Por Raiza Oliveira – @ra_iza

O dia era 24 de maio de 1942. O campeonato, estadual. O rival era aquele mesmo small club que carimbamos o passaporte no último dia 2 com direito a olé e pelos reservas. Mas o jogo que vou lembrar aqui hoje terminou empatado em 3 a 3 e firmou o que era chamado, na época, de ‘bonde velho’ assim que chegou no Tricolor, um dos maiores jogadores da história do São Paulo e do futebol nacional. O grande Diamante Negro (leia sua história na coluna da Thaís), que levou mais de 70 mil torcedores ao estádio municipal da cidade. Número recorde do estádio e que jamais será alcançado.

Depois de ter vencido todos os seus seis jogos do campeonato, o São Paulo enfrentaria o arquirrival, depois de já tê-lo enfrentado antes do início do campeonato e empatado exatamente em 3 a 3. O jogo seria a estreia de Leônidas, que mesmo tendo jogado muito nos clubes anteriores, era ainda uma incógnita se faria o mesmo no São Paulo pela cirurgia que havia feito e o tempo que ficou parado. Não se falava em outra coisa na cidade. Exatos 70.281 torcedores se espremeram no Paulo Machado de Carvalho para acompanhar o Majestoso e ver Leônidas, já consagrado até na seleção naquele momento.
Aos 10 minutos da partida, Jerônimo abre o placar para o time do mal em jogada veloz. O empate Tricolor veio 20 minutos depois, com um chute de primeira de Lola após cobrança de escanteio de Pardal, resultado que permanece até o fim do primeiro tempo. Logo aos três da segunda etapa, outro banho de água fria na nossa torcida: Servílio acerta o chute depois de um bate e rebate na área são-paulina. Mas o São Paulo não esmoreceu.  Aos 15, Luizinho deixou o seu de cabeça e empatou o jogo. Não há favoritos na partida.
– Mas e Leônidas?
Creio que hoje ele seria “muito xingado no twitter”. Por estar totalmente sem ritmo de jogo após quinze meses sem jogar e com recente cirurgia no joelho, o “futuro” craque Tricolor teve atuação discreta, o que foi motivo de chacota corintiana – naquele momento.
Voltando ao jogo, aos 36 minutos depois de várias chances perdidas, quem fica à frente no placar é o Tricolor. Teixeirinha estufou as redes galináceas e anotou 3 a 2 no placar pra nós. A festa é grande nas arquibancadas, mas durou até os 43 minutos. Mais uma vez Servílio fecha o placar do jogo de cabeça e motiva a festa corintiana, que além de ter conquistado o empate, comemoraram a atuação ruim do que seria o astro Tricolor na época. A piadinha dissipada durante a semana após o clássico, de que Brandão, do SCCP, teria colocado Leônidas no bolso, chegou aos ouvidos do craque, que declarou anos depois: “Fiquei possesso. Nunca mais joguei mal contra o Corinthians”. Dito e feito.
Em quinze jogos contra os alvinegros, Leônidas teve dez vitórias, três empates e só duas derrotas, além de sete gols. “O Diamante Negro se cansou de por o Corinthians no bolso no período em que defendeu o São Paulo, entre 1942 e 1950” (trecho do livro 20 jogos eternos do São Paulo, de Fábio Matos – p. 33). Esses anos foram imprescindíveis pro Tricolor deixar de ser um mero coadjuvante para se tornar protagonista dos campeonatos estaduais, encabeçados até então por Palestra e Corinthians, e também no cenário nacional, quando levou cinco títulos, dois vice-campeonatos paulistas e participou de goleadas históricas como o 9 a 1 sobre o Santos em 18 de junho de 1944.
Não é de hoje que a nossa torcida faz sua parte. Que em 2013 possamos bater nossos próprios recordes de público que registramos este ano. Nossa força resultou no caneco da Sulamericana, por que não resultaria em todos os que disputaremos na temporada que vem? AVANTE MEU TRICOLOR!
#VAILÁDECORAÇÃO