Até não. Mas e principalmente ele. Se é difícil pra nós torcedores, imagine pro Mito que tem assistido a tudo, de erros da defesa à arbitragem, em 3D, completamente rendido embaixo das traves?
 
Tenho certeza que fosse qualquer um de nós, no intervalo do jogo contra o Vitória, com o microfone ligado, o tom da declaração seria outro. Bem outro. E digo isso porque bosta é quase elogio pra um time que conta com Douglas, Reinaldo e todo o resto (à exceção do Mito), que pode até fazer uma ou outra partida boa, como a do Ademilson no último dia 05, mas que em regra, perde gol que até a tua tia, tomada pelo reumatismo, faria. É de perder a cabeça mesmo.



(Imagem de divulgação placar.abril.com.br)
 Até quando assistiremos ao Douglas tomar bolada nas costas? Até quando sentiremos saudade dos até mais desprezíveis jogadores, que foram quase que escurraçados do Morumbi, mas que talvez alcançassem status de heróis, jogando com esse elenco de hoje? Não pela qualidade deles, longe disso, mas pela deficiências dos atuais mesmo.
 
Infelizmente o futebol não produz mais craques como antigamente e apesar de continuar sendo um esporte surpreendente, aos poucos vai deixando de ser apaixonante.
 
E deixa de ser porque hoje é nítido o nivelamento por baixo. A matéria prima está escassa. Há quanto tempo não surge, por exemplo um lateral razoável? E um camisa dez símbolo do futebol arte? Existe um esforço para que o Ganso ocupe esse posto, mas só o fato de não ser natural, já tira um pouco o brilho dos olhos, dos meus pelo menos.

E as revelações do Brasileiro? Só o tal Vitinho, que já foi embora…De resto, sem revelações, só surpresa. E a maior delas, por ora é o Walter, menos pela genialidade e mais pelo peso que ostenta. Preciso dizer mais?
 
Dos muitos motivos, talvez o que mais contribui pra isso seja o fato de as escolinhas não atingirem a finalidade a que se destinam, qual seja, descobrir e preparar craques.
 
Elas também foram dominadas pelo comércio puro e simples e não é segredo pra ninguém, que muitos pais pagam para que seus filhos pernas de pau sejam aprovados e entrem nesse ou naquele clube…Isso em detrimento a outro que com potencial e sem dinheiro, fica de fora.
 
Os dirigentes sabem, mas não tomam nenhuma atitude, parceiros que são dos empresários. Um exerce atividade fim e o outro de meio. E é aí que tudo se agrava porque eu não tenho dúvida que esse é o maior motivo para a falta de renovação do futebol brasileiro. Esse mercantilismo acaba prejudicando os mais pobres. E coincidentemente foi justamente da pobreza que saíram nossos maiores craques.
 
E assim, decepcionados como até o Mito está, assistimos a cenas como as do último sábado, um jogo cheio de gols, mas feio, marcado não só pela deficiência da arbitragem, mas e acima de tudo, pela presença de jogadores inexpressivos em um clube grande e glorioso como o nosso.
 
Como tudo na vida tem um lado bom, o disso talvez seja que definitivamente acabou a safra de craques e a possibilidade de grandes negócios para favorecer os espertos.
 
Sem grandes nomes para exportar e transações milionárias, os clubes serão obrigados a reduzir os salários astronômicos dos jogadores…
 
Dizia o mestre Telê que para ser respeitado, o técnico não poderia ganhar menos que os jogadores. E pra variar concordo absolutamente com as palavras dele.
 
No fim, pode ser que seja justamente essa falta de renovação, que irá nos ajudar a colocar de novo, os bois a frente da carroça. E a  sonhar com o dia que seremos novamente, uma vitrine de títulos e não de empresários.
 
Eu ainda acredito!
 
Saudações São Paulindas (especialmente para o meu corneteiro preferido, Jota Barros, que aniversaria hoje. Um beijo, com todo meu amor)!

Por Carol Nader
Twitter: @NaderCarol.