Juliana Cabral

No dia 04 de setembro (última quinta-feira), o Museu do Futebol abriu espaço para o futebol feminino! Em evento organizado pela ex-atleta e capitã da seleção medalha de prata em Atenas, Juliana Cabral, foram abordados diversos temas em uma mesa composta por gente que entende do assunto e busca soluções para os problemas enfrentados pela modalidade.
Com moderação de Lu Castro (jornalista e militante efusiva do futebol feminino) o bate-papo teve participação do seguinte time: Angela Wczasseck (representante da Secretaria Municipal de Esportes), Eduardo Pontes (gestor esportivo especialista em futebol feminino), Renê Simões (treinador e técnico da seleção medalha de prata em Atenas 2004), Gabrielle Lira (jogadora da seleção sub-20), Renata Capobianco (ex-jogadora da seleção na década de 1990) e Aline Pellegrino (ex-jogadora e representante do Bom Senso FC).

O evento começou com a exibição de uma reportagem de Marcos Uchôa (TV Globo), em 2004, após a conquista da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas. Em trecho da matéria, o repórter cita: “Chegar onde os homens chegaram, mas com muito menos estrutura, isso é um feito para as mulheres do Brasil. O que se espera agora é que essa medalha de prata possa servir como um incentivo, como um novo começo para o futebol, que é popular no Brasil para os homens, mas também para as mulheres”

10 anos dessa conquista histórica se passaram e a modalidade continua estacionada, nas mesmas condições, enfrentando os mesmos problemas, preconceitos, falta de estrutura, de apoio e respeito. Aline Pellegrino, uma das atletas que fez parte da seleção medalhista, comandava o debate e insistia na união entre todos os entusiastas da modalidade para alcançar seus objetivos. “Não adianta a gente brigar por uma melhora do esporte de maneira isolada. Precisamos nos unir e juntos temos mais força! Encontros como este ajudam a buscar mudanças e melhorias para que o futebol feminino ganhe mais espaço”.

O treinador Renê Simões

O treinador Renê Simões frisou a importância da mulher na sociedade e afirmou o poder que temos de mudar as situações adversas. “As mulheres representam 51% do eleitorado do país. Só neste sentido, elas já tem o poder de mudar muitas coisas no país. A classe feminina tem seu potencial castrado e ainda enfrentam preconceitos, inclusive no futebol. Precisamos discutir o futebol, mas sem o estigma de ‘coitadinhas’. É preciso falar do assunto sem frustração, buscar apoio e soluções para os problemas”, citou.

Representante da nova safra de jogadoras, Gabi Lira aproveitou o momento para desabafar contra todos aqueles – principalmente grande parte da imprensa – que criticaram a goleada sofrida pela seleção sub-20, no Mundial, contra a Alemanha. “A gente não liga nem um pouco para o que a mídia diz. Isso não nos atinge porque eles não sabem nada sobre nossa rotina de treinamentos e estrutura. Diferente do masculino, nós não tivemos preparação adequada para o torneio, apenas um amistoso contra a Nova Zelândia, com meninas de idade inferior à nossa. Isso não é preparação! Sem contar que as outras seleções (EUA, Alemanha, China) já jogam juntas há muito tempo e estão anos à nossa frente. Só divulgaram a nossa derrota, mas acho que a mídia não sabe, por exemplo, que a sub-20 foi campeã sul-americana. Isso a imprensa não divulgou!”, afirmou de maneira categórica a jogadora.

Aline também manifestou apoio à sub-20 e contou sobre o
manifesto “Nuas e Cruas” que fizeram contra os críticos (saiba mais
aqui
). “Não podemos deixar que estraguem a seleção do futuro. São meninas talentosas e que eu faço questão de defender”, declarou.

Gabi Lira, jogadora da seleção sub-20

Além do alto nível dos convidados, um bom número de pessoas interessadas no tema estavam presentes, entre eles, a treinadora da seleção brasileira sub-17 e pós-atleta Emily Lima, o treinador Ademar Fonseca, o gestor e fomentador de área Wagner Oliveira, a atleta da seleção brasileira e medalhista olímpica (Pequim-2008), Erika Cristiano além de profissionais do esporte, jornalistas, atletas e fãs do esporte.
Outros encontros como este estão em pauta e Juliana Cabral está viabilizando novas datas para debate com o Museu do Futebol.

O fim do evento e ficou por conta da participação de três ex-atletas que fizeram parte do elenco vice-campeão em Atenas e que atualmente moram fora do país: Elaine, Rosana e Renata Costa gravaram vídeos, incentivando a luta pela melhoria do futebol feminino no Brasil.

Boa notícia!

Promovido e oficializado pela CBF, patrocinado pela Caixa e organizado pela
SportPromotion, o 2º Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino CAIXA será disputado entre 10 de setembro e 29 de novembro e contará com a participação de 20 clubes de dez estados brasileiros: Adeco (SP), Avaí (SC), Bahia (BA), Botafogo (RJ), Caucaia (CE), Chapecoense (SC), Duque de Caxias (RJ), Ferroviária (SP), Foz Cataratas (PR), Iranduba (AM), Kindermann (SC), Náutico (PE), Pinheirense (PA), Portuguesa (SP), São Francisco (BA), São José (SP), Sport (PE), Vasco (RJ), Vitória (PE) e Viana (MA).

O regulamento da competição prevê a realização de quatro fases de disputas. Na primeira, serão formados quatro grupos de cinco clubes cada, classificando-se dois times por chave. Na segunda, as equipes formarão dois grupos de quatro agremiações cada, com jogos de ida e volta, avançando novamente dois clubes por chave às semifinais. As semifinais consistem em disputas eliminatórias (“mata-mata”), com jogos de ida e volta, classificando-se o vencedor de cada confronto para as finais, que também serão realizadas em duas partidas.

O Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino CAIXA terá transmissão do canal Fox Sports.

São Paulindas marcam presença no evento

Créditos fotográficos: Flávio Florido/UOL, Juliana Cabral (divulgação), ESPN (divulgação), Gabrielle Lira (Facebook)

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