Ontem, Rogério Ceni completou 23 anos de São Paulo Futebol Clube. É um tempo considerável. 23 anos na mesma empresa. 23 anos representando o mesmo time. Nestes 23 anos, levantou taças, conquistou marcas invejáveis. Sem dúvida, o maior jogador do SPFC. Ídolo, mito. Mas também humano. Aliás, se você não leu minha coluna sobre como Rogério Ceni deve estar encarando esta fase, leia aqui: http://www.saopaulindas.spfc1935.com.br/2013/08/e-se-fosse-voce.html
Estamos enfrentando a pior crise na história vitoriosa do tricolor. A série B está aí e se nada mudar até o final do ano, é bem capaz que ano quem vem estejamos lá, tentando voltar à elite do futebol brasileiro. Nesta semana, mais um penalty perdido por Rogério e todas as críticas vieram à tona novamente: ‘já devia ter aposentando, não pode mais cobrar penalties, etc. etc…’ 
Analiso a sequencia da seguinte forma, em alguns tópicos: 
1) o elenco é fraquíssimo, mas ainda joga aquém do que poderia. Não temos líderes em campo, E aí, Rogério, um dos poucos que ainda tem liderança, assume funções que poderia já não estar desempenhando. Seu desempenho em cobranças de penalties não é bom. Já foi muito bom, mas caiu ultimamente. Basta ver os números. Alguém tem que assumir esta função. Até pra preservar o jogador mais importante que se tem na equipe. Isso é senso de preservação. Isso é preservar o SPFC, é preservar a própria história do Rogério Ceni. Também entendo que se Aloísio tivesse cobrado e errado, as críticas viriam como um tsunami sobre Rogério Ceni. Mas agora, no olho do furação, é hora de termos senso de preservação, em relação ao SPFC e em relação ao próprio Rogério. 
2) Paulo Autuori deveria conversar com alguns poucos jogadores que efetivamente cobram penalties. Ponho neste lista Aloísio, Rodrigo Caio e Tolói. São os que tem melhor aproveitamento neste fundamento. Converse com eles. Mostre vídeos de jogadores de outros times e goleiros de outros times. E treine. Treine mesmo. Aí não é cobrar meia dúzia de penalties ao final do rachão. O assunto é sério. Está na hora de preservarmos o capitão e deixarmos o seu espírito de liderança em campo. Isso o SPFC não pode perder. Até porque, em termos de liderança, não temos outro jogador em campo que sequer chega aos pés de Rogério neste quesito. 
3) Mais um erro grotesco da diretoria: trazer Adalberto Baptista de volta. Isso chama-se detonar elenco, clima, tudo o que estava um pouco melhor. Mais uma vez, está faltando inteligência à diretoria tricolor. Independente da politicagem, Juvenal Juvêncio deveria ter pensando em não tumultuar o que estava sendo melhorado. Senso de preservação. Preservar, blindar a equipe, o elenco. Algo fundamental quando o futuro é nebuloso. Impossível Juvenal Juvêncio não ter pensando que trazer alguém que é notoriamente detestado pelo elenco são-paulino só iria dar problema. E deu. As declarações pífias de Adalberto sobre Ney Franco não merecem sequer citação. Mas foram suficientes pra já tumultuar e complicar o clima interno. Senso de preservação também está em não dar declarações idiotas para a imprensa quando se é funcionário do clube. Mas o que de bom pode se esperar de alguém que foi disputar campeonato de Porsche quando o time enfrentava mata-mata? 
4) Alguns jogadores estão muito, mas muito abaixo do que podem. Espero que saibam disso. Porque estes mesmos jogadores não custam barato ao clube. E é com eles que vamos sair desta fase horrível ou iremos até a série B. Ou seja, senhores Luís Fabiano e Ganso tem sim muito a que mostrar. Luís Fabiano teve pelo menos duas chances claríssimas de gol contra o Náutico…Não fez. Sorte que Aloísio salvou a lavoura. Ganso tem toques bonitos no meio campo…Isso é muito pouco! Pouquíssimo! Está devendo várias assistências. 
5) Está na hora de fazer umas contas: quantos pontos são necessários para sair da zona do rebaixamento? Alguns jogos tem que se ganhar. Era o caso contra o Criciúma. Se perdeu, agora vai ter que tentar ganhar os pontos fora. Hoje temos o Coritiba. Fora de casa. Se ganharmos, a derrota para o Criciúma foi anulada. Se perdermos, teremos que emendar duas vitórias pra tentarmos anular as derrotas. É questão matemática. 
6) A torcida vem fazendo a sua parte. Afinal, colocar o tanto de torcedor são-paulino no Morumbi, durante a semana, não é fácil. Está na hora do time começar a fazer a sua parte. O senso de preservação tem que falar mais alto. E não só de Rogério, mas também do SPFC. Nisso, entra o fato que alguns jogadores já vem, há várias partidas, sendo fantasmas em campo: Jadson e Osvaldo. Não podem continuar titulares. 
Senso de preservação: do maior jogador que o SPFC já teve, de sua história, de sua camisa. Está mais do que na hora do SPFC aprender a se preservar. 
Thaís Cachuté Paradella.