A foto do pequeno Aylan al-Kurdi morto em uma praia da Turquia abalou as redes sociais e é a maior representação do drama vivido pelos refugiados sírios. Há cinco anos uma guerra civil perdura na Síria e obriga pessoas que não compactuam com a ideologia política imposta pelo governo, ou não são adeptas ao islamismo sunita, a fugirem do país em que vivem e buscarem abrigo em outros lugares. 

Diante deste cenário conflituoso e trágico, as garotas sírias que vivem em Za’atari, campo de refugiados localizado no norte da Jordânia, encontram sua paz no futebol. A prática do esporte entre os refugiados da comunidade é um projeto de Ali Bin al-Hussein, príncipe jordaniano que concorreu à presidência da FIFA e se assume um ferrenho entusiasta de futebol feminino. Ao lado da meio-campista da seleção feminina da Jordânia, Abeer Rantisi, e com parceria da UEFA, o príncipe comanda o programa que tem o intuito de fazer com que os traumas das refugiadas sejam superados e o futebol se torne um símbolo de resistência e uma nova perspectiva de vida para elas. 
Foto: Jordan FA
Além de devolvê-las o sorriso “roubado” pelos governantes sírios e curar as feridas psicológicas dessas meninas, o projeto visa difundir a prática do futebol entre as mulheres do Oriente Médio, já que a maior parte das refugiadas, quando perguntadas sobre o esporte, afirmou que sequer sabiam de sua existência.
Em julho, a Fox Sports norte-americana lançou um documentário excelente chamado A Beautiful Game (em português: Um Jogo Bonito), narrado pela atriz iraniana Nazanin Boniadi. O filme de pouco menos de 12 minutos mostra justamente as dificuldades que as garotas de Za’atari enfrentam para poderem jogar bola e expulsarem a tristeza de dentro de si mesmas. O vídeo mostra imagem de treinos e, por cima, da final do campeonato entre as meninas do campo de refugiados. Confira abaixo:

Não é novidade para ninguém que o futebol une as pessoas e aproxima as culturas. O que algumas pessoas ainda não entendem é que ele é muito mais do que um esporte, e que está, sim, intimamente ligado com questões políticas e sociais. Essas garotas e a história delas com o campo e a bola comprovam que o futebol é tão incrível que pode servir como um remédio para aqueles que vivem no limite.
Fontes consultadas: Trivela, Uol e The UN Refugee Agency
Siga no Twitter: @nathaliaperez e @SPFC1935