Saudações tricolores!
Hoje o SPFC enfrenta o Atlético-MG, fora de casa, válido pelo Brasileirão. O campeonato está bem no início, mas algumas coisas já são possíveis de se notar: 1) O SPFC tem um time competitivo em termos de pontos corridos; 2) Há alguns times bem fracos na série A, dentre eles, Ponte e Vasco; 3) Pontos corridos é sempre a mesma cosia: todo jogo vale 3 pontos, ou seja, tem que ganhar em casa, não perder muitos clássicos e tentar beliscar pontos fora de casa. Perder fora de casa é aceitável. Perder clássico também. Perder no Morumbi é imperdoável. 
Mas o assunto da coluna de hoje é outro. Lanço a seguinte pergunta: o que leva uma pessoa a escolhar um time? E será que é mesmo uma escolha? 
Sempre me perguntei isso. Acho interessante ver famílias em que pais e filhos torcem pelo mesmo time. Do mesmo jeito que há também pais que torcem para um time e filhos que torcem para seus respectivos rivais. O que leva isso? A quem tem filhos pequenos, será que se desde início você levar seu filho ao estádio, comprar camisas, demonstrar paixão ao pequeno, ele irá seguir o mesmo caminho, em termos de time, que você? A influência da família é grande, mas será que é só isso? Acredito que não seja tão simples ou racional assim…
Ou será que a ‘fase’ de um determinado time tem muito com esta escolha? É interessante ver como que  adultos hoje, mas que eram adolescentes paulistas em 1992/1993 lembram com carinho da melhor fase que o SPFC já teve, com Telê Santana. Como o olho brilha, a descrição das partidas, do esquema tático, daquele que foi duas vezes o melhor time do mundo. 
Há torcedores do SPFC espalhados por todo Brasil, embora uma parte significante da mídia insiste em afirmar que só existe Corinthians ou Flamengo no país, o que não é verdade. Mas não há como notar a presença maciça de torcedores de clubes cariocas em estados do Norte e Nordeste, muito porque a televisão só leva jogos deste time (sobretudo Flamengo) a estes estados. 
Do mesmo jeito que a torcida do SPFC deu um ‘boom’ de 2005-2008, devido aos títulos da Libertadores, Mundial e Tri-Hexa Brasileiro. Isso acaba influenciando. Seja por uma lado, seja por outro. Ou seja, muitas vezes a criança começa a notar aquele time, não pelo jeito que joga, não pelo esquema tático, mas sim pelo o que aquele clube representa. E não há quem não diga que neste período, o SPFC representou títulos. 
Há também o garoto que não se identifica com isso. Identifica sim com o clube que caiu, pois aí vem aquela cosia de ‘vamos tirar o clube do buraco’. Juntos somos mais fortes. Isso também existe. 
O fato é que a torcida do SPFC cresceu muito nos últimos anos. Mas também tornou-se uma torcida extremamente crítica e exigente. É óbvio que seria assim. Estamos sim acostumados com o time brigando lá na ponta. Coisas como ‘rebaixamento’ não fazem parte do nosso currículo. Também acho que futebol é cíclico, nem sempre dá pra estar na ponta, mas é obrigação do SPFC ao menos tentar. Não pra conquistar mais torcida, não é este este o objetivo. Mas sim pra honrar o que este clube é e já foi. Pra desespero dos rivais, o SPFC é o clube mais vitorioso do Brasil. Nenhum clube (nenhumzinho!!) já chegou onde o SPFC chegou em termos de título (aqui abro espaço para um detalhe: nenhum título com asterisco!). Ser tri-campeão Mundial é pra pouquíssimos. E ser Hexa Brasileiro (mais uma vez, sem asterico) também! Na verdade, só para o SPFC. Se vamos estar na ponta do Brasileirão, não dá pra saber. Agora, é mais que obrigação dos jogadores, tentarem estar. 
E você? Como nasceu a paixão pelo SPFC? Foi uma escolha ou foi algo que simplesmente brotou? 
No meu caso, quando me dei por mim, já era são-paulina. Não analisei friamente dados. Simplesmente me apaixonei por aquele time de três cores, que representa o estado que amo e vivo. Isso foi ao final da década de 80, quando o SPFC disputou a final do Campeonato Paulista com o São José, no Morumbi. Naquela final, eu que sou de São José dos Campos, sabia: aquele era o meu time! Vivi com muita paixão a ‘era Telê‘. Passamos pelo período de vacas magras da reforma do Morumbi. E aí veio o tri-mundial e o Hexa Brasileiro. Não é questão só dos títulos. Quando o SPFC entra em campo, meu coração bate mais forte. Quando a torcida canta o hino, são aquelas palavras que me definem. Por isso canto alto, seja na arquibancada do Morumbi, seja pulando feito uma louca na frente da TV. O SPFC é o clube que me representa. Gosto da idéia da organização, de ter o Morumbi como estádio, de ter um time que tem o CT que tem, Reffis, Cotia. É padrão de primeiro mundo (e por isso que muitos detestam o SPFC: não há aquela malemolência, jeitinho que o Brasileiro tanto presa). Gosto de termos só dois uniformes. Não mudamos nosso manto sagrado toda hora, com cores estapafúrdias. É a tradição em campo. Claro que há problemas, lógico. Não é um mar de rosas. Mas em muito menos tempo que nossos rivais, não há como negar que ‘as tuas glórias vem do passado’ e que ‘de São Paulo tens o nome, que ostenta dignamente’
Thaís Cachuté Paradella.