No dia 7 de dezembro o Centro Olímpico se tornou vencedor do Campeonato Brasileiro Feminino, o primeiro desde 2001, que acontece com o apoio do Ministério do Esporte e da Caixa Econômica Federal.
O time conta com 6 de suas atletas na seleção brasileira principal e uma na sub-20. A equipe paulista obteve a melhor campanha da primeira fase do campeonato e bateu o São José (campeão dos Jogos Regionais, da Copa do Brasil, da Libertadores e vice-campeão Paulista) por 2×1, levando o título e terminando a temporada com a irretocável campanha de 10 vitórias, 3 empates e apenas uma derrota. A artilheira da competição foi a camisa 10 da equipe, Gabi Zanotti, com 12 gols. 

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Cristiane, jogadora da equipe e da seleção brasileira e autora do gol da vitória do Centro Olímpico
Foto: Site Centro Olímpico

Falar de futebol feminino, no entanto, ainda não implica em somente enaltecer uma vitória, mas também colocar em evidência todas as lutas pelas quais as atletas e equipes têm que enfrentar para que haja melhorias na modalidade. Esse ano as atletas levaram a equipe à semifinal da Copa do Brasil, porém paralelo a isso tiveram que buscar apoio e investimento por conta própria, segundo o site Gazeta Esportiva.
Entrevistamos a zagueira titular da equipe, Alline Calandrini, para saber como pensa uma jogadora que contribuiu tanto para essa conquista sobre tudo o que cerca o futebol feminino atualmente.

Infelizmente, ainda precisamos fazer essa
pergunta: Como é sobreviver do futebol feminino? 

“Não temos o valor merecido quanto a salários, porém o dia a dia é o melhor de todos os trabalhos. Poderíamos receber um valor melhor, ter mais cobertura da imprensa, ter o reconhecimento devido. Mas o pouco que temos é muito bem valorizado, quando se faz algo que realmente gostamos.”

·     Como foi conquistar o título da primeira edição
do Brasileiro feminino e o que esperam das próximas edições?

“Foi emocionante. O melhor de tudo é fazer por merecer. E merecemos. Cada jogo era nossa vida. Fizemos a melhor campanha do campeonato e fomos coroadas com este título histórico.Espero que tenhamos muitos edições dessa pela frente. O fato de ter tv é especial. Todos podem acompanhar o futebol feminino. É uma grande vitrine.”

·     Vocês levaram a equipe às semifinais da Copa do
Brasil. Qual o sentimento que fica: o de decepção por não terem ido à final ou
o de terem feito tudo o que poderiam no momento?

“O de decepção por não termos ido até a final. Com todo respeito a equipe do Vitória, mas achávamos que por termos feito um resultado bom na casa do adversário, estava ganho. Paramos na marcação delas (mérito delas) e a bola não entrava quando tínhamos chances. Se déssemos nosso tudo, sairíamos cm a vitória. Doeu, doeu muito.”

A zagueira Alline Calandrini
Foto: WordPress
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Algumas partidas do Brasileiro tiveram mudanças
de horário e local de realização. O quanto isso prejudica as equipes na
preparação para o jogo? Crê que isso contribui negativamente para a perda de
credibilidade da modalidade?

“Particularmente não lembro de mudanças que tenham afetado diretamente nossa preparação. Temos uma comissão que está antenada em tudo que acontece extra campo. Sobre credibilidade com a modalidade acho que é uma primeira edição de um grande campeonato. Não é fácil. Espero que os erros sejam acertos nas próximas edições.”

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Como foi enfrentar o São José, campeão da
Libertadores feminina?

“Jogar contra o São José sempre é muito difícil. É o time que vem sendo campeão de vários campeonatos. Porém jogo bom são esses, certo? Existe uma grande rivalidade entre ambos os times. É o tipo de jogo que quem falhar menos vence. Vencemos!” 

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Com a conquista, vocês contribuíram para a
divulgação da competição e do time. Há outra maneira de uma atleta profissional
fazer ainda mais para que haja investimento na modalidade? 

“Acredito que hoje as redes sociais é um grande meio para divulgação. Eu sempre posto fotos de treinos e jogos. Mas antes disso, alguém tem que “vender” a gente pra alguma empresa e a empresa ter seu retorno.” 

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Em tempos de “Bom Senso FC”, vocês pensam em
conversar com os membros desse movimento para propor ideias de melhorias para o
futebol feminino ou em fazer suas próprias manifestações?

“O bom senso é interessante. Mas temos que ter muito cuidado com o que revindicar. Estamos pedindo sempre a atenção da CBF, empresas, governo…”

O técnico Arthur Elias
Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

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Jogadoras do Centro Olímpico comemoram a conquista
Foto: Site Centro Olímpico

Com a organização de um campeonato brasileiro nesses moldes podemos esperar que as jogadoras sigam num ritmo favorável, já que o calendário repleto de importantes competições beneficiará atletas para que haja competitividade e preparação para competições futuras, como a Copa do Mundo.

Barreiras quanto ao recebimento do salário e à organização dos campeonatos femininos ainda existem, mas cada vez que se destaca a conquista de um título podemos colocar em pauta esse assunto, para que cada vez mais o futebol feminino seja tratado com o devido respeito. Deve-se investir cada vez mais nessas equipes e mostrar tanto amor à camisa quanto as atletas que vivem desse esporte.

Parabéns, meninas, comissão técnica e Arthur Elias pela conquista!