que o seu destaque interfira no que dizem amar mais: o São Paulo FC. Pessoas que não se descolam quilômetros para apoiar, mas para fazer zona. Pessoas que não contente em tirar ingressos de quem queria fazer festa, ainda acabam com todas as chances de existir uma. 
Antes de me ser concedido o atestado de hater das organizadas, digo que não. Não sou contra as torcidas organizadas. Não acredito que elas são formadas por “bandidos, drogados, sustentados pelo clube”, até porque conheço torcedores de organizada que têm família, que trabalham e que repudiam este tipo de atitude, DA MINORIA QUE SE DESTACA. Até acho que eles fazem uma festa bonita, animam e tiram o espírito de velório que toma conta do restante do estádio.
E aqui, me dou ao direito de falar sobre um outro tipo de torcedor: aquele da camisa oficial bonitona, que fala mal das organizadas. Ele seria o exemplo? Brado forte que não. Não, porque quem já foi em estádio sabe como é chato o indivíduo que passa a partida toda reclamando, falando mal de jogador, chamando de pipoqueiro, cornetando todos os passes possíveis e impossíveis, que não canta, que não apoia e que quando sai um gol se preocupa mais em mandar um “chupa, sei lá quem”, (que sinto em dizer, mas eles não estão nem ai pro seu berro), do que em vibrar pelo time. Esse mesmo digníssimo indivíduo é o que canta “O campeão voltou”, que grita “gol” antes de baterem o pênalti, que sai antes do jogo terminar pra não pegar a “muvuca” e que pede raça mesmo quando os jogadores estão mortos.
Está tudo errado, está tudo chato. Ir ao estádio transformou-se em uma missão, de ter que analisar o melhor horário para não cruzar com a galera que marcou briga. Temos que nos comportar pra não levar um enquadro no caminho por que, se você canta, está agindo como um marginal”, quem vai de carro ainda é extorquido por uma vaga NA RUA. E ao chegar lá ou você fica no teste de paciência com os tios cornetas, ou tem que ser tratado como bandido, por estar no meio das organizadas. Isso sem contar o plus oferecido às mulheres de “êêê gostosa”, “marca um gol em mim”, e tantas outras frases nojentas, e os maravilhosos olhares de burra – porque mulher não entende de futebol – ou lésbica – porque só essas gostam de futebol.
Desabafei, mas do que “jornalistei” por um simples motivo: PAREM. Parem porque vocês não estão ajudando o clube, porque brigas e cornetagem não faz seu time subir posições e muito menos ganhar títulos. Se fulano ou ciclano é ruim apoia, grita, berra, incentiva o rapaz a virar homem. Sinto em contar, mas esmurrar o carro dele ou pichar o CT só deixarão a relação de ódio mais consolidada. 
O ingresso caro afasta os torcedores, mas torcedor pé no saco afasta muito mais.
Por: Ana Claudia Marioto