No último domingo (06/09) a equipe de futebol feminino do São Paulo FC entrou em campo pela última vez no estádio Martins Pereira, em São José dos Campos. Após empate por 1×1 contra o São José, no estádio Nicolau Alayon em São Paulo, a equipe tricolor precisava ganhar da equipe do interior para sagrar-se campeã paulista. Mas o domingo não foi nada feliz para o time visitante e nem para nós da torcida que vimos uma equipe bem diferente daquela que fez uma ótima campanha durante todo o torneio.

O São Paulo foi goleado por 6×1 pelo São José. Nem o mais otimista poderia esperar um placar tão elástico como esse, mas a verdade é a equipe joseense entrou com um estilo de jogo muito definido: defender muito bem e armar bons contra-ataques e a tática da treinadora Emily Lima deu muito certo. Aos 35 minutos, a partida já estava 3×0 para o São José que precisava apenas de um empate para erguer a taça. Nagila ainda diminuiu pro tricolor, de cabeça, após cobrança de escanteio, mas era nítido que as jogadoras do São Paulo estavam bem desconcentradas e mal conseguiam trocar passes e armar jogadas.

No intervalo do jogo, a torcida seguiu confiante e apoiando o clube. A arquibancada estava repleta de bandeiras e faixas pedindo para que o futebol feminino do clube não acabasse. Entre os presentes, familiares das jogadoras se manifestavam apoiando as jogadoras e torcendo muito para que o placar mudasse. Ledo engano. O que estava difícil ficou pior. O São José não tirou o pé e marcou mais três gols na equipe da capital. Conclusão: um doloroso e triste vice-campeonato para as guerreiras que lutaram por seis meses contra os adversários dentro e fora do campo. Atrasos de salário, perda de jogadoras e o fim do apoio à modalidade selaram a participação do São Paulo no futebol feminino.

As meninas estavam muito tristes, algumas se abraçavam e choravam juntas. Mesmo após a derrota, elas deram as mãos e se dirigiram à torcida. Nos saudaram e agradeceram nosso apoio. Levaram a taça para que pudéssemos aplaudi-las e nos premiaram com camisas, calções e meiões como forma de agradecimento. A troca foi mútua, afinal, nós também somos gratos por tudo que elas nos proporcionaram nesses poucos meses.

Time de guerreiras e a torcida que apoiou até o fim!

Em entrevista ao site oficial do clube, o treinador do São Paulo Marcelo Frigerio declarou: “Única coisa que lamento, é o placar elástico. Não pude contar com as minhas duas zagueiras titulares e tínhamos que tomar a atitude por precisar da vitória, tentei mexer no time, mas não deu. Vamos sair de cabeça erguida. A torcida do São Paulo compareceu e está vibrando, por tudo que fizemos em toda competição. Essas meninas valem ouro”

Muitos acreditam que seria mais justo ver o São Paulo levando esse título pra casa por todas as dificuldades que enfrentaram, mas eu tenho lá minhas ressalvas. Não podemos deixar de reconhecer a campanha realizada pelo São José, que mesmo precisando de um empate, foi pra cima pro adversário e o goleou. O trabalho da técnica Emily Lima – a única treinadora mulher do torneio e a primeira mulher campeã paulista – também merece aplausos. Emily é ex-jogadora de futebol e é uma profissional muito competente, que se atualiza, estuda e se prepara dentro da profissão. Já quebrou barreiras ao chegar na CBF e comandar as seleções sub-15 e 17 feminina. É uma mulher de fibra e que merece todo nosso reconhecimento, juntamente com sua comissão técnica.
Além das atletas, é claro, que conduziram o time e mostraram bom futebol durante grande parte do campeonato.

[Veja o vídeo com gols da partida e entrevistas]

Se existe justiça no futebol, ela foi feita e premiou o clube que apoia, investe, divulga e luta pelo crescimento do futebol feminino. A equipe joseense tem tradição na modalidade, paga suas jogadoras em dia e a resposta veio com o título. Parabéns ao São José, tricampeão paulista e atual campeão do mundo.

Para as atletas que defenderam o São Paulo nesses meses, fica o nosso eterno agradecimento por terem honrado o manto tricolor, apesar de tudo que passaram. Se o clube irá fazer algo por elas, já não importa mais. Elas deram o melhor de si e seguiram em frente. E não poderia ser diferente pra quem nasce mulher, precisando vencer tabus, preconceitos e se superar todos os dias.
O título era muito importante, mas seria mais um ali, exposto no museu do clube. O brio e o exemplo de vocês já ficou gravado na história, pra sempre. Valeu, guerreiras!

São Paulo, vice campeão paulista feminino.

* Em tempo: A equipe feminina do São Paulo garantiu vaga na Copa do Brasil em 2016. Para participar, é preciso que o time confirme sua participação no torneio e siga com o projeto. Em entrevistas recentes, o presidente do clube tricolor, Carlos Miguel Aidar, revelou que deseja seguir com o futebol feminino, desde que tenha um patrocinador/parceiro para manter os custos do time.


Créditos fotográficos: São Paulindas/Divulgação e Igor Amorim/SPFC Oficial

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