Foto: Site Oficial

“Carlos tem 43 anos, não tem renda fixa, trabalha fazendo “bicos” de motoboy, recebe cerca de um salario mínimo, uma média de R$ 780,00 reais. Carlos casou-se com Joana, hoje dona de casa, onde ajuda com as tarefas domésticas e com os dois filhos, Pedro de 8 anos e Maria Clara de 15. Carlos sempre declarou ser são paulino e seguiu adiante com respeito para os filhos, assim como Joana que levou como herança o amor que  seu bisavô teve pelo São Paulo.

Carlos já foi sócio torcedor, hoje por não ter uma renda fixa, optou por não participar do programa por um tempo. Porém, a vontade de ver o São Paulo de perto, faz com que economize seu rico e suado dinheiro para levar a família para o estádio.

Assim então, Carlos calcula o preço das entradas: 30 reais para ele e para esposa na arquibancada, somando total de 60 reais, mais a soma de duas “meia-entrada” dos dois filhos, ambos estudantes da escola estadual perto do seu bairro, na Zona Leste de São Paulo. Sendo assim, um total de 90 reais em ingressos.

Carlos não poderia esquecer do meio de transporte para chegar até o seu glorioso Morumbi, onde ainda se chega apenas de ônibus ou carro. Carlos então, calcula cerca de 30 reais para sua família ir e voltar de transporte público. E então, a soma de 120 reais já se encontra na ponta do lápis de Carlos. Ele sabe que qualquer imprevisto é valido, sendo que qualquer 10 reais são gastos em uma água, cerveja ou refrigerante em menos de cinco minutos.

Carlos então, compra os ingressos, anuncia com sorriso no rosto para toda família que naquele dia todos irão para o Morumbi.”

Pois bem, essa história apesar de fictícia, hoje é a realidade de muitos brasileiros e inclusive de muitos são paulinos. Nesse lazer de acompanhar seu time do coração e fazer a família feliz, Carlos, nosso personagem, gastou em média o total de 130 reais, da maneira mais simplificada possível, sem muito luxo, mais com muita vontade de ver seu time jogar.

Carlos então chega no Morumbi e vê seu time apático, seu filho chorando por quê vê seu time perdendo, sua filha cabisbaixa olhando um torcedor exaltado xingando um jogador e sua mulher achando aquilo inacreditável…

São coisas que só os apaixonados por futebol sabem sentir ao ver seu time perder em casa, mais só os que lutaram e suaram para conseguir um dinheiro e bancar toda a família para ir ao estádio sabe o quão triste é assistir um time sem vontade, onde os cifrões da conta dos jogadores nem se quer se comparam com aquele “bico” que fez trabalhar das 18h as 4h da madrugada de segunda a domingo.

Carlos então se levanta, chama seus filhos e a esposa e sai do estádio, antes mesmo de terminar a partida. Ainda, ali nas proximidades, tira uma foto com família com o Morumbi ao fundo.

Quando finalmente chega em casa, coloca sua cabeça no travesseiro e sem entender o que se passou naquela derrota, liga seu rádio, alíviado com sua missão de pai, tranquilo, sabe que o respeito é dado para aqueles que respeitam seus maiores valores, ele, torcedor, pai de família repeitou até o último momento o seu clube e sua família, mais não aguentou com a falta de vontade de onze jogadores em campo, diferente de outras derrotas que já assistiu mais percebeu a luta por outro resultado.

Fechou os olhos e sonolento ouvia o grande sambista Jorge Aragão que ironicamente cantava “Por isso vê lá onde pisa, respeite a camisa que a gente suou, respeite quem pôde chegar onde a gente chegou..”

Por: Carolina Sbrici
@carolisbrici