Outdoor de entrada: Forlan, Maracanazzo e Suárez

Visitar o Uruguai foi uma experiência incrível para mim. Além de Montevidéu ser uma cidade linda e acolhedora, os uruguaios são absolutamente simpáticos e solícitos. O futebol está em toda a parte. Basta dizer que é brasileiro que eles logo tentam adivinhar para qual time você torce.

Nesta visita que fiz, no início de maio (2014), a parada obrigatória foi visitar o Estádio Centenário e o Museu do Futebol. Um espaço que abriga histórias de clubes e seleções recebe visitantes de diversas partes do mundo (a maioria da América Latina) e mesmo não sendo tão tecnológico e interativo como o nosso Museu do Futebol localizado no Estádio do Pacaembu, tem o seu valor. E que valor!

A entrada custa 100 pesos uruguaios, ou seja, R$ 10,00 e dá acesso à dois andares de exposição e visita às arquibancadas do estádio. E lá fui eu… Logo de cara, o Maracanazzo se faz presente em uma foto histórica que ilustra o gol da vitória uruguaia sobre o Brasil na Copa do Mundo de 1950, com o Maracanã abarrotado de espectadores. Esse título deu o segundo título mundial para a Seleção Celeste, já o primeiro, eles levaram em casa, na primeira edição das Copas, em 1930, contra a Argentina, naquele mesmo lugar, no Estádio Centenário – que foi construído no mesmo ano para sediar o torneio. Logo na entrada para as arquibancadas, que são pintadas de azul celeste – cor que simboliza fielmente o país – o orgulho de sua história está estampado em uma placa que diz: “1930 – Montevideo: 1º Ed. Campeonato Mundial de Fotball. Uruguay Campeon”. O gramado é conservado e a visão dos torcedores é ótima, bem próxima ao campo.

Os pimeiros campeões mundiais!
 
A arquibancada Celeste

Está muito longe dos exemplos das atuais arenas multiuso, com padrão FIFA e normas de segurança, mas ali está o futebol na forma mais pura e simples, do tempo em que o esporte era praticado com muito mais amor à camisa, sem dar importância nenhuma para os altos cifrões que envolvem a modalidade atualmente. Senti uma energia incrível ao pisar ali, fiquei imaginando quantos fatos históricos e importantes para o futebol aconteceram naquele lugar e me senti privilegiada por conhecer um pouquinho desse templo.

Registros olímpicos e uniformes de arbitragem 

O Museu do Futebol (ou Museo del Futbol) foi inaugurado em 1975 e foi o primeiro museu deste tipo no mundo, por isso é considerado pela FIFA como o único Monumento Histórico do Futebol Mundial. Lá estão contadas as histórias do futebol uruguaio e também dos seus times locais, em especial do Penarol e do Nacional. Os registros expostos estão em diversas formas: fotos, documentos, medalhas, quadros, taças, ilustrações, bolas, chuteiras, camisas, uniformes de árbitros e etc… No piso térreo, é possível apreciar relíquias de edições Olímpicas, como pôsteres, mascotes de cada temporada, quadros com jogadores das seleções uruguaias de diversas modalidades e até mesmo uma bicicleta do ex-ciclista Atílio François, quarto lugar na Olimpíada de Londres, em 1948.

No segundo andar estão expostos documentos e relíquias não só do futebol uruguaio, mas também de outras partes do mundo. Camisas usadas por Pelé, Maradona e uniformes clássicos da seleção local fazem parte da história contada pelo museu. Também estão expostas as bolas, taças, chuteiras, pinturas e outros itens de colecionador, que retratam a importância histórica do Centenário.

O triunfo uruguaio em Copas do Mundo está ilustrado em painéis enormes que mostram o estádio do Maracanã lotado em 1950 e o gol de “Manco” Castro, o 4º do Uruguai na final contra a Argentina, em 1930. As taças conquistadas também compõem a seção de glórias, além da camisa de número 5, do capitão Obdulio Varela, que levantou a taça de campeão mundial em nosso país.

Maracanã em 1950: lotado e calado!
O gol da Celeste em 1930

Além das vitórias o em Copas do Mundo de futebol, a seleção Uruguaia também é campeã olímpica por duas vezes, título que nós brasileiros nunca conquistamos. Foi por conta disso que ela se tornou Celeste Olímpica e faturou o ouro nas edições de 1924 (Paris) e 1928 (Amsterdã). As chuteiras utilizadas pelo jogador Roberto “Chueco” Figueroa na edição de 28 em que a Celeste venceu a Argentina está imortalizada no Museu.

Os “zapatos” de Chueco em 1928: ouro!
A Celeste Olímpica em Paris, 1924: ouro!














Além dos dois títulos mundiais e dois títulos olímpicos de futebol, o Uruguai é colecionador de nada mais, nada menos do que 15 títulos da Copa América de Futebol e essas conquistas também estão expostas por lá, além das conquistas do sul-americano de juvenis – hoje juniores.

As taças que simbolizam os 15 triunfos na Copa América

Para nós, Tricolores, que temos total identificação com os jogadores uruguaios, podemos encontrar por lá muitos futebolistas que fizeram história com a nossa camisa: Darío Pereyra, Pedro Rocha, Forlan, Lugano e o mais recente, Álvaro Pereira. Loco Abreu e Suárez também são ídolos e tem suas fotos estampadas em diversos pontos do museu.

Com Lugano e Álvaro Pereira: campeões da América em 2011

Ao final do tour, entramos em uma salinha escura e pequena que exibia filmes contando sobre a construção do Centenário (e pasmem: levou apenas 9 meses para ficar pronto, em plena Copa de 30!) e sobre os triunfos da Celeste (detalhe: os dois filmes foram trocados manualmente pelo tiozinho que nos recebeu na entrada do museu). O filme destaca o quarto lugar conquistado na última Copa, em 2010, na África do Sul, relatado de maneira emocionante, mostrando todo o valor e garra que a Celeste tem no sangue. Pude rever a cena do nosso eterno zagueiro Lugano comemorando a emocionante vitória sobre Gana, nos pênaltis (com direito a cavadinha de Loco Abreu) pulando em um pé só, após contusão. Depois dessa visita, ficou ainda mais evidente que a minha segunda seleção no coração é ela, a Celeste azul, gloriosa!

Estádio Centenário, patrimônio histórico!

Para mais informações, acesse: http://estadiocentenario.com.uy/ 


Créditos fotográficos: Roberta Cardoso
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