Hoje o entrevistado é alguém que vive o São Paulo, alguém que presenciou todas as vitórias e derrotas durante 14 anos, viu o despertar de jogadores da base que sairiam do São Paulo consagrados, as crises, conquistas dentro e fora de campo e muito mais, é claro que estou falando de ninguém menos que Rubens Chiri.

Até a virada do milênio, todos os times tinham seus fatos registrados pelos jornais esportivos no sentido geral, já no ano 2000, o São Paulo seria o pioneiro nesse aspecto, contratando um fotógrafo oficial para registro das suas partidas.



Rubens Chiri, então aparece no São Paulo e 14 anos depois está aqui no São Paulindas para contar um pouco dessa trajetória:

Ju: Rubens, são 14 anos de carreira no São Paulo FC, qual foi seu marco inicial, o primeiro grande registro que começou a dar o destaque que você tem hoje?


Rubens: O primeiro grande momento foi a Taça Rio São Paulo de 2001. Foi muito legal registrar a estreia daquele menino que na época era o Cacá, longe de ser o Kaka que iria brilhar no futebol europeu, mas era o Cacá, aposta que trouxe o título para o São Paulo no final do segundo tempo, Caca que iria se tornar grande jogador e ídolo da torcida tricolor.


Ju: Assim como na final desse torneio Rio São Paulo, você presenciou várias finais e grandes conquistas, como separar o são paulino Rubens do fotógrafo do São Paulo que deve registrar os momentos sem deixar que a emoção atrapalhe?


Rubens: Eu trabalhei durante 11 anos para jornais e revistas diversos antes de começar no São Paulo, mostrando assassinatos, chacinas, tristeza e etc. Essa bagagem jornalística ajudou bastante nesse tópico. Mas é muito difícil separar as coisas, quando o time perde eu fico triste e fico muito feliz a cada vitória, mas dentro das quatro linhas, é preciso saber esconder a emoção e deixar o profissionalismo prevalecer.

Ju: E qual foi o momento mais emocionante de toda a carreira no São Paulo?


Rubens: São dois momentos que marcaram demais, a despedida do Lucas em 2012 foi bem emocionante, é um menino querido por todos do São Paulo! E no dia da sua saída registrar a sua emoção antes do jogo foi muito legal, além da partida no todo, onde o São Paulo quebrou o jejum e foi campeão, e a atuação sem palavras do Rogério Ceni, quando ele deixa o menino Lucas brilhar como capitão e erguer a taça que ele tanto ajudou a adquirir.
Outro momento, que nem se trata de um jogo, mas foi uma realização tanto pessoal como profissional, foi o registro do encontro entre São Paulo e o menino Carlos Rooney. Carlos mora no Ceará e suas duas pernas foram amputadas quando ainda era bebê, mas com treze anos treinava para ser goleiro como seu ídolo, Rogério Ceni. Na viagem do SP ao Ceará pelo campeonato brasileiro tivemos a oportunidade de realizar o sonho de Carlos de conhecer Rogério. Mas além de conhecê-lo, o menino pode entrar em campo carregado por ele, e ainda defender pênaltis cobrados por Ceni. A comoção tanto do menino, como de todos que presenciaram essa cena foi indescritível. É por isso que a gente faz o que faz com tanta paixão, essa emoção do Lucas, a superação do Rooney e tantas coisas mais que só o futebol proporciona é o que mais me dá certeza que estou no lugar certo.

Ju: Muita gente inveja seu trabalho, pois você acompanha o time em todos os jogos e viagens, etc. O que você acha disso? 


Rubens: (risos) Sim, muita gente diz isso, mas é mais difícil do que parece. Um jogo nunca leva 90 min, leva 6,7 horas. Às vezes em 10 dias, viajo por 7 dias com o São Paulo, já não sei o que é final de semana há anos, há os momentos de crise, de briga de torcida, de ônibus apedrejado e claro, de toda a correria para postar as fotos o mais breve possível, para fazer isso durante todos esses anos se exige muita dedicação, muito comprometimento, muita confiança que foi sendo adquirida ao longo de todos esses anos. E quando você finaliza seu trabalho, ainda há a falta de respeito com as fotos, que são usadas sem o mínimo de respeito aos direitos autorais e a todo o trabalho que você teve.

Ju: E com tudo isso que você está me dizendo, vale a pena todo o esforço? 

Rubens: Amo fotografar e amo o São Paulo. Sempre vale.

Ju: Para finalizar, este não é o seu primeiro contato com o SPFC1935, ano passado você registrou a campanha “Sangue Vermelho, Branco e Preto”, evento organizado pelo nosso site que une torcedores em prol da doação de sangue, o que você achou dessa iniciativa?

Rubens: A iniciativa do site é muito legal e qualquer ação solidária visando o benefício coletivo terá o meu apoio. A ideia de juntar a torcida que dá o sangue pelo São Paulo, também doar para quem precisa é excepcional, parabéns ao SPFC1935. 

E assim termina minha conversa com Rubens Chiri, ficamos aqui de longe torcendo para que ele, de perto, tenha muitas alegrias a serem registradas pelo nosso Tricolor!

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ESTRÉIA! 


Eu sou a Ju Teixeira, tenho 23 anos, moro na zona da sul de São Paulo e são paulina fanática desde sempre.


Estudei comércio exterior e sou analista de importação, e agora, também colunista neste grande site, mais uma torcedora apaixonada no SPFC1935 e mais uma são paulinda!

Até a próxima!

Por: Juliana Teixeira @juhhteixeira instagram @juuuhteixeira