Advogado, provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e diretor jurídico do São Paulo Futebol Clube nos dois mandatos de Aidar (de 1984 a 88), e em todo período que o grupo de Juvenal retomou o poder, desde 2002, Kalil Rocha Abdalla é confiante e acredita em seu triunfo nas eleições presidenciais do clube, em abril deste ano.

O candidato falou com nossa coluna por quase uma hora e deixou claro que não consegue citar promessas concretas sobre o futuro do clube, sem antes analisar os diversos setores da direção, entre eles, o futebol. “Quero contratar uma comissão técnica de futebol, mas ainda não sei quem cuidará disso, não tenho promessa de dar cargo para ninguém. Muitos citam Marco Aurélio Cunha pela competência que tem, mas eu não sei te adiantar isso”, explica.

Kalil não se considera um opositor de Juvenal Juvêncio e se auto define como um contestador da situação. “Depois de muita discordância com as atitudes da situação, me procuraram para aderir ao grupo da oposição. Eu não estava formado com grupo nenhum, mas aderi. Me propuseram a ser candidato e eu não tinha sonho em ser
presidente, não cogitava, não tive maiores intenções, mas aconteceu”
, conta.

Quando questionado de que se for eleito – o candidato interrompe e diz “Se for eleito, não! Eu já estou eleito!” – pretende seguir com a reforma no Morumbi, Kalil afirma que é inevitável e que a reforma vai acontecer. “É preciso analisar o atual projeto, afinal, o Juvenal já fez diversos projetos diferentes ao longo desses oito anos. Pelo menos há três a gente escuta falar dessa reforma, mas só agora, em véspera de eleição, ele quer fazer de qualquer jeito só pra dizer que fez. Escreve aí que se ele quiser, eu assino um termo dizendo que foi ele o idealizador da obra no Morumbi e pronto!”, provoca o candidato. Além do insucesso em reformar o Morumbi, Kalil conta que a oposição não concordou com os termos para levar o projeto adiante por que em nenhum momento tiveram acesso ao contrato. “Ele quer que o conselho assine e aprove algo que não viu”. 

O advogado afirma que os pilares de sua gestão serão honestidade, seriedade e transparência. Com isso, pretende dividir a governança e as obrigações com profissionais em cada setor. “Eu não serei um rei lá dentro, e sim mais um súdito”. Entre tantos pontos a cuidar, contou como pretende conduzir as contratações do futebol, o CT de Cotia e profissionais para o clube: “Quero trazer um superintendente para cuidar do futebol junto
com o diretor de futebol. Quero colocar uma equipe pra cuidar de Cotia (não
vamos vender Cotia e nem nada, como estão falando) o que eu quero é ter um técnico
de nome. Hoje eu não sei se tem alguém disponível, nem posso cogitar quem, mas
quando eu estiver lá, vou procurar saber. Quero saber o que aconteceu com Renê Simões, por que ele foi embora,
por que o Lúcio foi embora? Quero saber uma série de coisas que não sei o que
aconteceu, com o Carlinhos Neves, o Turíbio,
o Rosan… Pretendo ir atrás desses nomes e buscar saber da
história, Se ninguém me provar nada, eles continuam no meu alto conceito, e eu pretendo procurá-los”,
adiantou o candidato.

Para o programa do Sócio Torcedor e preços de ingressos, Kalil também foi sucinto e promete melhoras após analisar cada um deles. “O Sócio Torcedor deveria ser algo uniforme para todos os times. Vou estudar a mecânica de todos os clubes para criar algo para nós. E sobre o preço do ingresso, é complicado vender por R$ 2,00 como foi no ano passado, afinal, o jogador não me abaixa o preço, né?! Naquele momento deu certo, mas é preciso analisar  e estudar um jeito de agradar o público. Não posso te dizer o que será feito agora”. 

Existe algo que Kalil afirmou ter disposição para botar em prática durante a sua gestão: trata-se do campeonato de aspirante, prática que não acontece há anos no Brasil. “Antes de qualquer jogo no Morumbi, quero promover o
campeonato de aspirantes, um pouco diferente de como era feito anteriormente. Quero colocar os jogadores sub-17 e sub-20 em campo. Isso é um atrativo, um entretenimento
para o público que vai ao estádio e um incentivo para os meninos aparecerem mais. O público chega mais cedo,
assiste o pré jogo com os aspirantes e depois o profissional. Minha ideia é dar chance para os meninos jogarem mais e
como sou amigo de outros dirigentes vou levar essa ideia em frente”
, conta.

E o roll de amigos de Kalil é mesmo muito completo e diversificado. Com isso, o candidato se diz capaz de acabar com a má fama do São Paulo e melhorar o relacionamento do clube com os rivais, Federações e Confederações. “Não tenho muita relação com Mario Gobbi por que não o conheço,
mas sei que ele é delegado e como eu sou advogado, acho que podemos conversar
bem. O Luís Álvaro, do Santos, foi meu colega de ginásio, o Beluzzo, ex Palmeiras, foi meu
colega de ginásio e faculdade, o Tirone estava sempre me visitando aqui, na Santa Casa, o
Paulo Nobre também passou por aqui esses dias e pediu o apoio da Santa Casa por que estava sem patrocínio em sua
camisa e aí fechei uma parceria minha (em nome da instituição) com ele. Fui juiz do TJD em 1970, quando o Marco Polo era advogado do
Palmeiras, então também o conheço. O Marín foi convidado para viajar conosco quando vendemos
o Careca para o Napoli. A Portuguesa também vai me ceder o Canindé para realizar um jogo com os meninos do Centro Acadêmico da Atlética da Santa Casa lá, como parceria. Então eu conheço e me dou bem com todo mundo, tenho transito livre com todos”. 



Kalil também demonstra ser bastante descentralizador – ao contrário da atual gestão, como disse – e afirma que não será responsável por contratar ninguém. Os diretores nomeados é que terão autonomia e cuidarão cada um de sua área. “Eu não quero glórias, não quero busto!”, finaliza. Seguindo esse comportamento, o candidato conta que pretende entregar seu cargo em dezembro de 2016, para que assim, a próxima gestão, tenha tempo hábil para se organizar na nova função. “O ideal é ter uma votação entre outubro e novembro para que eu possa entregar o cargo em dezembro e facilitar para que a próxima diretoria cuide do planejamento da melhor maneira possível”. 

Sobre o rumo das eleições, Kalil é categórico e afirma, com toda certeza, que o sócio São Paulino será o responsável por eleger o novo presidente do clube. “Acredito que a eleição acontecerá no dia 05 de abril para os sócios. Eles irão escolher os 80 novos conselheiros do clube e, deste número, acredito que cerca de 60 deles são favoráveis a mim. Os 160 vitalícios, votarão na semana seguinte e destes números, considero ter uma pequena vantagem. Aqueles do conselho que ainda estão em cima do muro, serão impulsionados pelos votos dos sócios, que serão divulgados no mesmo dia em que votarem. Por isso acredito que, no próprio dia da votação dos associados, já saberei se vou ganhar ou não”.

Para finalizar, Kalil nos conta que no dia 16 de abril participará de uma eleição na Santa Casa para disputar a permanência no cargo, mas que, sabendo disso, “leu por aí” que o clube está marcando a escolha de seu novo presidente para a mesma data. “Eles sabem que terei eleições aqui e por isso, também querem marcar para este dia as eleições de lá. E mais, parece que no dia 16 também elegerão o novo presidente da CBF, então… eu fico tranquilo! No dia 16, estaremos próximos do feriado de Páscoa, passarei os dias 16, 17, 18, 19 e 20 comemorando muito!”, finaliza o confiante candidato da oposição.

A mensagem que Kalil deixa para os São Paulinos é a seguinte: “Para o torcedor, pedimos que eles tenham confiança e que rezem para que a gente ganhe. Para os associados, nós contamos com eles para os votos desse 1/3 do conselho”. Ou seja, o futuro do São Paulo está nas mãos daqueles que contribuem com o clube. Nada mais justo!

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Créditos fotográficos: Bianca Lamattina / SPFC1935