Saudações tricolores!

Ontem o SPFC com seu time reserva perdeu para o XV de Piracicaba em pleno Morumbi. Foi 1×0, mas poderia ter sido 2×0, 3×0 fácil, fácil, se Denis não tivesse feito duas defesas milagrosas. 
O time do SPFC parecia andar em campo. Não apresentou vontade, parecia que tinha jantado uma bela feijoada antes do jogo… E aí pergunto: não foi sempre assim, foi? 
Não, não foi. Em um passado, o time reserva do SPFC honrava a camisa que usava. Só pra vocês terem uma idéia, o time reserva do SPFC já foi chamado de ‘expressinho’ e foi o terceiro melhor time da competição paulista, ficando atrás só do time titular e de outro grande paulista. Este mesmo time, reserva, mas que contava com Caio, Catê, Juninho e Rogério Ceni, foi campeão da Conmebol. Quer honrar mais a camisa que isso? 
Pois é, eu sou de um tempo que quando você está no time reserva, quer mostrar serviço e subir logo para o time titular. Quer comer a grama, pra mostrar que merece estar entre os 11 que começam cada jogo. Sou de um tempo que garoto, quando vem da base, não vem cheio de marra, achando que já é o Messi ou o Romário. Pelo contrário, garoto da base é humilde (afinal, só de ser chamado entre os profissionais já é uma honra), mostra personalidade dentro do campo e não fora dele. Mostra dentro das quatro linhas porque logo, logo virará titular dos profissionais. Garoto da base aguenta todas, só pede pra sair quando está estourado e, algumas vezes, se tem que sair porque está machucado sai chorando, porque queria ficar. Acho que esta realidade no SPFC não existe mais…
Realmente o mundo mudou. O SPFC mudou… E mudou pra pior. Quando se pensava em elencos competitivos, se imaginava que um time reserva ao menos iria tentar jogar. Com exceção de Denis (o único que defendeu bem a camisa que usava, até porque o gol do XV foi falha da defesa e não dele…Bola alta, no segundo pau, Rhodolfo perdeu a disputa no alto para o jogador do XV que cabeceou no canto e no chão, impossível para o goleiro tricolor fazer alguma coisa), todos ontem pareciam não estar muito aí com o jogo não… 
O rol de desculpas dos torcedores também não me convence: ‘Já estamos classificados no Paulista…O jogo não vale nada…Eles estão com a cabeça no jogo da Libertadores’... Piada  né? Só pode… Se o SPFC entra em campo, o jogo vale. Vale 3 pontos, simples assim. Vale para todos os torcedores que estavam lá no Morumbi ontem. Vale pra cada tricolor que ligou o rádio ou a TV, onde quer que estivessem pra acompanhar o time. Então, somos todos idiotas? Pra mim, qualquer jogo que o SPFC entra vale…E vale muito! 
O time não correu, não disputou bolas, enfim… Foi triste de ver. Não sou defensora do estilo Muricy (Muricy era o treinador do ‘expressinho’ de 94), não acho que só trocar de técnico vai ajudar (embora ache sinceramente que Ney Franco deve cair depois de quarta-feira, mas que só trocar de técnico não vai solucionar praticamente nada no time), vivemos o resultado de inúmeras decisões erradas, má administração e erro de foco. Administração errada quando nosso presidente não leva em conta inúmeros bons profissionais que saíram do SPFC, de Carlinhos Neves a Rosan. Decisões erradas quando se contratou alguns jogadores, do qual se esperava tanto e hoje sabemos que são apenas medianos. E o elenco todo do SPFC é assim, mediano. Nossa zaga não é sólida. Nosso meio-campo não é mordedor, por isso que toda hora tem bola na zaga do SPFC…E geralmente bola área, quando perdemos. Nossa zaga perde fácil de bola aérea. Sobra pro Denis. Às vezes dá pra fazer milagre, às vezes não. Nosso ataque não define as coisas. Pelo contrário. Se tivéssemos feito 50% dos gols perdidos, estaríamos tranquilos na Libertadores. Nosso time demora pra reagir. Ou quando está vencendo, acha que o outro time não vai tentar empatar. E sempre ficamos com aquele gosto na boca de…’Poxa, está tudo errado’…E está mesmo. E não temos mais um Lucas no time. Não temos aquele jogador que chama a responsabilidade pra si e tenta resolver. Aliás, parece que nem tentamos resolver…E as desculpas são sempre as mesmas…
Vivemos na esperança que um ou outro jogador (na atual fase, Ganso), possa desencantar e fazer ‘a partida da vida’, mas o espírito do elenco não é de jogo de vida ou morte. É de corredor da morte, apenas caminhando em direção à injeção letal ou à cadeira elétrica. Time passivo, pouco capaz de reagir. Você vê isso claramente nos reservas, nos garotos que subiram da base… Enfim, muita coisa errada…E pouco (ou nenhum) tempo pra consertar. 
Quarta-feira é o dia D. Se o SPFC conseguir a façanha de ganhar do Atlético-MG no Morumbi, podemos até ter uma chance de classificar (dependemos do resultado do Arsenal também). Falando o português claro, acho que não temos um time bom o bastante pra ganhar do Atlético. Pra piorar, o time está todo desfalcado. Acho que estamos com o espírito todo errado pra uma decisão. ‘Mas somos o time da fé…’ Sim, torcedor sempre acredita, mas o meu bom senso não desaparece quando o SPFC entra em campo, eu sempre digo isso. Gostaria que ganhássemos, mas acho pouco provável. Espero estar errada. 
Thaís Cachuté Paradella