O ano era 1997 e o campeonato em questão era o Paulistana, disputado por mulheres. O esquadrão feminino do São Paulo dava show, goleava e tinha uma camisa 10 de responsa, que fazia inveja para qualquer time do momento: Sissi.
Nascida em Esplanada, no interior da Bahia, Sisleide Lima do Amor era uma meia clássica que com muita técnica e habilidade comandava o time tricolor com jogadas cerebrais e gols bonitos.

Sissi em ação!

Sua paixão pelo futebol nasceu no quintal de sua casa, ao ver seu pai e irmão batendo bola. Escolhia suas bonecas de acordo com o formato e tamanho de suas cabeças, afinal, era com elas que Sissi praticava seu esporte preferido. “Para jogar eu usei as cabeças das minhas bonecas, tampinhas de garrafa, bolas de meias, papel higiênico etc… Acho que já estava no sangue”, afirmou a jogadora em entrevista para o São Paulindas.  “Minhas irmãs ficavam na bronca por causa da minha mania de arrancar as cabeças das bonecas. Mesmo sabendo das dificuldades e com a pouca idade eu já sabia o que queria ser”.

Aos 30 anos, defendendo o São Paulo, viveu o auge de sua carreira. O elenco são-paulino daquela época foi praticamente importado da prestigiosa equipe do Saad, de São Caetano do Sul, que em sua época já era a base da Seleção Brasileira. Sissi e Kátia Cilene, eram as principais jogadoras do time. Além delas, Cléo Brandão (apresentadora da TV Bandeirantes), Margarete (irmã do jogador Cafu), a volante Formiga e a goleira Didi (que foi reserva do Brasil nos Jogos Olímpicos de Atlanta) faziam parte daquele timaço.

Sissi (à esquerda) e companheiras comemorando o título de 97

O time masculino do São Paulo não vivia uma boa fase e foi justamente nesse momento que os torcedores perceberam que “o time dos homens” precisava de uma camisa 10 como ela. “Sissi, melhor do que Valdir”, era o grito que vinha das arquibancadas, reconhecendo o futebol de Sissi em comparação com o atacante que defendia o clube na época. “Meu Deus, o que dizer sobre aquele dia? Não sei se encontrarei palavras para descrever o que senti, foi arrepiante e um momento que nunca irei esquecer. O São Paulo sempre terá um lugar especial no meu coração”, admitiu Sissi.

Garotas irreverentes que davam show!

Em 1997, o São Paulo foi o campeão do Torneio Início do 1º Campeonato Paulista de Futebol Feminino, realizado no dia 09/03, no estádio Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera, demonstrando mais uma vez a força e a grandeza de sua camisa. Mackenzie, Santos e Portuguesa caíram em confronto direto com o Tricolor; Corinthians, Palmeiras, USP e São Judas/Juventus também foram batidos no meio do caminho. Na final, o São Paulo derrotou a Portuguesa por 2 a 0, gols de Karin e Kátia Cilene. Antes, a vitória sobre o Santos foi por 3 a 2, dois gols de Sissi e um de Kátia Cilene, e sobre o Mackenzie, por 1 a 0, gol de Karin.

O futebol feminino do São Paulo seguiu por 98 e 99 (quando foi campeão novamente e ficou invicto em todas as partidas oficiais), mas chegou ao fim em 2000 devido alguns problemas estruturais da modalidade. Este ano, as meninas do São Paulo voltaram e estão sob o comando do experiente treinador Marcelo Frigério e com parceria com a prefeitura de Barueri. Craques brasileiras como Ester e Tiganinha, jogadoras estrangeiras e garotas selecionadas em peneiras compõem o elenco.

Esperamos que essa nova fase para as meninas do São Paulo seja repleta de vitórias e que, quem sabe,surja uma camisa 10 que faça história com nossas cores, assim como fez Sissi. Será difícil bater os feitos da grande Imperatriz do futebol feminino brasileiro, mas superar o Paulo Henrique Ganso, atual 10 masculino, é muito possível. Seria o máximo ver a torcida reverenciando nossas atletas, como fizeram há quase 20 anos.

Sissi ainda vive do futebol, na Califórnia

*Em tempo: Aos 46 anos, Sissi ainda joga futebol pelo California Storm da cidade de Sacramento (EUA). Além disso, é assistente do técnico de futebol do Solamo Community College em Fairfield no Norte da Califórnia e treinadora no Walnut Creek Soccer Club, onde ela trabalha com jovens entre 13 e 17 anos.
 
Fontes consultadas:
SPFCPédia e SPFC Inside

Créditos fotográficos: Reprodução, Evelson de Freitas/Folhapress e Antônio Gaudério/Folhapress

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