Saudações tricolores!
O SPFC está de técnico novo: Paulo Autuori assumiu o tricolor. O nome da torcida era outro pra técnico, Muricy Ramalho, mas pelo o que li e me informei, algumas razões pesaram contra o nome do ex-técnico tricampeão brasileiro pelo SPFC: 1) não usar jogadores da base (isso é fato. Muricy não usava muito os garotos de Cotia em seus times; 2) ter forte ligação com a oposição são-paulina (o que seria ótimo, mas pouco provável, pois já é bem conhecido o fato de Juvenal Juvêncio estar cercado de pessoas que o apóiam, não que o questionam). 
O elenco do SPFC não é ruim, mas também não é fantástico. Faltam peças e pela coletiva de Juvenal Juvêncio (sim, porque mais ele falou do que o novo técnico), não teremos contratações à vista. Ou seja, prezado torcedor são-paulino, talvez tenhamos que nos contentar com este elenco mesmo, até o fim do ano. 
Este elenco, jogando como está, briga pra não cair para segunda divisão. Está jogando muito abaixo do que pode. É urgente a necessidade de um pouco de motivação e orientação pra alguns jogadores: 
– não dá pra Ganso jogar pouco como vem jogando. É necessário que ele participe mais do jogo, fique mais junto à Jadson e dê mais bolas enfiadas. Foi contratado para isso, tem que começar a fazer valer pelo menos parte do que o clube investiu nele; 
– não dá pra defesa tomar gols, de cabeça, por erros de posicionamento; 
– não dá pra nenhum lateral conseguir cruzar meramente bem uma bola;
– não dá para os volantes não marcarem. O número de bolas roubadas (ou desarmes) no time do SPFC é muito baixo, sobretudo se compararmos com o número de faltas cometidas. Faltas cometidas por volante é uma coisa. Falta cometiva por atacante é outra. Atacante não pode cometer faltas idiotas no meio-campo. 
– não dá pra ser expulso e ter uma média alta de cartões/expulsões quando você é a referência no ataque. 
Se eu fosse o técnico são-paulino teria uma boa conversa com o elenco. Mostraria os erros (que são muitos) e tentaria dar algumas soluções. E daria uns dois jogos para o elenco entender o recado. Caso o desempenho fosse igual ao que foi no último jogo (SPFC x Bahia foi um dos piores jogos do SPFC no ano, daqueles que dá vergonha de ver seu time jogando tão mal, errando tantos passes, sem nenhum padrão tático ou técnico e com boa parte do time pouco interessado em mudar o placar), pediria ao presidente do clube que houvesse punição no salário. Se você é expulso, prejudica o time. Logo, terá uma multa no seu salário, simples assim.
Mimo e proteção nunca fizeram bem a nenhum grupo. E o clube tem que começar a funcionar como uma empresa, embora muitos comentaristas esportivos não pensem assim. O clube nada mais é do que uma empresa. E assim tem que ser encarado. E no Brasil, clubes que devem milhões, milhões e milhões são exatamente aqueles que não pensam como empresa, contratando jogadores por salários altíssimos, quando não tem condições de pagar, ou técnicos com salários altíssimos, não pagando férias, INSS, etc. 
Quando o jogador é expulso, ou não corre em campo, ou simplesmente entrega os pontos, é a empresa que ele está prejudicando. Os jogadores de hoje recebem um ótimo salário. São poucos os que jogam ‘por amor’ ao clube, aliás, quantos realmente gostam de estar no SPFC? E dizer que é ‘super são-paulino’ e ter um desempenho medíocre em campo não melhora nada, pelo contrário. Dizer que é ‘super são-paulino’ é um extra, quando seu desempenho é bom. Se seu desempenho é fraco, jogo após jogo, não adianta dizer que torce para aquele time se você não ajuda o time em campo. 
O melhor exemplo é o próprio Rogério Ceni. Sim, super são-paulino, mas por que todos os tricolores relevam suas falhas (sim, infelizmente algumas vezes o M1TO falha…)? Porque ele já tem um histórico de um desempenho fantástico, com a conquista de um mundial sendo o melhor jogador em campo. Isso fora um tricampeonato brasileiro, no qual ele fez inúmeros gols e defesas, sem as quais o SPFC não seria campeão. 
Por que nos esquecemos que Raí errou penalty contra o Corinthians? Porque ele fez dois gols no Mundial de 1992 e outros inúmeros gols e passes, que levaram a inúmeros títulos ao fantástico time do SPFC de 1992. 
Meu ponto é: para que possamos relevar falhas de jogadores como Juan, Luís Fabiano, Tolói, eles tem que demonstrar um histórico muito maior do que possuem. E se o clube fosse encarado mais como uma empresa, jogadores com baixíssima produtividade não passariam perto do time titular por muito tempo. 
Se este é o elenco que teremos até o fim do ano, espero que Autuori possa melhorar o ânimo e o desempenho destes jogadores até o fim do ano. Pois se o futebol do SPFC continuar exatamente como está, este elenco caríssimo nos levará direto para a série B de 2014. E seria um péssimo jeito de encarar o último ano de Rogério Ceni no SPFC. 

Thaís Paradella.