Por Raiza Oliveira – @ra_iza

Muito se fala em grandes ídolos do São Paulo citando Roberto Dias, Ronaldão e Lugano, todos estes zagueiros (entre outros nas demais posições). Mas Armando Federico Renganeschi foi um dos primeiros ídolos de nossa história lá pela década de 40 – e acaba não sendo lembrado muitas vezes por gente como eu, que nasceu muito tempo depois.
Renganeschi era argentino e o típico zagueirão raçudo e seguro. Foi campeão paulista com o Tricolor em 1945, 46 e 48, mas um desses títulos, o de 46, foi marcado exatamente pela raça característica de dele, em um título que levamos em cima da então finada SEP.
Na época éramos chamados de “Rolo Compressor”, com um time formado por craques como Teixeirinha, Remo, Luizinho e Leônidas, além do próprio argentino. Naquele Paulista, defendíamos o título do ano anterior com uma derrota em 20 jogos. Mas disputamos ponto a ponto com o SCCP até chegar o jogo de desempate..contra o time de verde, que não tinha mais chances de título mas poderia nos atrapalhar. Poderia.
Depois de um primeiro tempo com domínio dos caras, o segundo tempo é Tricolor. Com dois homens a menos cada time após porradaria envolvendo Luizinho e Remo, pelo São Paulo e Og Moreira e Villadoniga, pelo Palmeiras, o São Paulo ainda teria a desvantagem de ter menos um em campo – Renganeschi, atingido no peito durante a confusão. 
Se arrastando, mancando e sentindo dor, o zagueiro ficou em campo literalmente no sacrifício pra não abandonar o time em momento tão delicado, deslocado pelo treinador para a ponta esquerda apenas pra fazer número. Porém, aos 38 minutos da segunda etapa, ele foi recompensado: depois de um cruzamento de Bauer pela direita, a bola pega um efeito que a faz parar no travessão e quica em frente ao gol à esquerda – exatamente onde está nosso herói, que só empurra pras redes marcando seu único gol em 107 partidas pelo clube.
Gol de Renganeschi e São Paulo bicampeão invicto de 1946!
Renganeschi, contundido, empurrando a pelota pras redes alviverdes sob a batuta de Leônidas
Não há glórias sem heróis, luta e dor.
Que na nossa geração possamos ter a honra de presenciar mais sacrifícios como o de Renganeschi, que ficam na história não só do clube, mas do futebol.
#VAILÁDECORAÇÃO