Eu tenho pensado, investido e militado tanto pela
participação das mulheres nos estádios de futebol que parece que tudo isso
conspirou com o surgimento das recentes boas notícias, textos, pensamentos e
constatações sobre o assunto.
Na última quarta-feira (12), por exemplo, estive no Morumbi.
Um primo meu recém-chegado da Itália também foi ao estádio comigo após passar
10 afastado de seu país e, consequentemente do futebol do seu time de coração.
Ele ficou espantado ao ver tanta mulher junta em um jogo de futebol, estava
admirado com nossa presença, seja sozinhas ou acompanhadas das amigas. Pois é,
expliquei pra ele que a gente não precisa mais dos homens para ir ao estádio. Graças
à Deus!
Na quinta-feira (13), a advogada Ruth Manus nos presenteou
com uma crônica verdadeira e espirituosa postada no site do Estadão sobre a
desconfiança e preconceito que ainda existe em torno do tema “mulher x
futebol” (clique aqui para ler). Parece que ela escreveu aquele texto para mim, ou melhor, para nós!
E aí, eu to aqui analisando essa cadeia hereditária (no
melhor estilo “As Meninas”) e percebi que meio mundo do meu círculo de amizades
se identificou com tudo que a Ruth escreveu e que muitas dessas minhas
parceiras vão mais em jogos de futebol do que muito macho por aí. Eu sempre
soube disso, claro, mas comecei a enumerar aquelas que são são-paulinas,
corintianas, santistas, palmeirenses, cruzeirenses, fluminenses, gremistas e…
cara, eu estou cercada de muitas torcedoras de responsa! Por isso, como forma
de amor maior ao futebol, eu quis homenagear essas garotas que merecem a devida
menção.
Começando por aquelas que estão ao meu lado desde a
infância, que dividiram a bola e os jogos de rua comigo desde antes da minha
primeira década: Juliana Medeiros Garcia (são-paulina), minha 1ª e última (até
então) parceira de arquibancada, de danone e de pernil e a Mariana Cabral, a
santista que mesmo torcendo por um time com poucas amigas para acompanhá-la em
jogos, teve a brilhante ideia de converter a cunhada Daniela em alvi-negra da
Vila e assim, pode ver de perto o tri santista da Liberta com muita alegria.
Caraca, Mariana… nem eu assisti o tri do meu time em campo. Parabéns! Divido
com essa dupla uma bola de futebol desenhada em nossa pele. Crescemos juntas e
amamos esse esporte.
Entre as corintianas, cito duas que merecem meu profundo
respeito. Leonor Macedo, jornalista dos textos mais incríveis que carrega o
time no coração e suas conquistas na pele, tatuado em linha cronológica,
misturando assim vida pessoal e futebol em um mesmo contexto. Ela é porta-voz
daquele Corinthians raiz, do preto no branco. Lelê, gigante, já enfrentou uma
Bombonera com os amigos para ver seu time sagrar-se campeão da América em 2012. 
A segunda louca desse bando é a Michele Lopes que assim como todas citadas
anteriormente, eternizou o primeiro emblema de seu clube no corpo. “Pelo
Corinthians, com muito amor, até o fim”, é assim que ela relata cada visita que
faz ao seu time nos estádios da cidade. A Mi é Casa Verde, é chinelo, bermuda e
camisa do Coringão. É minha parça de discussões, mas sem discussão!
Pâmela Vaiano é palmeirense fervorosa, meio desgostosa
atualmente, mas jamais ausente. Herdou da família o amor pelo Palestra que a
coloca em contato direto com o pai que conviveu por pouco tempo. A Glauce Dugo Martins
não larga jamais seu #palmeirascrazy, não importa a divisão. Rodou o Brasil
para ver os jogos da Copa do Mundo porque se preparou para respirar futebol durante
os meses de junho e julho.
A Júlia Vergueiro (são-paulina) e a Bibi Martins
(corintiana) que empreendem e dissipam o futebol feminino por aí também são
exemplos de pessoas que utilizam o esporte para integração social. Além disso,
batem um bolão pelo Pelado Real.
A Alê Brandão eu nem conheço pessoalmente, mas admiro. A garota é
madridista… oi? Sim, ela torce pelo Real Madrid e é fundadora e
administradora de uma peña formada só por torcedores do clube espanhol no
Brasil. Animal isso!
A Renata Jamus eu nunca vi na vida. Ela é fluminense e
viramos amigas pelo twitter após o título que (meu) Muricy deu para o tricolor que
é dela, mas que também foi de nosso mestre Telê Santana um dia.
A Emily Lima eu conheci por causa deste site. Tive o prazer
de entrevistar a 1ª treinadora mulher a chegar na Confederação Brasileira de
Futebol. Emily é ex-jogadora e atualmente é treinadora do sub-15 e sub-17 da
Seleção Brasileira de Futebol Feminino. Um orgulho!
A Lu Castro que eu conheço há pouco tempo é são-paulina,
jornalista, entusiasta e incansável defensora do futebol feminino brasileiro.
Eu diria que ela é tipo “a mãe da modalidade” no Brasil, aquela que faz
carinho, mima, mas também distribui broncas quando necessário. Um super exemplo
de pessoa.
Juliana Cabral, a capitã da medalha de prata do futebol
feminino nos Jogos Olímpicos de Atenas é o mais novo presente que o deuses da
bola me deu. Uma lutadora que venceu em campo, na bola e que hoje em dia nos
ensina muito sobre o esporte em eventos que organiza e nas transmissões da
Rádio Globo.
Minha prima Fernanda Grilo, companheira tricolor que berra,
ri e paquerava comigo nas arquibancadas do Morumbi. Sim, o estádio também serve
pra isso de vez em quando, queridos!
Tem também a Tamyres Silva que realizou o sonho de conhecer
o Morumbi grávida de seu filho, a Mari Telhada que foi à missa ouvindo um jogo
do São Paulo na surdina e gritou gol no meio da paróquia, a Rob Santana que
acordou de madrugada em 92/93 para ver o Mais Querido ser bi-mundial no Japão,
a Bia Lamattina que está sempre presente em jogos do SPFC e que tem o prazer e
o privilegio de dividir a bancada com seu pai e sua mãe, são-paulinos e gente
finíssimas, a Carol Sbrici que, vestida com o manto uruguaio e jaqueta tricolor
teve sua foto enviada por Marco Aurélio Cunha via whatsapp para Diego Lugano
durante a 5ª edição da Campanha Sangue Vermelho, Branco e Preto, a Bruna
Barboza
, novinha, que compõe o “bonde da ZL pé quente” comigo e com a Cici
Cothait
, que já fez muito por esse site por anos e hoje faz muito mais por
nosso clube em sua sede.
Tem também a dupla Samara Roque e a Raiza Oliveira que
também conheci aqui no São Paulindas e que me convidaram recentemente para
compor a banca de apresentação de seu TCC, em dezembro. Obrigada por esse
convite, lindas!
À minha marida Marie Lucci com quem tenho enorme afinidade e
sintonia deixo um recado: vou morrer de saudades! Serei trocada por uma vida na
Europa, mas antes da mudança teremos nossa despedida tricolor juntamente com
Telma Cascello que fecha esse trio, torcendo como uma lady no cimentão.
Cito também a minha cunhada Naty Martino que respira
Cruzeiro de Minas, assim como a Carol Gaspar que nasceu em Formiga. Tem a Cris
Pessoa
que mora no Morumbi, mas grita “vai, Curintia”, a Jaque Zaramella,
namorada de um amigo tricolor e que está sempre por perto com a turma do “Churras
no Cícero” – evento que fazemos nas ruas do bairro e que foi eleito pelo Guia
Quatro Rodas como o melhor esquenta pré-jogo do tricolor. Ah, tenho que citar a
Kiki Garcia que pertence a um clã corintiano e por causa dessa doutrina louca
não compartilha os textos que escrevo no São Paulindas em sua página do Facebook
para não sofrer represálias. Tá perdoada, colega!
A musa Denise Molinaro que reverbera “Parmera” nas veias e
nos copos cheios da vida, a Ticiana Neves, tricolor, que sempre vence uma
discussão contra os torcedores rivais com argumentos acachapantes. E o que
dizer da Waleria Branco que “malemá” torce pra o Santos, mas sempre me
prestigia quando falo de futebol, sem contar que me presenteou com um livro
incrível com crônicas do Tostão.
A maravilhosa torcedora/desenhista Eveline Jorge que vai
desenhar um M1TO por dia até o momento do adeus definitivo do nosso
goleiro-artilheiro. Vou ficar com saudade do Ceni e dos desenhos da Eve quando
essa promessa se concretizar. A Renata Ferraz e a Júlia Mariano são duas tricolores
que só vejo online, tecendo comentários divertidos e entendidos de futebol.
Somos melhores amigas de twitter, mas e a bancada, gente? Marquemos!
Fecho citando mais são-paulinas que conheci por meio do
SPFC1935: Ana Carol Bacci, Natalia Yolanda, Kelly Elias, Aretha Freitas,
Jéssica Malta, Fernanda Saldanha, Juliana Teixeira, Tayani “ermã” Silva, Carol
Nader e a Ana “Fabulosa” Marioto.
Enfim, precisava agradecer a cada uma dessas mulheres e
enumerá-las pra mostrar que sim, a gente participa, consome, respira, promove e
ama o futebol tanto quanto os homens. Eu tenho absoluta certeza que o futebol
pode ser melhor, menos violento e segregador e nós, mulheres, somos as únicas
capazes de promover isso. Acreditem!

Declaro portanto que esse é um texto repleto de feminismo esportivo e sem clubismo. 
Para acessar imagens de cada torcedora citada, acessem o link: https://plus.google.com/u/0/photos/105177268306128064372/albums/6081678215703247297
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