Nascido em Jundiaí, interior de São Paulo,  iniciou sua carreira como goleiro no time da Ponte Preta. Passou por diversos clubes como XV de Piracicaba, União Barbarense, CRB, até chegar no mais querido do Brasil.

Marcos Bonequini
deu inicio à sua história no São Paulo FC em 1988, como então goleiro reserva da Muralha, Zetti, até a chegada de Rogério Ceni. Ele foi Bi Campeão Mundial dos anos de 92 e 93, conquistou a  Libertadores de 1992 e Copa Conmebol de 1994.
Zetti, Telê Santana e Bonequini – 1992
O ex-goleiro encerrou suas atividades no Tricolor paulista em 1997. Em 9 anos vestindo o manto Tricolor, Bonequini atuou  em três partidas como titular do time. Teve o privilégio de trabalhar ao lado do mestre Telê Santana e grandes ídolos consagrados.

Confira agora a entrevista EXCLUSIVA que o ex-goleiro, Marcos Bonequini, sedeu ao São Paulindas, contando sua trajetória no esporte mais amado do Brasil.
 

Mariana – De onde surgiu a ideia de ser goleiro? Você teve o apoio da sua família?

Bonequini – Na realidade, me espelhei, ainda garoto, no meu pai, ex-policial militar e que no amadorismo atuava como goleiro de futsal. Vendo algumas fotos e acompanhando alguns poucos jogos dele, acabei me projetando como um goleiro.
Meu pai sempre foi um são paulino daqueles…rs…e, como todo pai em nosso país, sonhava em ter um filho jogando futebol. Comigo foi sempre o grande incentivador e mola propulsora da minha carreira, assim como o restante da família.

Mariana – Como foi o inicio da sua carreira? Em algum momento pensou em desistir?

Bonequini – Comecei a jogar futsal aos 11 anos, já como goleiro, nas equipes menores do Clube Esportiva, em Jundiaí. Como tive destaque em algumas competições, fui convidado a participar das equipes de competição de futebol na cidade aos 13 anos. Em seguida, um treinador da Ponte Preta de Campinas me chamou para fazer parte da equipe sub-14, onde fiquei por um ano. Aos quinze anos, já havia trocado a Ponte pelo Guarani, onde fiquei até a categoria sub-17. Após algumas decepções com treinadores e uma dispensa, voltei para Jundiaí e me decidi em focar nos meus estudos pré-vestibular e pensei em desistir do futebol, aliás, já havia desistido. Mas meu pai resolveu interceder e conseguiu pra mim uma avaliação, no ano de 1988, no São Paulo, nosso time de coração. Também teve o poder de me convencer a participar dessa “peneira”. E, enfim, após ser aprovado, me tornei atleta do São Paulo F.C. nesse mesmo ano.


Mariana – Quais foram as suas maiores dificuldades até chegar ao SPFC?

Bonequini – Acho que as normais encontradas por qualquer atleta nessa fase: morar longe da família, vencer as aprovações de treinadores ano a ano na categoria de base. Abrir mão da família foi a maior delas.


 

Mariana – Você tem currículo invejável na história do SPFC. São mais de 16 títulos e mais de cem jogos com o clube. Tirando os títulos da Libertadores e Mundial de 92 e 93, qual foi o momento mais marcante de sua carreira?

Bonequini – Posso determinar dois momentos no próprio São Paulo : o primeiro quando fui aprovado nos testes do São Paulo, pois era um sonho pessoal, desde criança tinha esse objetivo de vestir a camisa do meu clube de coração. O segundo, em minha estreia com o time principal, nos últimos quinze minutos do jogo contra o Real Madri, pelo Torneio Ramon de Carranza, na Espanha. Além da estreia contra um dos principais times do mundo, a conquista do título desse torneio, após vencermos a partida pro quatro a zero. Tive outros momentos em outros clubes, mas nada se compara a esses vividos no São Paulo.

Mariana – Descreva como foi sua passagem pelo SPFC?

Bonequini – Cheguei ao clube, como já descrevi, aos 18 anos (em 1988) e, confesso, acho que tudo aconteceu muito rapidamente para chegar à equipe principal. Exatamente uma no após minha chegada, eu já fazia parte do elenco principal e, ainda nessa mesma temporada (1989), cheguei a ficar no banco de reservas numa partida do Campeonato Brasileiro contra o Flamengo, no Maracanã. Dai em frente foram vários degraus acima e, em 1991, já era o segundo goleiro, na suplência do Zetti. A partir de então foram momentos especiais na minha e na na história do clube através daqueles títulos importantes conquistados. Tive algumas saídas pro empréstimo como para o Novorizontino (1993), quando fomos campeões do interior; em 1995 fui para o XV de Piracicaba através de uma acordo do São Paulo e a TAM (que havia assumido a gestão do clube) e em 1996 para o América RJ.
Em 1997, meu ciclo no São Paulo se encerrou com a vinda do goleiro Roger e decidi me desvincular do clube para alçar outros voos.
Sinto-me realmente orgulhoso de ter feito parte dessa rica e importante história do São Paulo F.C. por mais de 9 anos.

Mariana – Quais as principais diferenças no elenco de 92 e 93 que conquistaram o mundial?

Bonequini – Acho que eram muito parecidos, até porque haviam muitos atletas que pertenceram aos dois elencos. Apenas ressalto que, além do Raí (que saiu em meio ao ano de 93 e não jogou o Mundial), o elenco de 92 foi o precursor dessa história internacional do clube. Foi quem desbravou a Libertadores, os torneios internacionais e o Mundial. Esse foi o grande fato – e feito. Tudo era desconhecido para todos. Foi a primeira vez de todos nós e isso tem um peso relevante.

Mariana – Quais foram seus principais aprendizados com o mestre Tele Santana?

Bonequini – Acho que ele nos ensinou de tudo um pouco. A sermos persistentes, dedicados e disciplinados – no futebol e na vida. Só conquistamos o que conquistamos porque fomos dedicados e persistentes. Seus gritos à beira do gramado, sua exigência pela excelência e sua obstinação pelo” jogo limpo”, sem dúvidas nos deixaram um grande legado.  

Mariana – Como você se sentiu sendo o reserva dos dois maiores goleiro do SPFC, Zetti e Rogério Ceni?

Bonequini – Olha, primeiramente foi um grande desafio lutar pelo espaço com essas duas “feras”. Obviamente isso também fez com que eu sempre me aprimorasse nas minhas capacidades e transpirasse muito a cada treinamento. Acho que foram os grandes nomes da história do clube na posição e me sinto privilegiado de ter dividido o espaço com cada um deles. Acredito muito que o destino lhe abre as portas que devem ser suas. Os dois tiveram oportunidades e souberam muito bem aproveitá-las. A prova disso é a história. Adoraria poder ter uma oportunidade na época, mas entendo que fui muito mais longe na minha carreira do que eu imaginava no início. Tenho uma grande amizade com os dois até hoje. Sinto-me feliz, realizado e privilegiado por vestir essa camisa por nove anos.

Mariana –     Você tem algum ídolo no esporte? Quem?

Bonequini – Meu grande ídolo como goleiro sempre foi o Valdir Peres. E tive o privilégio de treinar com ele quando joguei no sub-15 do Guarani. Ele foi o goleiro da equipe principal do clube em 1985, e treinávamos juntos. Foi outro sonho que realizei. depois disso, encontrei-o mais algumas vezes e, na última delas, foi no encontro de goleiros da escola de goleiros do Zetti, no ano passado. No final do evento,humildemente, o Valdir veio pedir pra tirar uma foto comigo ! fui obrigado a lhe dizer que esse privilégio deveria ser meu, afinal ele é que era o meu ídolo de infância! Rimos juntos e fizemos a foto.

Mariana – Após sua aposentadoria você continuou trabalhando com o futebol. Conte-nos um pouco mais sobre essa sua experiência.

Bonequini – Logo após encerrar minha carreira em 2004, na Portuguesa Santista, recebi um convite para ser comentarista da rádio Difusora de Jundiaí, onde fiquei por 3 anos. Paralelamente outros convites na mídia esportiva surgiram e me tornei apresentador de dois programas esportivos em TV, na TV Rede Paulista de Jundiaí, uma afiliada local da TV Cultura. Fiz alguns trabalhos como colunista no Jornal Bom Dia, aqui em Jundiaí também. Até que no ano de 2010 fui “convencido” a entrar na área de gestão esportiva pela diretoria do Paulista F.C. Lá, gerenciei o departamento de futebol profissional por três anos e saí em agosto de 2013. Hoje, presto algumas consultorias na área e estou estudando e me capacitando ainda mais.

 

Mariana – Em 2012 o SPFC homenageou os atletas campeões mundiais de 92. Qual foi a sensação de pisar no Morumbi novamente e receber esse reconhecimento do clube?

Bonequini – Sem dúvidas foi emocionante. Voltar ao gramado do Morumbi com toda a torcida presente e sendo homenageado é algo marcante. Pude levar meus filhos para verem isso, pois não chegaram a me ver atuando pelo São Paulo. Só de constatar o brilho nos olhos deles, já valeu a pena! Só para constar (rs): os três são tricolores fanáticos!

Mariana –     No momento atual do SPFC, o que você mudaria e o que permaneceria se fosse técnico do time?

Bonequini – Primeiramente, acho que o São Paulo tem um dos maiores e melhores treinadores do Brasil na atualidade. o Muricy Ramalho. Acredito que ele tem feito um grande trabalho e, aos poucos, vai montando um elenco muito competitivo. É óbvio que ainda faltam algumas peças, mas acredito que elas chegarão em breve. Alguns setores precisam ser reforçados, como a lateral-direita, mais um ou dois zagueiros e um ou dois volantes para o elenco. Mas não, podemos esquecer que historicamente o clube sempre formou muitos e bons jogadores. Acho que aproveitar bem os atletas formados em Cotia, também será fundamental para o retorno das conquistas.


Mariana – Qual recado você daria para aqueles que sonham em ingressar no futebol profissional?

Bonequini – Corram atrás de seus sonhos! Acreditem sempre! No futebol, como na vida, vencem os mais determinados e os mais persistentes. Trabalhe pelo seu sonho e acredite! Há uma expressão que utilizo até hoje em minha vida e que resume muito bem isso: FORÇA, FÉ E FOCO. Esses são três ingredientes para quem pretende vencer.
Gostaria de agradecer ao Marcos Bonequini por nos atender e compartilhar sua história no SPFC com todos os São paulinos. São experiências que servem como aprendizado para muitos torcedores e que vamos levar para o resto de nossas vidas.

Reportagem: Mariana Telhada

Por: Mariana Telhada

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