A rivalidade entre São Paulo e Palmeiras é antiga, desde o seu primeiro confronto, em 1930. O auge da disputa aconteceu entre 1942 e 1950, período em que São Paulo e Palmeiras dividiram os nove títulos paulistas disputados. Foram cinco títulos do São Paulo (1943, 1945, 1946, 1948 e 1949) e quatro do Palmeiras (1942, 1944, 1947 e 1950). Depois
disso vieram as disputas pelo Campeonato Brasileiro e Libertadores da América.

Hoje, a disputa com o time alviverde se estende para além dos gramados de futebol e atinge também o ramo dos negócios e infraestrutura de estádios da cidade de São Paulo. O Palmeiras se prepara para estrear sua nova casa, a arena multiuso Allianz Parque, que começou a ser construída em 2010. Em 2013, o estádio da Sociedade Esportiva Palmeiras fechou parceria com a construtora WTorre e com a empresa norte-americana AEG (Anschutz Entertainment Group) para operação da nova arena e anunciaram um dos mais importantes contratos relacionados a direitos de nome da história do país. A seguradora alemã Allianz se tornou detentora do nome do estádio pelos próximos 20 anos.

Cenário atual – Palmeiras x São Paulo 

O estádio do rival Palmeiras terá capacidade para 43 mil pessoas e camarotes para mais de 3 mil. Para grandes shows, até 55 mil pessoas e até 12 mil pessoas no Anfiteatro. Contará também com restaurante panorâmico, lanchonetes, lojas, centro de convenções e estacionamento para até 2.000 carros. O projeto atende às rigorosas exigências da Fifa, que o credencia para os torneios esportivos mais relevantes.

Allianz Parque: nova, moderna, bem localizada              

Sua localização também é privilegiada, localizado a 800m da estação
Palmeiras-Barra Funda, linha Vermelha do Metrô – também estará próxima à
futura Linha Laranja, estação Turiassu – e a 200 m da estação CPTM de
trem. Há mais de 50 linhas diferentes de ônibus para a região.

O estádio do São Paulo FC precisa de reformas para se modernizar
e concorrer com as novas arenas construídas em todo o Brasil para a
realização da Copa do Mundo. Atualmente, a área nobre multiuso do
Morumbi – conhecida como Concept Hall – abriga alguns espaços
comerciais, de lazer e serviços e é uma das jóias do principal
patrimônio são-paulino. Nascido da necessidade de otimização dos
generosos espaços internos do Cícero Pompeu de Toledo nos dias sem
futebol, o Morumbi Concept Hall recebe, mensalmente, cerca de 90 mil
pessoas, entre turistas, visitantes do Morumbi Tour, clientes e
estudantes. Lançado em 2007, o projeto do São Paulo FC é, hoje, uma das
propriedades mais lucrativas do clube, mas ainda ficará atrás em relação
aos rivais Corinthians e Palmeiras na parte de estrutura interna.

Morumbi Concept Hall: é bonito, mas também precisa crescer!

 
Segundo informações postadas no site da Allianz Parque, o
estádio palmeirense contará com um restaurante panorâmico, além de mais
de 30 concessões como fast food, sorveteria, bares e lanchonetes. 

Os serviços oferecidos no Concept Hall são-paulino são:

– 2 restaurantes: By Koji e o COPA Gastronomia e Futebol;

– Para compras: São Paulo Mania, Loja Penalty e Livraria Nobel (as duas últimas com vista para o gramado);

Sala Raí: camarote do eterno camisa 10

– No setor de serviços e eventos temos a academia Companhia Athletica, a agência de turismo do clube, Passaporte FC, Stadium Eventos, um Buffet infantil e o camarote Unyco. Também conta com o camarote batizado de Sala Raí, um espaço multifuncional que é um camarote em dias de jogos e shows, e nos outros dias, vira um local para realização de eventos corporativos, festas e exposições.

O clube também oferece o Morumbi Tour que permite que o torcedor visite
as dependências do clube utilizadas pelos jogadores, como vestiário,
gramado e sala de troféus do clube. O passeio dura cerca de 1h, com
guias especializados.

Ainda é preciso investir muito mais no Concept Hall do Morumbi e
disponibilizar mais espaços comerciais aos visitantes. O que existe por
lá ainda é muito pouco perto do que o Palmeiras promete fazer. Além
disso, é preciso reformar grande parte do estádio, construindo
cobertura, melhores acessos e aproximação do torcedor ao gramado são
algumas das coisas absolutamente pertinentes. Essa é a luta da atual
diretoria que não consegue viabilizar uma obra que tem o custo de cerca
de R$ 600 milhões. São duas as alternativas:

1) Pedir um empréstimo, se endividar durante anos e tocar a reforma.

2) Encontrar investidores e abrir mão de boa parte das
receitas durante muitos anos. É uma decisão difícil, ainda mais em um
ambiente de incêndio político como quase todos os grandes clubes do
Brasil convivem.

É importante frisar que uma obra – seja feita com empréstimo ou
investidores – reflete diretamente no preço do ingresso pago pelo
torcedor. Nessa hora é importante que o clube consiga atrair adeptos do
programa Sócio-Torcedor para contar com a mensalidade fixa desses
torcedores. O programa oferecido pelo São Paulo ainda não é vantajoso
(relação entre custo e benefício) e busca reformulação há tempos.

Modelo de projeto da cobertura do Morumbi: só no papel!

Notícias recentes contam que o clube fechou um modelo de negócio para
equipar o Estádio do Morumbi com internet gratuita para seus torcedores.
O São Paulo está com conversas avançadas com três empresas que irão
gerir o projeto em conjunto. Uma delas é a HP; as outras duas ainda não
foram reveladas. Segundo matéria publicada no portal Máquina do Esporte,
o acordo deve ser fechado em breve e a instalação deve estar completa
em novembro. Para 2015, o São Paulo espera lançar um aplicativo
específico para ser usado durante os jogos no Morumbi, abastecido com o
wifi do estádio. Esse seria o primeiro passo de uma possível
modernização do Morumbi.

Além de perder em infraestrutura, localização e renda para o
rival, o Tricolor também perde na prioridade de realização de shows, que
ajudam – e muito! – a turbinar a renda do clube. O projeto do “novo”
Morumbi previa uma arena para eventos que seria explorada por
investidores. De fato, se não realizar a reforma, o estádio vai ficar
para trás como espaço para grandes shows por problemas com o fluxo de
montagem de estruturas. As arenas modernas têm aberturas específicas
para esse fim e em novembro, a Allianz Parque recebe seu primeiro grande
show, com a turnê “Out There”, o novo álbum do ex-Beatle, Paul
McCartney.

Recentemente foi noticiado que uma alternativa momentânea do clube
para concorrer com o rival palmeirense foi baixar o valor do aluguel
cobrado, que antes era cerca de R$ 1,5 milhão.

Para finalizar, é importante ressaltar dois pontos cruciais para que se analise a fundo a tão falada reforma no Morumbi:

1) O estádio precisa ser melhorado e modernizado urgentemente. Para isso, os membros do conselho do clube precisam deixar seus caprichos de lado e pensar em uma solução efetiva e que beneficie a entidade São Paulo FC e não a si próprios e seus conchavos;

2) O torcedor precisa entender que seu bolso sofrerá grande impacto caso
a obra aconteça. Os ingressos ficarão mais caros e, além do clube arcar
com uma enorme dívida, os jogos do time poderão ser disputados em outro
estádio da cidade, como por exemplo no Pacaembu. O Palmeiras passou por
tudo isso: esperou por quatro anos para retornar à sua casa, amargou
péssimos desempenhos em campo por conta de grande economia nas
contratações e quadro de funcionários e, com a inauguração de sua nova
arena, terá que praticar preços mais altos na bilheteria para poder “se
pagar”.
Esse é o preço!

Vamoooooooooooooooooo, São Paulooooooooooooo!

Créditos fotográficos: Rubens Chiri/São Paulo FC – Thiago Fatichi/Divulgação

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