Todo mundo que escolhe um time de futebol para torcer, é marcado por aquele primeiro ídolo, aquele jogador que te fez amar ainda mais o seu clube e que representa a fase mais pura de um torcedor mirim no mundo da bola.

Meu camisa 10 faz 50 anos hoje, mas foi há 23 anos que ele me conquistou. Eu tinha 9 anos, era uma criança descobrindo o futebol e aquele time do São Paulo era mesmo uma verdadeira máquina. O condutor daquela Ferrari era um maestro, ou melhor, um terror: “Raí, Raí, o terror do Morumbi”.

É complicado iniciar sua vida no futebol torcendo por um time que ganha tudo. Isso faz mal… quer dizer, me fez muito bem, mas me deixou mal acostumada. Sob a batuta de Telê Santana o time ganhou de tudo e Raí foi peça fundamental, decisivo. Pentacampeão paulista, campeão brasileiro, bicampeão da Libertadores e campeão mundial pelo São Paulo, clube pelo qual fez 11 gols em finais.

Eu não entendia muito bem o porque de acordar de madrugada pra ver um jogo que rolava em Tóquio, sabe?! Era muito pequena, não tinha tal dimensão. Mas, graças à Deus, eu pude viver essa época. Pude ver uma das melhores épocas do meu time e viver essa transformação do São Paulo grande para GIGANTE. E, é claro, que o camisa 10 foi um dos maiores responsáveis por isso.

Hoje, Raí faz 50 anos de vida. Difícil explicar a importância que esse cara tem na vida de muitos torcedores que viveram o futebol auge do tricolor nos anos 90. Fácil é afirmar que Raí (junto com Telê e companhia, claro) elevou o tamanho do clube e tornaram o São Paulo em um time mundialmente conhecido e respeitado.
Mas eu preciso confessar que, entre todos os títulos que Raí me deu,
o meu preferido é um – considerado atualmente – de menor expressão. Foi
em 1998, quando ele voltou ao clube depois de 5 anos defendendo o Paris Saint-Germain e entrou em campo
para jogar a última partida da final do Campeonato Paulista, contra o Corinthians. O
primeiro jogo foi vencido pelo rival, por 2×1 – que naquela época tinha o
melhor time. Raí desembarcou em São Paulo dias antes e pegou a
titularidade, cedida sem nenhum desespero por Dodô e foi campeão. Marcou
o primeiro gol, serviu o centroavante França e, acredito que foi a partida em que ele
comprovou que o Morumbi era, de fato, o seu lugar no mundo. São Paulo
3×1 e, pra mim, um dos títulos que mais amo na história do meu tricolor.

Hoje, Raí é um cara de meia idade que colhe os frutos de tudo que plantou ao longo da carreira. No início de 2012, em Londres, recebeu a estatueta do Laureus, considerado o Oscar do esporte. Na categoria “Esporte para o Bem”, foi considerado pela entidade como uma fonte de inspiração e representante dos atletas brasileiros que apostam no esporte como instrumento de mudança social.

Pai de três meninas e avô de uma garotinha, é um cara super família.
Fundador da fundação Gol de Letra e da Atletas Pelo Brasil, sócio da
Raí+Velasco, da CINESALA – cinema de rua – e da Sala Raí – um camarote
no estádio do Morumbi.

Neste dia 15 de maio eu só posso dizer: obrigada por tudo, Raí e feliz aniversário! Você é um dos maiores presentes que o São Paulo Futebol Clube teve o prazer de ganhar. É também o primeiro ídolo da minha vida!

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Créditos fotográficos: Roberta Cardoso/Acervo e Reprodução/São Paulo FC