Saudações tricolores! 
Esta semana tivemos a saída do polêmico e odiado pelo elenco diretor de futebol Adalberto Baptista. Sua saída foi até comemorada por alguns jogadores da base via mídias sociais, ou seja, aparentemente não eram só os torcedores que não enxergavam nele uma pessoa competente e apaziguadora. 
O tricolor enfrenta uma crise sem precedentes: na zona do rebaixamento do Brasileiro, segue em uma sequência de derrotas nunca antes vista, incluindo vários jogos no Morumbi. E hoje enfrenta o rival Corinthians, time que não vence já algum tempo, e depois sai para a Copa Audi. Quando voltar, terá jogos a mais e certamente ainda estará na zona de rebaixamento. Ainda há muitas rodadas do Brasileirão e times como Flamengo, Fluminense e Cruzeiro já flertaram por várias rodadas com a zona do rebaixamento em edições anteriores e conseguiram escapar. Por outro lado, Palmeiras, Corinthians, Atlético-MG e Grêmio não conseguiram escapar da foice e disputaram a segundona. Bem, crise instalada, como proceder? 
Pra entendermos o título desta coluna, vou parafrasear a opinião de dois comentaristas esportivos. O primeiro, Juca Kfouri, no programa Linha de Passe da ESPN-Brasil, disse algo que concordo e tentarei resumir aqui, usando as minhas palavras, até porque nem todos os leitores desta coluna tem ou tiveram acesso a este programa: Juvenal Juvêncio poderia ter sido o melhor presidente do SPFC. Afinal, assumiu após a conquista de um Mundial e com ele, chegamos ao tri-Hexa brasileiro. Não há como negar as conquistas de Juvenal Juvêncio. E aí que ele mesmo deveria ter cumprido seu último mandato e passado o boné. Renovação é também preservação. Juvenal seria admirado por torcedores e lembrado como um grande vitorioso. Ao tentar se perpetuar no poder, fazendo uma jogada política, mudando o estatuto e permanecendo mais tempo que devia, Juvenal manchou sua própria biografia. Agora, não será lembrado pelo tri-Hexa. Será lembrado por toda esta crise, por estar sendo um ditador e por não permitir oposição a ele no clube. Ou seja, suas conquistas e sua biografia estão sendo encobertas por todo este lamaçal. 
Ainda parafraseando opinião de comentarista esportivo, aqui vai de outro que, confesso, sou uma grande admiradora do jeito que comenta: Paulo Calçade comentou, no mesmo programa, que não há seguro anti-crise. E não há mesmo. Clubes dos mais variados passam por crise e a crise chegou no clube que se pensava que não iria jamais passar por crise. Bom, a crise está aí. E como o clube vai lidar com ela? Aqui entra a minha opinião: a saída para o presente está (e não está) no passado glorioso do SPFC. 
O SPFC teve uma fase gloriosa e vitoriosa, sob a tutela de Juvenal Juvêncio, quando estava cercado de profissionais competentes. Rosan, Turíbio, Carlinhos Neves, Marco Aurélio Cunha, todos estes, cada um na sua área, foram grandes responsáveis por todas as conquistas. Coincidentemente, nenhum deles está mais no clube. A figura do diretor de futebol tem que ser próxima aos jogadores. Não adianta você ter alguém que é o seu ‘braço direito’, mas que é detestado pelo elenco. Ou seja, o que Juvenal precisava entender é que quanto mais você se cerca de puxa-sacos, pior será seu desempenho. Puxa-sacos são por definição incompetente. Nunca ouvi falar de uma pessoa comepetente que fosse puxa-saco. Pessoas competentes se garantem pelo seu desemepenho e não por ficar puxando-saco de seja lá quem for. É a mesma atitude que condeno de alguns comentaristas esportivos no Twitter que só dão block a cada vez que qualquer um discorde de sua opinião, mesmo educadamente. Isso é infantil e absurdo! Tudo na vida só vai pra frente se você tem uma opinião contrária, visto de outra forma. O que Juvenal não entendeu é que se cercar de pessoas que só dizem ‘Amém’ a tudo o que ele fala ou faz só iria terminar em tragédia para o clube. Isso o transforma em um ditador, tão parecido quanto Alberto Dualib e Mustaphá Contursi em Corinthians e Palmeiras, respectivamente. Oposição é sempre necessária. 
A resposta pode só não estar no passado não em termos administrativos, mas em termos de jogadores. Ficar com os mesmos, tentar repatriar jogadores que foram ‘importantes’ (destaque para as aspas, pois nunca achei o Luís Fabiano tão ídolo quanto muitos são-paulinos acham…Pra mim, ídolo do SPFC é Raí, Careca, outro nível de jogador e o que estes representaram para o clube!). A história de contratar jogadores em fim de contrato provou-se boa há alguns anos, hoje não mais. Precisamos de reforços, pois o time é fraco. Jogadores ditos ‘medalhões’ (ou experientes) não deram nem um pouco certo desta vez (vide o desastre ´que está sendo Luis Fabiano e Lúcio, este último até já cortado da excursão da Copa Audi e deve ser dispensado), ao contrário de Luizão e Amoroso, que foram fundamentais nas conquistas de 2005, mas o perfil de Luizão era totalmente contrário do briguento e cheio de ‘mimimi’ Luís Fabiano. Acho que agora, mais do que tudo, jogadores que cheguem pra jogar. Não dá pra (de novo!) ter jogador que chega machucado, fora de forma…Tem que chegar e jogar! O SPFC precisa disso, urgente! 
O SPFC pode trazer o lateral Luís Ricardo da Portuguesa (esperamos que sim!), mas precisa de mais. Juvenal Juvêncio tem que entender que, nesta crise sem precedentes, precisa urgente se aproximar de quem o ajudou a ser vitorioso e trazer reforços para o time. Só assim que o time vai sair da crise. 
E só pra terminar, uma foto que resume bem a semana e o que quero dizer. A foto é do meu amigo Borges e mostra o então papa João Paulo II, segurando uma mão de Juvenal Juvêncio e a outra de Marco Aurélio Cunha. Ao fundo, Careca. Precisa dizer mais? 

Thaís Cachuté Paradella.