Saudações tricolores! 
O primeiro semestre acabou para o tricolor. O saldo não foi positivo: o time foi eliminado nas semi-finais do Paulista pelo Corinthians e foi também eliminado nas oitavas de final da Libertadores pelo Atlético-MG. Fica a sensação (para todo são-paulino meramente crítico e que acompanha o dia-dia do clube) que era uma tragédia anunciada. E por que isso? 
Bem, apesar de muitos não considerarem isso, o SPFC deveria ser encarado como uma empresa. Afinal, tem funcionários e consumidores (sim, nós, torcedores somos os consumidores). E esta empresa não vai tão bem das pernas assim… Não vou entrar em detalhes de dívidas e renda, não é este o objetivo da coluna de hoje. É algo um pouco mais administrativo que isto. 
Como uma empresa, há regras (no caso, o estatuto do clube). Este estatuto foi alterado recentemente para garantir na continuidade do poder o presidente, Juvenal Juvêncio. Erro crasso. Juvenal está no poder há bastante tempo. Sim, conquistou muitos títulos sob sua tutela. Mas alguns títulos esconderam erros e foi assim com a conquista da Sul-Americana em 2012
Para que o leitor entenda onde quero chegar, farei uma comparação. Há alguns anos, uma empresa vendia uma conhecida loção de limpeza facial. Estava anos no mercado e era adminstrado pelas mesmas pessoas. Era um produto que fazia sucesso. No entanto, seus concorrentes começaram a ver porque o produto fazia sucesso, afinal atraía um público específico, era facilmente encontrado e tinha um bom resultado. As vendas começaram a cair, uma vez que seus concorrentes começaram a vender produtos semelhantes, sob outros rótulos. A empresa ficou a perigo! Bem, o que foi feito? Mudança radical, começando pela cúpula. O presidente, diretores, foram todos afastados e foram contratadas pessoas específicas para cada área (a idéia de um grande ‘salvador da pátria’ não foi usada, mas sim várias pessoas competentes), o conceito permaneceu o mesmo, mas o marketing foi revisto para aproximar mais o produto de seus consumidores. O resultado veio, a longo prazo: o produto voltou a ser o número 1 em sua categoria. 
Com o SPFC está acontecendo algo semelhante: infelizmente estamos no momento a perigo. Nossos concorrentes (sobretudo o Corinthians) aprenderam que sem um bom trabalho, grupo fechado, técnico respeitado, não se vai longe. O marketing do SPFC não é bem-feito, afinal mudaram todo o Sócio-Torcedor sem pensar em quem não vai ao Morumbi, como se só existissem torcedores tricolores na cidade de SP. Onde está a parte do plano voltada ao torcedor do interior ou de outros estados? E plano baseado em jogador? Menos, bem menos. O plano tem que ser voltado sempre ao clube, nunca a um jogador. 
Juvenal dispensou profissionais excelentes, top em suas áreas: Rosan, Turíbio que o digam. Idealizaram e mantinham o Reffis. Marco Aurélio Cunha também saiu. Ou seja, o presidente está cercado de pessoas que só dizem ‘sim’ ao que ele fala…Qual a diferença disso para Dualib e Mustafá, no Corinthians e Palmeiras? Alguns funcionários do SPFC não rendem ao clube o que deveriam. Exemplo? Ora, Milton Cruz indica e indicou vários e vários jogadores…Quantos deles realmente renderam no clube? Faça as contas…
A ‘empresa’ SPFC não rendeu absolutamente NADA no primeiro semestre. Sequer chegamos à disputa de um título. Não é questão de mandar todo mundo embora (na empresa que usei como exemplo não foi feita assim), mas é necessário uma renovação, urgente! Cotia custa aos cofres do SPFC, então tem SIM que produzir para o clube. Precisa-se urgente de laterais. Não há nenhum em Cotia? Ok, então contrata-se. Não dá pra subir um jogador e ele nunca jogar, adaptando outro em sua posição, que não joga bem. Isso é erro! Temos sérios problemas na defesa, sérios. Não dá pra pagar um salário altíssimo para um jogador da defesa (Lúcio, no caso), sendo que a defesa tomou vários gols nos últimos jogos. ‘Ah, mas ele estava suspenso’…Suspenso por uma expulsão idiota? Então, não é um jogador que pode-se confiar em momentos decisivos. Não tem porque permanecer no clube. 
Luis Fabiano esteve fora de vários jogos importantes… Foi contratado para ser decisivo em momentos importantes e não para estar fora deles. Se era pra ser assim, tinha que ter um bom reserva. Tomou uma suspensão exagerada? OK, mas por que foi conversar com o árbitro. Não havia necessidade. Se suspensões/expulsões questionáveis davam multa no salário anos atrás (quem não se lembra dos 10% do salário do Dagoberto?), por que não agora? 
O marketing do SPFC é patético, pra não dizer absurdo. Não vou nem mencionar a camisa vermelha… O clube parece ‘gostar’ de manter uma certa distância de seus torcedores, pois os mais críticos são unânimes em dizer que algo precisa urgente mudar no clube. Dispensar alguns atletas só não é suficiente. Temos que mudar a cúpula, diretores, trazer gente competente. Formar uma base forte, se isso significa ficar algum tempo sem ganhar títulos, OK. O que não dá é ficar perdendo clássico, ficar perdido dentro de campo, como foi no último jogo contra o Atlético. 
Infelizmente, enquanto nada for feito, esta ‘empresa chamada SPFC’ vai ficar a deriva…E o duro é perceber que, assim como a empresa que usei como exemplo, esperamos que a mudança seja feita logo. Afinal, seguir o mesmo caminho de Corinthians e Palmeiras (chegar até a segunda divisão pra aí fazer alguma coisa), não parece ser muito inteligente. 

Thaís Cachuté Paradella.