Se o futebol do passado do São Paulo FC é glorioso, com diversas conquistas e menções, a modalidade feminina também tem seu destaque e passagem gloriosa nos anos em que existiu no clube.
É comum falar com jogadoras das décadas de 90 e início dos anos
2.000 e ouvir que o São Paulo Futebol Clube era um dos poucos clubes que
investia no futebol feminino e possuía uma das melhores estruturas do
país. A ex-jogadora e atualmente treinadora do time feminino do São
José, Emily Lima, nos afirmou em entrevista que jogar no São Paulo era
um privilégio. “Comecei no Saad Sport Clube, onde permaneci até 1997.
Com a fusão desse time com o São Paulo, defendi o Tricolor até 2000. Por
mais que falem das Sereias da Vila, do time do Santos, estrutura igual a
que o São Paulo proporcionava para as meninas não existiu ainda no
Brasil. Os funcionários e as atletas eram todos registrados e
utilizávamos a mesma estrutura da equipe masculina,
afirmou. 

A verdade é que o auge da equipe foi em 1997, quando o time com craques
(que já até defenderam a seleção) como Maravilha, Andréia Suntaque,
Juliana Cabral, Formiga, Sissi, Kátia Cilene e Cleo Brandão deram um
show, promoveram goleadas e sagraram-se campeãs do 1º Campeonato
Paulista de Futebol.

Esquadrão feminino do São Paulo, entre elas, Sissi, Formiga e Kátia Cilene

A  modalidade chegou ao fim no clube no início da última década e, atualmente,
só tem espaço garantido no museu e na sala de troféus tricolor, mas
segundo o portal “Dinheiro em Jogo” da globo.com, o São Paulo têm
interesse em voltar a investir na modalidade para as mulheres.

De acordo com a reportagem de Rodrigo Capelo (clique aqui),
o tricolor paulista deseja ter times em várias modalidades do futebol,
ainda este ano. O objetivo é ter equipes profissionais em várias
categorias ligadas ao futebol, de modo que a marca do clube seja exposta
para novos públicos e em novos ambientes, reforçar a noção de que o São
Paulo é um clube poliesportivo e ter patrocinadores e apoiadores que
banquem todo o gasto com infraestrutura e folha salarial, para que o
custo para o São Paulo seja zero.

Para manter o futebol feminino, o custo com comissão técnica e
jogadoras ficará em torno de R$ 1,5 milhão por ano, e o São Paulo diz já
ter conseguido esta verba com o patrocínio da Capes (Centro de Apoio
Profissionalizante, Educacional e Social). A empresa usará a equipe
são-paulina para fazer campanhas de combate ao câncer de mama, por
exemplo, entre outras iniciativas sociais. O custo com infraestrutura e
estádio será abatido por meio de uma parceria com a prefeitura de
Barueri, que irá ceder um centro de treinamento e a Arena Barueri para
jogos oficiais. Há também expectativa de, em grandes partidas, como
semifinais e finais, levar o time feminino para jogar no Morumbi.

Futebol feminino tricolor no Museu de Conquistas do clube

Acho incrível ter o futebol feminino de volta para um dos clubes
que mais investiu e se tornou referência na modalidade. A discussão
sobre a falta de investimento e apoio às equipes femininas nunca tem
fim, mas a verdade é que é possível viabilizar a prática e a disputa de
campeonatos fechando parcerias, investindo pouco no início para que a
população e os patrocinadores tenham vontade de acompanhar os jogos e
oportunidade para investir, de fato, no esporte.

É ano de Copa do Mundo Feninina no Canadá, temos uma das
melhores jogadoras do mundo, o campeonato brasileiro de futebol feminino
existe, mas ainda é pouco divulgado e apoiado, então, quanto mais os
clubes investirem na modalidade, mais talentos podem surgir e mais
garotas terão a oportunidade de jogar bola.

É preciso mudar a cultura do brasileiro, seja em casa ou nas
escolas. É preciso incentivar as meninas a jogarem futebol, afinal,
estamos falando de um esporte como todos os outros. Não dá mais pra
segregar os alunos nas aulas de Educação Física: meninos jogam futebol e
meninas jogam vôlei ou handebol. A mulher pode jogar futebol, ela pode
ter um time de futebol, ela pode ir aos estádios e ser aquilo que
quiser, sem preconceito, sem deixar de ser mulher.

Com um trabalho de marketing, podemos até arrastar mulheres e crianças
para as arquibancadas para torcer pelas jogadoras. Dá até pra lançar linha de
uniformes femininos e atrelar a venda dos ingressos do time feminino ao Sócio Torcedor com
um plano especial para mulheres

Dá pra fazer muita coisa pelo
futebol feminino e pelas mulheres, mas por enquanto, ficamos aqui na
torcida para que esse projeto saia do papel.

Vamoooooooooooo São Paulooooooooooooo!

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Créditos fotográficos: SPFCpédia, Leonardo Hirai/SãoPaulindas, Terra

Fontes consultadas: Dinheiro em Jogo/Globo.com