Na última terça-feira (19/5), o Museu do Futebol, localizado no Pacaembu, ficou ainda mais completo e bonito. O projeto “Visibilidade para o Futebol Feminino” preencheu uma lacuna e precisava ser contada para o grande público: a história da participação das mulheres no esporte. A abertura da exposição foi um sucesso, repleta de participantes, imprensa, entusiastas, jogadoras e ex-jogadoras de futebol e personalidades que trabalharam com futebol quando ele ainda era proibido.

Futebol feminino ganha destaque no Museu do Futebol

A cerimônia de abertura contou com declarações que de pessoas que foram as grandes responsáveis para que a história dessas guerreiras fosse contada. Daniela Alfonsi, Diretora de Conteúdo do Museu do Futebol, fez um discurso pra lá de emocionado, destacando que o público que visitava o Museu pedia informações sobre a história das mulheres no futebol. “Tornar mais conhecida a história da participação feminina no principal esporte do país visa também colaborar para o reconhecimento das atletas que há muito tempo batalham pelo direito de jogar bola”, declarou.

Outra grande responsável por esse projeto é Silvana Goelner, Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), coordenadora do Centro de Memória do Esporte da mesma universidade e co-curadora da mostra.

“Um fato desconhecido do grande público, por exemplo, é que durante quase 40 anos vigorou uma lei que proibia às mulheres praticar algumas atividades esportivas, dentre elas, o futebol. A modalidade só foi regulamentada em 1983 e as equipes que jogavam antes desse período chegavam a ser perseguidas. Mulher jogar bola já foi ilegal no Brasil”, comentou.

Homenageadas por tudo que fizeram pelo esporte!

Durante a cerimônia, o Museu do Futebol preparou uma homenagem para aquelas que tanto lutaram para conseguir seu espaço em uma modalidade que, aos 100 anos de idade, ainda é tão machista. Receberam uma medalha e um buquê de flores diversas jogadoras de diferentes gerações: Marcia Honorio da Silva, Michael Jackson, Aline Pellegrino, Bruna Benites, Thais Picarte, Regildenia de Holanda, Silvia Regina, Renata Ruel, Emily Lima, Roseli de Belo, Bagé, Ester Aparecida dos Santos, Suzana Cavalheiro e Debinh.

Além das jogadoras, o Museu também homenageou Léa Campos, a primeira
árbitra FIFA, perseguida e presa diversas vezes por estar em um campo de
futebol, a jornalista Semiramis Teixeira e Germana Garili, repórter de
campo da Rádio Mulher entre os anos de 1971 e 1975.

Jogadoras em destaque na entrada do Pacaembu

Depois das homenagens e de muita emoção, seguimos juntos para conhecer as novidades da exposição. Antes de entrar nas salas do Museu, é possível notar a primeira
intervenção, logo na entrada do Estádio do Pacaembu. 24 bandeirões
decoram a entrada do estádio com imagens de jogadoras da Seleção
Brasileira desde 1988 – a primeira formação – até 2015. Na Grande Área,
hall de entrada do Museu, estão incluídas reproduções de objetos
colecionados pelas atletas, como a primeira medalha da Seleção
Brasileira no torneio internacional da China, em 1988.

Na sala Anjos Barrocos, as jogadoras Marta, eleita cinco vezes a melhor do mundo pela FIFA, e Formiga, há 20 anos na Seleção Brasileira, finalmente entrarão no panteão de ídolos do nosso futebol, como Pelé e Garrincha. Pra mim, essa é a parte mais emocionante da exposição! Se deparar com a imagem dessas duas mulheres, eternizadas, naqueles painéis holográficos, no meio de tantos craques, é de arrepiar!

Na sala das Origens, será contada a trajetória dos primeiros times femininos no Brasil até a proibição, pelo Estado Novo, a partir de 1941. Reproduções de documentos e fotos do Reino Unido, França e Estados Unidos indicam que as mulheres jogam futebol desde os primórdios do esporte. Tudo que se refere ao futebol feminino na exposição do Museu está sinalizada com uma medalha (veja foto abaixo).

  Na sala Dança do Futebol, com roteiro do jornalista e escritor Marcelo Duarte, três vídeos mostram a história dos Clubes e Campeonatos nacionais; o jogo bonito de muitas atletas profissionais e amadoras e as pioneiras no esporte, com destaque a Léa Campos, a primeira árbitra FIFA no mundo. Léa desafiou as regras até conseguir autorização do General Médici para apitar um jogo oficial de futebol, no México, em 1971.

Vai ter Copa, sim senhor!

Também é possível consultar em uma grande “mesa” tecnológica a história e campanha das meninas em Copas do Mundo, Panamericanos e Jogos Olímpicos. Informação pura que nos trazem muitas lembranças de conquistas e derrotas doídas – que a gente jamais esquece, mas que fazem parte do jogo!

É um passeio pra lá de agradável e emocionante, desvendando a história completa da modalidade para que toda a população possa conhecer e entender a luta dessas mulheres para que o futebol as tratem com mais carinho. A exposição segue firme no Museu e a luta das guerreiras também segue adiante.

A goleira Thais Picarte assiste momentos do futebol

Para completar o projeto, um site exclusivo traz a agenda de atividades, vídeos, textos e acervos que serão pesquisados até o final do ano: www.futebolfeminino.museudofutebol.org.br. O Museu do Futebol espera, com o projeto, contribuir para a ampliação das fontes e registros sobre o futebol feminino.

Créditos fotográficos: Roberta Nina / Divulgação

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