O futebol é uma coisa mágica. Ele mexe com os nossos sentimentos mais profundos e com as lembranças de família, aquelas que nos dão uma imensa saudade do passado, do tempo de criança, da convivência com nossos pais e avós. Hoje, o futebol não é mais tão romântico como antigamente, ele se tornou um comércio e nicho para negócios. Ainda há espaço para a paixão, mas é raro encontrá-la.

Recentemente conheci o trabalho de Luciano Araujo, um designer de 39 anos que transformou sua paixão de infância e resgatou de seus valores de família à frente da marca Botões Clássicos, um trabalho recente, mas de muito valor e qualidade: ele confecciona artesanalmente jogos de botão.

Seleções, times nacionais, internacionais, bandas de rock e etc…

São-paulino de coração, Luciano se autodenominou como um jogador de futebol e roqueiro frustrado, isso porque quando era criança, fazia parte de uma banda de rock e sonhava em ser atleta da bola. Mas como nenhum de seus planos deu certo, ele decidiu aliar as três paixões de sua vida nesse novo negócio: design, rock e futebol.

Mangueira com Cartola no gol

É claro que todo mundo conhece o tradicional futebol de botão, formado pelos escudos dos times do mundo afora, mas a criatividade de Luciano deu um ar mais “charmoso” a esse jogo tão famoso. Além de customizar botões de futebol, o artista confecciona o time favorito do cliente, escalando roqueiros e ilustrando o produto com logo de bandas famosas, de filmes, times de basquete e de futebol americano e até mesmo Os Simpsons já ilustraram o jogo. “Entre os pedidos mais inusitados, criei um esquadrão da Mangueira. Foi um pedido especial de um cliente carioca. Ele pegou o espírito da coisa, afinal, a Estação Primeira de Mangueira é um clássico do Rio de Janeiro”, comentou.

Luciano tem familiaridade com os botões desde criança. “O futebol de botão sempre fez parte da minha casa. Meu pai jogava quando era criança e guardava um time de meu avô, que infelizmente se perdeu. Meu pai jogava usando os botões dos ternos e casacos do meu avô. Minha avó contava que quando iam sair para alguma festa, descobria a falta dos botões e tinha que costurá-los rapidamente”, revelou.

 A ideia surgiu ano passado, quando inspirado pela Copa do Mundo realizada no Brasil, reuniu os amigos e familiares para organizar um campeonato de botão com as seleções do torneio. Quando saiu à busca de seu próprio jogo para brincar, não gostou do que encontrou. Foi aí que decidiu personalizar seu próprio time (que era a Alemanha, campeã do Mundial), descobriu materiais e iniciou a produção. O sucesso foi tanto que os amigos passaram a encomendar e o negócio aumentou.

O passo a passo da produção desses botões consiste em um trabalho de pesquisa que engloba as fontes de números, design das camisas, escudos atuais, retrôs e etc… Depois, Luciano define o desenho do time no computador, imprime colorido, recorta nos formatos para colar em lentes de acrílico de 45mm, conhecidas como tampa de relógio. É um trabalho manual que exige capricho e dedicação na produção. 

O inesquecível esquadrão de 82    

Luciano sabe que seu trabalho é capaz de mexer com o imaginário de
muitos fãs de futebol, afinal, como seria possível sentir o prazer de
ver aquele seu craque dos sonhos vestindo a camisa do seu time do
coração? “O futebol de botão tem uma função muito importante de resgate
da história do futebol. É comum você ter guardado um time que te marcou,
ou foi histórico como a Holanda de 74, o Brasil de 82 etc… Meu avô
era fã do Canhoteiro, e naquela época, era comum colocar o nome ou um
recorte de foto colado nos botões. Eu não sabia quem era Canhoteiro, era
pequeno, depois fui entender. É como você escrever Rogério Ceni, Raí…
Imagina uma criança pegando esse time daqui 50 anos. Isso é
sensacional”. Sem nenhum dúvida!

Liverpool x São Paulo: TRI do MUNDO!

Perguntei a ele qual era o esquadrão tricolor campeão de vendas e a resposta foi: “o time de 2005. Um dos que mais vendo em geral. O botão também tem o afeto emocional. Aquele time você quer guardar para sempre na memória”. E, na memória de torcedor do Luciano, existe um jogo inesquecível, é claro. “Quem nunca chorou no estádio alguma vez, não é mesmo? Isso aconteceu comigo no dia 17 de junho de 1992. Eu tinha acabado de completar 18 anos. Chorei feito criança com aquele título que foi emocionante: a primeira Libertadores. A invasão de campo foi histórica. Nunca vou esquecer e sinceramente, daquela forma, acho que nunca mais vai acontecer, com as bandeiras, a quantidade de público…”. Ele tem razão, mais uma vez!

No âmbito musical, o designer lamenta não ter visto um show dos Ramones, do Queen e dos Beatles. No futebol, lamenta não ter visto o Rei Pelé jogar e muitos outros tricolores, como o já citado Canhoteiro, Leônidas da Silva, Pedro Rocha e Roberto Dias.

Entre os jogadores que acompanhou, escalou seu time dos sonhos, que ficou assim, em um esquema 3-4-3:

1 – Ceni – O último dos moicanos
2 – Cafu – Muita história no clube
3 – Oscar – Melhor zagueiro do clube
4 – Dario – Meu Deus, que dupla
5 – Lugano – Impossível deixar esse cara de fora da lista.
6 – Leonardo – Hoje seria 10 em qualquer time
7 – Müller – Melhor atacante que vi no tricolor
8 – Pitta – Gênio. estava no Pacaembu no golaço contra o Leão. Um dos gols mais bonitos que vi ao vivo.
9 – Careca – Torci até para o Napoli por causa de ele. O gol de 86 é histórico.
10 – Raí – A fase que mais acompanhei o time. Craque, inteligente, jogador de decisão.
11 – Lucas – É emocionante ver no futebol moderno de tanto dinheiro envolvido um garoto com tanta dedicação e carinho pelo clube. Volta Luquinha.

O técnico escolhido para comandar esse esquadrão acima só pode ser ele, Telê Santana, o cara que, pra quem pôde viver sua gloriosa passagem pelo tricolor durante a infância (como eu), consegue fazer uma ligação bem fiel ao valor sentimental do jogo de botão: resgatar a melhor fase do tempo de criança, a convivência familiar e o futebol raiz, cheio de paixão.


Obs: A escalação dos sonhos do Luciano foi disponibilizada para nós em alta resolução. Caso queiram baixar e imprimir para confeccionar seu próprio botão, nos envie uma DM no Facebook do SPFC1935, clicando AQUI. 

Conheça o trabalho da loja Botões Clássicos nos canais: 
Site: botoesclassicos.com.br 
Facebook: https://www.facebook.com/botoesclassicos 
Instagram e Twitter: @botoesclassicos
O preço médio é de R$ 50 a R$ 55. O pedido pode ser feito na loja virtual e ele faz entregas para todo o país, via Correios.

Fotos: Arquivo pessoal/ Luciano Araujo
Sigam no twitter: @robertanina e @spfc1935