Estamos há exatos 49 dias sem técnico. Durante esses quase 2 meses, alguns nomes como Abel Braga, Leão, Mano Menezes, Dorival, Cuca, Leonardo, Luxemburgo, Villa-Boas, Sampaoli e Sabella foram especulados para assumir o time. A diretoria declarou preferência a um treinador estrangeiro e nos fez acreditar que traria o Sabella para comandar o São Paulo. Só nessa novela, perdemos algumas semanas esperando uma resposta daqui e um parecer de lá. Eis que, recentemente, mais um nome foi levantado: Juan Carlos Osorio. Desta vez, tudo nos leva a crer que não será só mais uma especulação. 
Osorio é colombiano e treina o Atlético Nacional. O time de Medellín estava disputando as quartas de final do campeonato nacional e acabou sendo eliminado pelo Deportivo Cali no fim de semana que passou. O obstáculo que mais preocupava o Tricolor em relação à contratação do técnico colombiano, que seria o avanço do time na competição, já não existe mais. A derrota aproximou ainda mais o treinador do São Paulo, ainda que Osorio tenha vínculo com o Atlético Nacional até 2017 e a torcida, apesar da queda no campeonato, mostre um grande apreço pelo técnico. 
A carreira do treinador colombiano como jogador de futebol foi breve, diferente da maioria dos técnicos que já passaram pelo São Paulo. Osorio atuou pelo Deportivo Pereira no início dos anos 80 e chegou até a defender a Seleção Colombiana sub-20, mas devido a uma lesão, parou de jogar futebol e foi para os Estados Unidos se dedicar à área acadêmica. Nos anos 90, ele se formou em Ciência do Exercício pela Southern Connecticut State University e percebeu que não era correndo atrás da bola que encontraria êxito em sua vida profissional. Pouco tempo depois de formado, Osorio iniciou sua carreira nas comissões técnicas de clubes de futebol ao se tornar auxiliar técnico no Staten Island Vipers, clube estadunidense. 
O currículo de Osorio ficou ainda mais recheado quando, em 2001, a convite do técnico Kevin Reegan, foi ser auxiliar do Manchester City. O tempo que ele passou na Inglaterra, além de aprimorar seu conhecimento técnico sobre futebol trabalhando ao lado de um técnico experiente, serviu para que Osorio se dedicasse, mais uma vez, a parte teórica do esporte, tendo feito sua pós-gradução em Ciências do Futebol na Universidade de Liverpool.

Depois de cinco anos na Europa, o colombiano voltou ao seu país para iniciar sua carreira vitoriosa como técnico. Treinou o Milionarios por um ano em 2006. Foi, novamente, para os Estados Unidos em 2007 e assumiu a equipe do Chicago Fire por mais um ano. Ficou um pouco mais de 12 meses no cargo de treinador do Red Bull New York e conquistou o título da Conferência Leste (uma das maiores conferências da Major League Soccer). Voltou para a América do Sul em 2009 para comandar o Once Caldas, onde ele levou o time a conquistar o Torneio Finalização Colombiano, no ano seguinte a sua chegada. Teve uma breve passagem pelo Puebla, clube mexicano, entre 2011 e 2012. Porém, o auge de sua carreira foi quando Osorio se transferiu para o Atlético Nacional: até o momento, foram cinco títulos conquistados (1 Copa da Colômbia, 1 Superliga Colombiana, 1 Torneio Clausura e 2 Torneios Aperturas), a idolatria da torcida garantida e muitos bilhetes enviados aos jogadores (uma vez que o treinador prefere se comunicar desta forma).

Desde 1976 um técnico estrangeiro não dura mais de um ano no São Paulo. Confesso que essa mania brasileira de reciclar técnicos me irrita. Se o Osorio vier apenas para “tapar buraco”, não precisa nem trazê-lo. A intenção é que ele peça reforços e comece um trabalho gradativo no Tricolor. Técnico algum, em nenhum canto do mundo, está apto a fazer milagres com equipes de futebol. Ainda mais aqui, com esse time inconstante que temos. Portanto, é importante que a diretoria saiba valorizá-lo e que a torcida tenha plena consciência de que um futuro de glórias não depende só dele.


Fontes consultadas: SPFC.Net, Wikipédia e site oficial do São Paulo Futebol Clube
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