Os primeiros passos de Giovanna Crivelari no esporte, na verdade, foram pedaladas. Isso não quer dizer que, atualmente, defendendo a camisa 11 do São Paulo Futebol Clube, ela tenha deixado esse recurso de lado. Hoje, ela não precisa do pedal das bicicletas que a iniciou no esporte para seguir em frente. A centroavante agora usa a habilidade de suas pernas para driblar as adversárias e marcar golaços como jogadora de futebol!

Giovanna fala, gentilmente, ao São Paulindas

Nascida em Londrina, no Paraná, Giovanna tem 22 anos e pode ser considerar uma privilegiada por ter conseguido chegar tão rápido ao futebol profissional. Antes disso, levada por brincadeiras de criança e por uma pista de bicicross que havia ao lado de sua casa, a jogadora pediu ao pai uma bicicleta e se aventurou pela modalidade, sob duas rodas . Treinando com os meninos e defendendo sua cidade, a jogadora chegou a disputar um campeonato mundial de bicicross e foi campeã paranaense por duas vezes.

Após esse sucesso, foi convidada pela equipe de ciclismo de Londrina para se juntar à eles. “O treino era muito pesado e eu não gostava. Só ia duas vezes por semana e olhe lá, mas mesmo assim eu ia bem nas competições. Independente disso, sempre amei futebol, sempre joguei na rua com os meninos e esse era um esporte que gostava mais”, contou Giovanna, em entrevista exclusiva para o portal São Paulindas.

Aos 17 anos, de férias em Santos, participou de uma peneira promovida pelo Santos Futebol Clube e, para sua surpresa, foi uma das cinco selecionadas em um total de 1.500 garotas. Com isso, antes mesmo de atingir a maioridade, Giovanna pode atuar ao lado de jogadoras de alto escalão do futebol mundial, como Erika, Cristiane, Aline Pellegrino e a melhor jogadora do mundo por cinco vezes, Marta. Naquele momento, Giovanna contou com as melhores “professoras” e aprendeu muito sobre futebol com essas grandes atletas. “Elas eram muito gente finas, nos ensinavam, tinham paciência… E só de ver a Marta ali, treinando do nosso lado, a gente ficava muito ligada, porque é arrepiante, é coisa linda!”, declarou.

A atleta e o treinador, Marcelo Frigerio

Depois daquela experiência no Santos, Giovanna passou pelo São Caetano, XV de Piracicaba, Foz Cataratas e esse ano, chegou ao São Paulo, a convite do treinador Marcelo Frigerio que já havia convidado a atleta para treinar com ele em equipes anteriores. A estrutura das jogadoras fica em Barueri, onde elas treinam e moram. “Estamos no Sportville e o espaço é ótimo, tem o campo onde a gente treina, vários quartos, alimentação, piscina, salão de jogos, academia…”

Para ela, vestir a camisa tricolor foi um grande passo na carreira e sua meta agora é conquistar títulos. “Já fui campeã paulista pelo Santos, mas agora quero ganhar pelo São Paulo. E como nunca disputei um campeonato brasileiro, espero jogar agora e também conquistar o título nacional”.
 Giovanna também confirmou que a torcida são-paulina tem comparecido nos jogos. “Nossa estreia foi em São Bernardo e tinha torcedores do São Paulo lá, com bandeiras. O presidente Carlos Miguel Aidar também compareceu, entrou em campo, nos cumprimentou, foi muito legal! Em Barueri – nossa casa – a torcida tem ido ao estádio também, mas eu espero muito poder jogar no Morumbi, um dia”, confessou.

Giovanna em ação: a camisa 11 do São Paulo é um dos
destaques do time

Como boa centroavante e torcedora do tricolor, Giovanna confessou: “Meu maior ídolo no futebol é o Luís Fabiano, me identifico com ele porque jogamos na mesma posição. Gosto do Ganso também e gostaria de conhecê-lo. Entre as mulheres, eu sou muito fã da Marta, claro. É uma excelente atleta e uma pessoa maravilhosa”.

Giovanna sempre teve o apoio do pai para jogar futebol, a mãe foi um pouco mais relutante. A sete horas de distância dos pais, Giovanna tenta visitá-los nas folgas de dois ou três dias, quando pode. Quando perguntada se sofreu preconceito para seguir carreira, ela afirma que não, apesar de concordar que ele exista. A jogadora afirmou que o maior inimigo do futebol feminino ainda é a falta de incentivo. “Muitos acham que futebol é só pra homem, mas a gente corre igual eles! A gente joga por amor, porque a estrutura não é igual ao masculino, muitos clubes ainda não apoiam, nosso salário não é igual ao deles, então é muito difícil”.

Seleção Brasileira 

Em 2012, com 20 anos, a controavante viveu a experiência inesquecível de vestir a amarelinha ao integrar a equipe sub-20 e disputar um Mundial. “Foi uma experiência incrível, viver aquele clima, ouvir o hino, conhecer a forma de jogar de outras seleções… Eu estava muito ansiosa e tudo isso mexeu comigo, mas foi ótimo. Entrei como titular no primeiro jogo e minha mãe até acordou às 3h da manhã para me ver em campo!”, contou.

Em ano de Mundial e às vésperas dos Jogos Olímpicos, Giovanna acredita em bons resultados do time brasileiro na Copa do Mundo que acontece no Canadá, em junho, e espera fazer parte da seleção que representará o Brasil, em 2016, no Rio de Janeiro. “Venho trabalhando forte, procuro dar o meu máximo em cada jogo e esse é um sonho. Espero sim estar lá!”.

Esperamos que a passagem de Giovanna pelo São Paulo seja responsável por muitas conquistas e vitórias para a jogadora. Que ela nos brinde com suas pedaladas, seus gols e títulos e seja recompensada com a ascensão de sua carreira, participando da Seleção Brasileira principal e brilhando muito pelos gramados, como sempre sonhou.

Agradecimentos: São Paulo Futebol Clube/Comunicação e Marcelo Frigerio
Créditos fotográficos: Bruno Mancini/SPFC1935 e  Foto Lira/Divulgação
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