Imaginem a seguinte situação: você trabalha há vinte anos para a mesma empresa. Não é pouco tempo. A idade chegou e sua aposentadoria compulsória já se apresenta ao final do ano. Sua empresa não vai bem das pernas, mas você já teve momentos brilhantes nesta mesma empresa. Tem o reconhecimento de quem acompanhou sua trajetória. Mas também há críticas…De muitos. Muitos não entendem o que você é na empresa e o que você representa. 
De uns tempos pra cá, você (que tem o senso crítico apurado) também se questiona. ‘Será que deveria ter parado quando ainda estava no topo?‘. Aí você pega os jornais e lê o que está acontecendo: a empresa que você trabalha, que você tanto ama, nunca esteve pior… Está pra cair,  ser rebaixada. É uma sequencia de derrotas, que parece que não acaba nunca. 
Aí você olha seus companheiros: alguns estão tentando, outros nem tanto assim. Logo você, que sempre trabalhou e se esforçou. Exemplo a ser seguido. Era o primeiro a chegar e o último a sair. Aí vê outros colegas fora por lombalgia…Então né…Você já jogou muito machucado e agora era a hora de se unir em torno de um ideal. Mas as lesões não são o principal problema. Estes colegas, quando entravam em campo. eram imperceptíveis, passavam em branco. Isso quando ainda não prejudicavam mais a empresa, com expulsões… Mas muitos ainda defendem este colega. 
Nunca houve punições pra nenhum colega. Não importa o desempenho, não importa nada. Estranho pois deveria ter tido. Afinal, é uma empresa. Produtividade tinha que fazer parte de qualquer contrato, mas não é assim que acontece. 
E justamente a sua principal característica é tão criticada. Você sempre foi um líder. O cara que chega cedo e sai tarde. O cara que vai além. Líder nato. Respeitado. Mas muitos, fora da empresa, não o respeitam. Não entendem como um cara pode exercer tanta liderança. Engraçado que você vê outros funcionários em outras empresas sendo elogiados por características de liderança semelhantes… Estranho como é este mundo da imprensa esportiva… De imparcial não tem nada, pelo contrário. Reflete paixões, preconceitos e conceitos pré-estabelecidos. Fizeram até um contador pra quantas horas faltam para sua empresa cair… Piada? Não, antes fosse… 
A empresa está uma bagunça: a diretoria acha que está em outro planeta. Não vê a gravidade da situação. Uma grande parte dos funcionários também não. Erros primários são cometidos. Você até sai da sua posição e tenta re-organizar a bagunça instalada. Mas não adianta. Você é um só. E mesmo você defendendo tudo, salvando a empresa de derrotas, não é o suficiente pra garantir bons resultados. Você também comete erros, lógico, quem não? E aí, qualquer erro vira uma certeza pra muitos que você deveria já ter saído da empresa… 
Hoje há mais um embate. Mais uma chance de tentar tirar a empresa deste buraco. Fico imaginando o que você está pensando. Final do ano você provavelmente vai sair da empresa. Já avisou isso. E onde esta empresa vai ficar? Na série B? Como você deve estar encarando isso… Seu último ano na empresa, uma história tão vitoriosa terminando assim? Deixando a empresa onde antes ela nunca esteve, tão baixo… E o duro é que seus colegas não o ajudam muito…E você depende deles… E não só eles. Toda uma massa da terceira maior torcida do país depende destes 11 funcionários que entram em campo hoje, contra o Flamengo. 
A dúvida é: por pior que sejam, será que eles não conseguem uma sequencia de vitórias pra tirar a empresa desta situação? Em nome do que esta empresa é (e aí, dane-se a diretoria ou quem dirige a empresa erroneamente!), já foi, em nome do que esta camisa representa…E em nome de um dos maiores funcionários que esta empresa já teve, Rogério Ceni, estava mais do que na hora, dos 10 do time facilitarem um pouco seu último ano no São Paulo Futebol Clube
Saudações tricolores!
Thaís Cachuté Paradella