Saudações tricolores!

Em pleno sábado de Carnaval, o SPFC enfrentou o Guarani no Brinco de Ouro só com Rogério Ceni de titular. A escalação foi um tanto quanto controversa, pois colocar João Filipe na lateral (quando Lucas Farias estava no banco) foi algo bastante criticado pelos torcedores tricolores. 
Mas de uma maneira geral, o time começou lento e foi aos poucos ganhando um ritmo de jogo, que culminou no 1×0 ainda no primeiro tempo. Cañete foi o destaque negativo: o argentino fez duas faltas e acabou expulso. Não fez uma grande partida e ainda deixou o time com 10. 
Logo no início do segundo tempo, o Guarani empatou. A zaga falhou, deixando o jogador bugrino sozinho na grande área. 1×1. O Guarani começou a gostar do jogo e os tricolores pensando: ‘os gols perdidos por Aloísio no primeiro tempo vão fazer falta…’. Até poderiam fazer, se não tivéssemos em campo alguém capaz de salvar a lavoura. Alguém que transforma qualquer jogo em uma partida mais que especial para qualquer são-paulino. Não, você que torce para outro time jamais vai entender isso. Você que torce para outro time provavelmente acha este jogador arrogante…Como eu já ouvi isso… Incrível como brasileiro não valoriza quem leva seu trabalho a sério, quem realmente se dedica ao que faz e faz algo mais. E este algo mais não é falar feito bobo, sem pensar, longe disso. Este algo mais é fazer gols, quando sua função em campo é exatamente evitá-los. Não, não consigo imaginar outro jogador igual ao Rogério Ceni. E fico imaginando a frustração que vocês, torcedores de outros times tem, quando Rogério põe a bola pra dentro em cobrança de falta. Aconteceu ontem, contra o Guarani. E isso garantiu a vitória do SPFC. 
A você que estava na arquibancada, sabe o que eu estou falando. A você torcedor do SPFC, a alegria de ver o Mito sair do gol, atravessar o campo, ajeitar a bola e bater a falta, morrendo a bola no fundo das redes. A você, torcedor do Guarani, a raiva de ver Rogério, mais uma vez, fazendo um gol pelo SPFC. Quantas vezes já vimos isso? Vimos isso contra inúmeros times. E este, ao invés de ser um jogador celebrado no país, tem menos espaço que deveria. Muito menos. Mas o Brasil é assim: o que interessa são os times ‘de massa’, ah…Estes times sim… Corinthians e Flamengo tem um espaço absurdo na mídia, recebem cotas maiores da televisão, tem espaços gigantes em programas de televisão, mesmo quando não há nada a dizer. E quanto à Rogério? Limitam-se a mostrar seu gol. Mais um. Número 109. E para por aí. A dor de cotovelo invade o jornalismo esportivo. Celebrar mais um gol de Rogério Ceni é admitir que treino e dedicação levam longe. Não, não se pode admitir isso. No país do futebol, a malemolência é o que interessa. Por isso jogadores que são bons, não há dúvida disso, ganham destaques de craques, mitos, quando não os são. Ganham uma mídia absurda! E Rogério? Mídia não faz parte do que ele é. Você não o vê em baladas, em comerciais de TV, tingindo o cabelo de loiro, não…Este não é Rogério Ceni. Mas você o vê, treinando quando poderia estar descansando. Se dedicando exaustivamente. E fazendo gols, quando poderia ser só mais um goleiro. Ontem foi assim. O gol de Rogério garantiu a vitória do SPFC. Mas este tipo de reconhecimento, infelizmente, não é interessante para o jornalismo brasileiro. Uma pena. 
Thaís Cachuté Paradella