No esporte há muito tempo as mulheres também lutam por igualdade de direitos e reconhecimento. Hoje em dia as mulheres e garotas podem jogar futebol em muitos países e em diferentes culturas, mas você sabe como era antes? Conheça um pouco dessa trajetória das mulheres no futebol.

O futebol chega no Brasil em meados do século XIX, vindo da Inglaterra, ele não exclui totalmente a presença feminina no esporte. As senhoritas levavam seus lenços para torcerem pelo seu time preferido. A influência das mulheres nos jogos era incentivada por ser um modo de sociabilidade, um lugar a mais onde se poderia encontrar um “bom partido”, e elas eram vistas como um enfeite do local e não estavam ali para aprender o novo esporte.

Nas primeiras décadas do século XX as mulheres mudaram de papel mudando de torcedoras para praticantes, há registros de equipes formadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, em eventos que não contavam com incentivos oficiais, pois o futebol no país era relacionado a instituições militares, estritamente masculinas.

A proibição das mulheres brancas nas equipes servia as ideologias eugenistas, que pregavam em favor a saúde do corpo da mulher para gerar filhos saudáveis e melhorar deste modo a raça branca no Brasil.





“A mulher não poderá praticar este esporte violento sem afetar seriamente o equilíbrio fisiológico de suas funções orgânicas, devido à natureza que a dispôs a ser mãe”. Era o que dizia na carta em que o Sr. Fuzeira escreveu ao presidente da época, Getúlio Vargas.

A carta também relaciona a prática de futebol a possíveis mudanças no comportamento das mulheres, e designa a origem da presença feminina no esporte como um “movimento feminista”, levando a expansão desta presença a outros esportes. Essa carta mostra a visão dos psicólogos e higienistas da época.



Essa carta serviu de fundamento para o decreto de 14 de Abril de 1940, que de modo geral, estabelece no seu artigo 54 que  “às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”.

Esta exclusão será bem explicada com a deliberação nº7 de 1965, na qual a ditadura militar especificou as modalidades esportivas proibidas às mulheres, lutas, saltos, futebol, entre outras.

Em plenos anos 60, ocorreu um recuo da dominação masculina, e uma expansão para as mulheres. Tirar as mulheres do futebol, era exclui-las da participação da nação, pois o futebol também servia para construir o sentimento nacional, sendo um dos instrumentos de modernização do país.

Hoje em dia, as mulheres tem mais espaço não só no futebol, mas em todas as outras profissões, porém, ainda existe muito preconceito e falta apoio ao futebol feminino no nosso país. Esperamos que isso mude, e que esse espaço seja aberto cada dia mais, tendo campeonatos estaduais, brasileiro e até mundiais. Viva o futebol feminino!

Por: Bianca Lamattina
@spfc1935 @bialamattina