Por Raiza Oliveira – @ra_iza

Foto: AFP/Globoesporte.com

Detesto escrever após derrotas. Fico além de brava, triste; pensando em como seria se fulano não tivesse perdido tantos gols, se ciclano tivesse marcando o adversário que fez gol, se beltrano tivesse escalado de outra forma… perco a paz. Mesmo que eu venha ser calada por morsa em breve, é preciso falar.

O São Paulo que eu vi ontem não é o que venceu a Sulamericana, e isso já deveria ter sido notado, senhor técnico. Lucas já foi, já devia ter mudado o esquema bem antes. Mas justo ontem? Assim, com uma semana de treino? Douglas não foi, não é nem nunca será 1% do atual jogador do PSG, caso seja ele quem o senhor pensou pra colocar em seu lugar. Aliás, o ex-jogador do Goiás está ali improvisado, sendo que temos Cañete pro setor. Cobramos tanto a mudança do esquema, mas isso é feito aos poucos, não de uma vez com jogadores desentrosados. O meio campo inexistiu na marcação com volante(s) sem função. As laterais, não de hoje, em órbita. Que pasa, Cortez? Um zagueiro subindo ao ataque. Quem tanto cobrou a titularidade só deu passe pro lado. Sofremos ainda com gols perdidos, quando a sorte não esteve ao nosso lado (80% do tempo). E ainda tem maior artilheiro do time que ~não pode estar em campo~. Quem explica?
O São Paulo que vi ontem, na verdade, não é o São Paulo Futebol Clube. Os rivais sabem disso. Esse tipo de apresentação nossa não é comum nem pra eles. Temos a camisa mais pesada do Brasil e na Libertadores isso é como um jogador craque em excelente fase em campo, o que me faz ter aquela fé que deu o apelido ao Tricolor. Mas é assim que caminharemos?
O que Osvaldo fez no jogo exemplifica o que digo. Mesmo com todas as dificuldades do catado  time, ele não desistiu nenhuma vez. Quase fez chover no gramado e até cãimbra sentiu pelo esforço, como um garoto querendo ser aprovado na peneira. Ele entende o peso dessa camisa das listras horizontais no peito. Assim como Rogério, que dispensa comentários com uma defesaça-aça aos 40tões desafiando a física e as críticas. Ao meu ver, temos as peças, mas elas precisam estar bem postadas no tabuleiro e principalmente  estar motivadas. Temos sim jogadores limitados, mas se aguerridos, podem muito mais do que vimos ontem.
E voltando ao técnico, se ele não tiver cada uma dessas peça nas suas mãos, ele não tem mais nada – o que me preocupa. Não acho que ele deva ser demitido, pelo menos agora. O trabalho – que tem se perdido ou ainda não foi achado nessa competição – tem que ter continuidade. Já vimos ultimamente que trocar de técnico a cada mau resultado não resolve e parte importante: nem tem um salvador da pátria à disposição. Mas Ney precisa se decidir e definir além de um time titular, como ele quer ser tratado pelos jogadores: como aliado ou adversário. Estrelismo no elenco é falta de comando e isso é pior que passe errado na frente do gol. Inadmissível.
Vai ser ainda mais difícil em La Paz, mas essa camisa deve nos salvar. E se não for assim, lembremos que maior que a Libertadores da América, o técnico, o lateral ruim e a falta de meio campo é o São Paulo.
#AVANTEMEUTRICOLOR