Saudações tricolores! 
Ney Franco foi demitido do tricolor nesta semana. Já não era hora. Não havia como continuar. Independente de você achar que técnicos devem permanecer por muito tempo em um time (como era Fergusson no Manchester United), não há como negar que o time do SPFC não apresentava padrão de jogo. O time parecia um ‘catadão’ de jogadores, que se reuniam na hora do jogo pra jogar. Sabe aquela coisa de ‘jogo de futebol do final de ano da empresa’? Então, não era muito diferente, não…! 
Ney insistia em algumas peças que não davam certo. Douglas foi o eleito da torcida, mas outros problemas também eram claros: volantes que não marcavam, posicionamento errado da defesa, marcação em cima do Osvaldo matava qualquer probabilidade de ataque…Enfim, tudo isso começou a pesar para o treinador. A derrota para o rival na Recopa foi a gota d’água. E agora, quem vem? 
Bem, alguns pontos são fundamentais para entender o que o novo técnico do SPFC irá encontrar: 
1) O ambiente interno não é dos melhores. O novo técnico tem que ser agregador, ou seja, saber conversar, unir os atletas em torno de um objetivo. Não dá pra chegar um técnico que se acha ‘a estrela’ e sequer dar atenção aos atletas. Não irá funcionar. 
2) O elenco é este. O técnico tem que entender que os atletas à disposição são estes, ou seja, vai ter que se virar pra montar um time meramente competitivo com eles. Não pode chegar achando que a diretoria vai trazer Messi, Iniesta e Xavi para o time. Claro que eu acho que falta um volante marcador, um lateral decente, um zagueiro que saiba se posicionar e um atacante rápido. O elenco não é dos melhores. Faltam peças, isso é óbvio. Mas o planejamento foi desastroso pra 2013. Até o próprio Ney Franco deveria ter sido dispensado do SPFC antes da Copa das Confederações, para que o novo treinador pudesse ter todo este tempo de paralização para treinar o time. Mas a diretoria do SPFC está se especializando em não planejar absolutamente nada.
Os nomes mais citados ultimamente são Muricy Ramalho, Vanderley Luxemburgo, Dorival Júnior e Paulo Autuori. Vamos aos prós e contras de cada um: 
1) Muricy Ramalho: há mais prós que contras. O técnico tem enorme identificação com a torcida e um currículo invejável. Foi tri-hexa com o SPFC e conquistou, com o Santos uma Libertadores e alguns Paulistas e com o Fluminense, um Brasileiro. Ok, ok, no Santos tinha o Neymar no time. Tinha. Mas Dorival Júnior também tinha e não conseguia fazer a coisa fluir. Muricy é respeitado pelos atletas (com o currículo que tem, óbvio que seria). O contra seria jogos mata-mata. Ele não tem uma bela experiência no SPFC neste tipo de competição. Sua especialidade é o Brasileirão. Minha opinião? É o melhor nome no momento. E se a diretoria do SPFC for inteligente, moverá montanhas para trazer Muricy, pois qualquer outro que vier, em sua primeira derrota, o grito ‘É Muricy!’, vai ecoar das arquibancadas, como já acontecia quando Ney Franco era técnico. 
2) Vanderley Luxemburgo: já foi um dos melhores técnicos do Brasil, mas seus últimos resultados não são animadores (Flamengo e Grêmio). Geralmente, pede muita coisa: vários jogadores, treinar em Atibaia, etc. Vai ter que treinar um elenco já pronto, em um CT que já existe. Terá que ser mais técnico que “manager”. Poderia sim ser um bom nome há alguns anos. Hoje, no momento do SPFC, não vejo Luxemburgo como o agregador que o clube necessita. 
3) Dorival Júnior: o técnico que também não tem resultados animadores em seus últimos clubes geralmente é de fácil convívio. Talvez fosse interessante tê-lo para conseguir subir alguns meninos da base (já que Muricy, por ex., não costuma usar tanto as peças a serem reveladas). Talvez se tivesse mais tempo para trabalhar, fosse um nome interessante. 
4) Paulo Autuori: o atual técnico já está contratado pelo Vasco. O Vasco não está pagando salários. Com todo respeito ao futebol carioca, mas tanto Vasco quanto Flamengo tem um histórico de contratar jogadores/técnicos, com salários muitas vezes altos, e não conseguir honrar seus compromissos financeiros. Ou seja, se você é técnico e vai trabalhar em um destes times, já saiba que existe uma chance enorme de você ficar sem seu salário. Autuori também não tem resultados expressivos em seus últimos anos. No SPFC, conseguiu ser campeão da Libertadores e do Mundial em 2005. Tem menos identificação com a torcida que o Muricy e creio ser o nome menos provável, pois teria que primeiro sair do Vasco, depois ir para o SPFC, o que resultaria em mais alguns dias sem técnico. 
É importante que o torcedor entenda que toda esta bagunça formada no clube tem nome e sobrenome: Juvenal Juvêncio. O presidente do SPFC mudou o estatuto do clube, alongou sua permanência no poder, eliminou qualquer funcionário mais crítico que o clube possuía (por isso, saíram Rosan, Turíbio, Marco Aurélio Cunha), e se cercou de puxa-sacos que dizem ‘Amém’ a tudo o que ele faz (Adalberto, Milton Cruz, etc). Em um mundo como hoje, quem é bom, bom  mesmo, deixa seu trabalho falar por ele e não precisa ficar puxando o saco de ninguém para se garantir em um emprego. Geralmente quem é puxa-saco não tem tanta qualidade assim. Aí o torcedor consegue entender porque o planejamento para 2013 foi inexistente. 
Vamos aguardar esta semana (e os dois jogos que seguem) para ver como o time se comportará. Hoje contra o Santos pode até acontecer uma vitória, uma vez que o adversário não é forte e o time pode tentar se esforçar, justamente pra mostrar que o técnico era um problema. Mas a diretoria tem que se apressar. Se o SPFC quer ter alguma chance no Pacaembu contra o Corinthians, é bom trazer o novo técnico logo. 

Thaís Paradella.