Qual é o elemento que falta ao Tricolor? Por que diante de tantas dificuldades estamos nos apequenando em erros primários?

Para tal análise, precisamos voltar no tempo: o SPFC foi do céu ao inferno em menos de um ano. Em 2012, tivemos a melhor campanha no segundo turno, conquistando 35 dos 57 pontos disputados, e quase 62% de aproveitamento. Luís Fabiano na vice-liderança da artilharia. O que poderia dar errado no ano seguinte? A saída do Lucas realmente fez com que a equipe se perdesse tanto? O esquema tático (ou a falta dele), respondem a essa pergunta.

A insistência num desenho tático que não funcionou sem o meia-atacante foi utilizado inúmeras vezes. A dúvida na escalação da dupla Jadson e Ganso durou muitos jogos. A falta de identidade do grupo e uma característica de jogo foram ao time muito fatal.

E de repente, o primeiro jogo do SPFC em casa, na Copa Libertadores, contra o Atlético-MG, marca o início da pior fase na história do clube. Com aquela expulsão do Lúcio. Com todos aqueles gols perdidos por Ademilson.  Ali nascia a crise no São Paulo, que só piorou, com o 4×1 no jogo de volta, no Independência.

Não tivemos a partir dali sustentação para torcer com a mesma intensidade. Uma série de episódios aconteceram a seguir: a dispensa de sete jogadores e parte da Comissão Técnica, transformada num show de exibicionismo do Presidente, a demissão de Ney Franco, a parte II do show de Juvenal na apresentação de Paulo Autuori, e por último, a sucessiva série de derrotas e empates no Campeonato Brasileiro.

O problema é algo que poucos torcedores apaixonados enxergam: futebol é MOMENTO. E principalmente, numa fase de crise, a dedicação apontada por cada jogador, seja no individual ou no coletivo. E os mesmos heróis de outrora, estão hoje emperrando o caminho pra vitória. Em partida válida pelo Campeonato Brasileiro contra a Portuguesa, no Canindé, Luís Fabiano (teoricamente, o mesmo que foi vice artilheiro em 2012), extremamente apático. Quando não está impedido, está muito recuado, quase roubando a cena dos volantes, ou até mesmo zagueiros. Gratidão sim, e muita! Porém, em determinando momento da carreira, é preciso reavaliar comportamentos e alinhar se os ideais ainda batem com os do clube.

Vale lembrar a indisciplina do experiente Lúcio perante os técnicos, a afobação de Aloísio na gana de tentar salvar os jogos, entre outros fatores, porém não menos importantes, que prejudicam o grupo. O primeiro ponto a ser corrigido deve ser a tranquilidade. Temos alguns jogos pra concluir o primeiro turno. É preciso maturidade para decidir. Não há mais tempo para toques errados e sem consciência, e muito menos, tempo para sustentar orgulhos feridos. A Diretoria do SPFC já foi responsável nos últimos dias por muitos episódios vexatórios, razões estas que afundaram ainda mais o Tricolor Paulista.

TRANQUILIDADE. Essa é a atitude para sanar pênaltis perdidos, mãos na bola e passes tão amadores e desesperados. Todos por uma só voz, por um só motivo. Os torcedores nunca deixarão de amar o clube. A política do clube precisa ser reformulada. Mas nosso interesse, por ora, é dentro de campo.  O SPFC é campeão de inúmeros títulos, a perder de vista. Um capitão líder que é exemplo de garra, de lutas e de vitórias. Falta ainda um elenco mais técnico, mais consistente. O tempo amadurecerá nossos jogadores e trará pessoas com tais características, mas antes, o atual grupo precisa ter foco e se esforçar para criar uma identidade, para que os próximos que chegarão trabalhem num ambiente seguro e estável, sem estrelas e sem dar atenção à mídia que sobrevive da crise dos clubes.
AVANTE, MEU TRICOLOR!

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Por: Aretha
– Aretha está participando do processo de seleção de novas São Paulindas do SPFC1935.
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