Por Camis Carvalho – @camisspfc
Ontem aconteceu a primeira derrota do Tricolor no Brasileiro, que nos colocou em segundo lugar. Um jogo apático e surpreendente (negativamente falando), já que o adversário era o Goiás, que encontra-se em crise e com uma campanha nada louvável. Diante dessa postura do time, e do resultado, a torcida perdeu a paciência. Perdeu a paciência com os jogadores, com o técnico, com o presidente, com tudo. 
No momento em que começaram a ecoar os gritos de “É Muricy!” confesso que meu coração se balançou. Eu, “muricete” assumida, ainda me arrepio com esse coro, e sinto uma saudade enorme de ver o pupilo de Telê no comando do São Paulo. Mas, alguns minutos depois, comecei a refletir e fiquei imaginando como se sentiria Ney Franco com o nome de outro técnico gritado pelos torcedores? Não vou mentir, já perdi a paciência com o Ney, já passei raiva com seus improvisos e com escalações que eu não concordava. Mas no aspecto geral, acho que ele não está negativo. Um time não é só treinador, não dá pra atribuir derrotas nem vitórias apenas a uma pessoa. E admito que senti compaixão pelo nosso técnico, eu não gostaria de estar na pele dele naquele momento.
Muitas vezes perdi a paciência com alguns jogadores, desejei que eles sumissem do planeta e nunca mais vestissem a camisa do meu time. Dá vontade de xingar, de bater, de fazer até coisa pior. Mas e os outros? São 11 jogadores em campo vestindo o manto, será que é justo uma torcida inteira se irritar e deixar de apoiar o time todo, quando a insatisfação é com apenas um? É fácil falar, mas na hora da raiva nós ficamos cegos, não somos racionais. É apenas emoção.
Muitas vezes me pergunto o que leva um torcedor a sair do conforto de sua casa, pegar metrô, ônibus, trânsito, enfrentar o difícil acesso ao Morumbi, para não dar nem um pingo de apoio. Tem gente que vai pro estádio apenas para xingar e reclamar, mesmo quando nada está tão ruim assim. Isso já me tirou do sério muitas vezes, especialmente quando estou no estádio. Mas hoje eu penso que essas pessoas também fazem sua parte, compram ingresso, contribuem com a renda da partida, e fazem as necessárias cobranças também. Porque cobrar também é necessário.
O que me deixou confusa em minhas reflexões, é que elas estavam extremamente contraditórias. Acho que dá para perceber isso nesse texto. Mas afinal, existe amor sem contradição? Pequei em muitas vezes tratar essa paixão que nós, torcedores, nutrimos, como algo racional. Nem sempre existe razão onde existe paixão. 
Amar é isso mesmo. Amar é se deixar encantar e minutos depois, perder a calma. Amar é jurar estar sempre ao lado, mas muitas vezes ter vontade de sumir dali. Amar é querer dar todo apoio, mas dar puxões de orelha quando algo está errado. Amar é querer bem, querer o melhor. Amar é nunca se contentar com pouco. Amar é mais do que contraditório. Amar é paradoxal.
Foto: santazona.blogspot.com
Não quero tornar minha coluna de hoje um texto romântico. Minha intenção foi apenas de mostrar – inclusive a mim mesma – que o comportamento dos torcedores, muitas vezes tão incoerente, é justificado pelo simples fato de que esse sentimento que nos move é o amor, a paixão. Assim, não há porque buscar uma razão matemática em algo que é tão abstrato e inexplicável.
Prometo me lembrar disso e não mais me sentir envergonhada por ter sensações antagônicas. Nem mesmo me irritar quando eu discordar da postura de outros torcedores. Não vou mais buscar explicações. Porque o amor não tem explicação.
Avante, Tricolor!