Por Raiza Oliveira – @ra_iza

Foto: Rubens Chiri

Às vezes paro pra pensar na história do SÃO PAULO e não paro de me surpreender. É impressionante. Nascemos depois de um período de dificuldades e problemas e tivemos que enfrentar de igual pra igual times com mais de dez, vinte anos de história. Tínhamos que provar para os outros e também para nós mesmos por que não desistimos e renascemos em 1935. O novato tinha que se afirmar no cenário estadual e nacional, tarefa nada fácil diante de times que já haviam conquistado campeonatos como o Santos. Mas nós lutamos.
Em menos de dez anos após a fundação, o SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE começava a fazer história e impor respeito diante dos rivais. Em 1942, fez lotar o Pacaembu para Leônidas, um dos maiores atacantes que já se viu. A partir daí, foram cinco títulos estaduais em dez disputados, o primeiro logo em 1943, interrompendo o que seria uma dobradinha de Palestra Itália e Corinthians. Crescemos, nos consolidamos, mas voltamos a ter dificuldades. Em virtude da construção do estádio, passamos 13 anos sem conquistas entre as décadas de 1950 e 1960. Mas somos o SÃO PAULO. Em 1970, com um time que tinha Gerson, tricampeão mundial, e Pedro Rocha, nos reerguemos e não miramos alcançar mais ninguém. Só conquistas.
Primeiro título brasileiro em 77, depois de dois vices em 71 e 73. Não foi fácil, mas foi digno. Em 86, o bi brasileiro. Sofrido, com pênaltis, mesmo com os craques. Década de 90 dispensa comentários. Mágica, tínhamos o mestre e um dos melhores times de todos os tempos com direito ao Terror do Morumbi. Sem esquecer que sendo o caçula dos times brasileiros. Mas conquistávamos o mundo e deixamos para trás os mais “tradicionais” times, um deles que tem como maior conquista um título paulista conquistado depois de longo jejum. O SÃO PAULO é o primeiro dentre os grandes. Ostenta o nome da cidade dignamente.
Os anos 2000 já começam de forma doída. Derrota para o Cruzeiro na Copa do Brasil tá marcada até hoje na memória, o próprio Rogério disse não esquecer. Despedida do craque da 10. Goleada para carioca. Queda na Libertadores e atacante, hoje no elenco,  querendo sair. O baixo que parecia ser interminável se findou com uma volta por cima digna de SÃO PAULO. Voltamos ao certame internacional, conquistamos a América e o Mundo pela terceira vez depois de 12 anos do segundo feito. O novato virou modelo de como ser campeão. 
Hoje estamos em mais uma final. Depois de muita luta, suor, mudanças, receios, desconfianças, melindres e quedas. Mas nunca vergonha. Mesmo em seus momentos de maior fraqueza eu nunca senti vergonha de ser SÃO PAULO. Vai muito além do que simplesmente torcer. Depois de alguns anos passei a entender que o SÃO PAULO significa muito mais que um time vencedor. E a única coisa que pode explicar a ausência do meu sorriso no dia que ele deixar de existir está descrito nos parágrafos acima. 
Daqui uns anos eu vou contar a mesma história, mas com um parágrafo a mais.
#VAILÁDECORAÇÃO