Por Raiza Oliveira – @ra_iza

Saudações Tricolores!
Estava com saudades daqui e também de ver o Tricolor jogar! E já que estamos às vésperas do início da temporada profissional com o campeonato paulista, minha primeira coluna do ano vai relembrar um jogo épico e muito importante pra nossa história. Engana-se quem pensa que me refiro a um jogo de brasileirão, libertadores ou mundial. O jogão que vou narrar os melhores lances é exatamente de um Paulistão em que fomos campeões, 21 anos atrás e colocou Raí como um dos principais jogadores do Brasil.
A partida aconteceu no dia 8 de dezembro de 1991 no Morumbi, com o público de 102.821 torcedores sortudos que puderam ver um hat trick de um grande ídolo, em uma final, contra um dos seus maiores rivais: o Corinthians. Ali, Raí deixava de ser o “irmão de Sócrates” para se tornar o “Raí”.
O São Paulo tem a vantagem dos empates, mas quem toma as iniciativas no jogo é o Corinthians. Aos 5 minutos de jogo, Ronaldão faz falta em Márcio, mas Wilson Mano bate mal e Zetti faz tranquila defesa. Aos 15, é Dinei que dispara em direção ao gol deixando o zagueiro Adilson pra trás, mas o lance é paralisado pelo árbitro – hoje comentarista Oscar Roberto Godói – por falta do atacante. Mas a pressão alvinegra continua e, por enquanto, nada do Raí. Em outro lance, Zetti precisou se esticar para espalmar uma bola no ângulo de Jucenir.
Mas por que fui cornetar o Raí…era exatamente nessas horas, nesses momentos ruins que ele aparecia. Logo aos 16 minutos o terror do Morumbi começava seu show diante do público e chamou os corinthianos pra dançar. Após receber de Macedo, que era cercado por três adversários, segue rumo ao gol como se não houvesse amanhã, e com apenas três toques – ajeita com o pé direito, põe na frente com o esquerdo e  um último chute certeiro – faz um golaço em um petardo que assombra o tal goleiro Ronaldão até hoje! De fora da área, no ângulo. Um a zero, pintura de Raí.
Com o gol, o São Paulo passa a jogar mais avançado para que o time explore os contra-ataques. O time à frente no marcador chega a perder algumas chances e leva mais um susto com outro chute de Dinei que manta cobrança de falta por cima do gol. Fim do primeiro tempo.
A segunda etapa começa como a primeira, com pressão corinthiana. Depois de um bate e rebate na área, o grande Zetti mais uma vez faz excelente defesa com os pés e não permite que o jogo empate. Mas como no primeiro gol, que aconteceu quando o rival era melhor, brilha a estrela do “irmão do Sócrates”. Aos 14 minutos, Macedo recebe livre, entra na área e é derrubado por Ronaldo. Pênalti, e não há dúvidas de quem irá bater. Com chute forte, ele anota mais um dele e no placar.
Três minutos depois como coincidência, o camisa 10 mais importante da história recente Tricolor desvia de cabeça a cobrança de escanteio de Elivélton, marcando o terceiro seu no jogo e sacramentando o placar em cima do rival. Esse jogo é épico não apenas pelo resultado e pela consagração do Raí, mas pela patética cena da torcida adversária deixando o estádio antes do árbitro decretar o final da partida. Isso é porque são fiéis..de fato não queriam ver a situação alvinegra piorar com a expulsão do ‘astro’ Dinei após um carrinho em Suélio. E olha que ainda demos uma chance com pênalti marcado contra nós. Mas o dia era nosso, e a bola batida por Wilson Mano vai direto na trave. Fim de jogo, Tricolor campeão!
Esse jogo ainda não foi a finalíssima. Com mais um grande público de mais de 106 mil torcedores, o São Paulo empatou sem gols com o rival e levantou o caneco no dia 15 de dezembro.
“O maior jogador do Brasil, do qual tenho a regalia de ser irmão, amigo e, talvez, tenha sido sua maior influência para a prática do esporte, tem a perfeita noção de seu posicionamento em relação à sociedade como um todo e sua equipe de trabalho, em particular.” Sócrates.
Valeu, Sócrates. Mas valeu ainda mais, Raí. 
Fonte: Livro “20 jogos eternos do São Paulo”, de Fábio Matos.